
Os incêndios florestais que assolam a Europa e a América do Norte expõem, de forma dramática, a urgência de fortalecer a prevenção, a resiliência comunitária e as ações climáticas globais.
Nesta quinta-feira, um informe da Comissão Econômica da ONU para a Europa, Unece, destaca que superar esse desafio exige uma mudança paradigmática que envolve substituir a simples resposta de emergência pela prevenção proativa.
O investimento em tecnologias de detecção precoce, tais como inteligência artificial, monitoramento por satélite e mapeamento de risco em tempo real, aliado à restauração da paisagem florestal, surge como a via mais eficaz para salvar vidas e proteger economias. Entidades internacionais continuam a liderar esforços entre dezenas de Estados-membros para promover a resiliência das florestas.
Em um cenário de grande destruição, a situação já consumiu mais de 4,3 milhões de hectares nos Estados Unidos e 3,7 milhões no Canadá.
Para a Unece, a atual temporada de queimadas reitera a dura realidade que quando o fogo atinge sua intensidade máxima, contê-lo torna-se quase impossível. Isso faz da preparação antecipada a única defesa real.
Na Europa, a gravidade da crise sobressai na região de Gironde, na França, que viu cerca de 42 mil hectares de pinhais reduzidos a cinzas. Esta realidade forçou a evacuação em massa de residentes e turistas.
A Espanha enfrenta um dos seus piores anos em décadas, com mais de 200 mil hectares queimados, ou o dobro da média histórica anual do país. À medida que ondas de calor, secas severas e ventos fortes avançam, a União Europeia alerta que o foco do perigo se desloca para o leste, ameaçando países como Grécia e Itália.
A Unece alerta que os impactos dessas tragédias extrapolam em muito as margens das florestas. Além de ceifar vidas e destruir infraestruturas críticas, os incêndios geram prejuízos anuais diretos estimados em €2,5 bilhões na União Europeia.
A fumaça viaja por milhares de quilômetros na região, degradando a qualidade do ar e agravando doenças respiratórias e cardiovasculares.
A longo prazo, as comunidades arcam com custos invisíveis, tais como perda de biodiversidade, queda na produtividade agrícola e altos investimentos necessários para a restauração ecológica.
Embora as alterações climáticas criem o ambiente perfeito para incêndios mais frequentes e severos, cerca de 90% das queimadas ainda resultam da atividade humana, seja por negligência ou ato deliberado.
Esse fator demonstra que muitos desastres poderiam ser evitados mediante conscientização pública, regulamentações rigorosas e gestão florestal sustentável.
Ao mesmo tempo, cria-se um círculo vicioso em que o aquecimento global piora as queimadas e o fogo, ao consumir a vegetação boreal e temperada, libera bilhões de toneladas de carbono na atmosfera, acelerando ainda mais a crise climática.
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