Cerca de 2.000 manifestantes morreram no Irã desde 28 de dezembro, quando começou a atual onda de protestos contra o regime teocrático do país, segundo um membro do regime afirmou à agência de notícias Reuters, culpando o que chamou de “terroristas” pela escalada da violência.
O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta terça-feira (12) que está “horrorizado” com o aumento da repressão contra manifestantes. “Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos”, disse em um comunicado.
O bloqueio do acesso à internet no Irã imposto pelas autoridades já ultrapassa 108 horas, informou nesta terça-feira a ONG NetBlocks. Defensores de direitos humanos acusam a República Islâmica de restringir o acesso à rede numa tentariva de cencurar a divulgação de imagens dos protestos.
A mais recente onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução Islâmica de 1979. A Espanha convocou nesta terça-feira o embaixador do Irã em Madri para expressar sua “enérgica repulsa e condenação” à repressão dos protestos no país.
O gesto é um ato diplomático que demonstra insatisfação.
Com isso, o país se soma à pressão internacional para que Teerã modere sua resposta às manifestações. A Finlândia e a Bélgica também convocaram o embaixador iraniano, e os Estados Unidos anunciaram que vão impor tarifas de 25% a quem comercializar com o Irã.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse nesta terça que acredita que a teocracia iraniana “vive seus últimos dias”. “Presumo que estejamos agora testemunhando os últimos dias e semanas deste regime”, afirmou ele durante uma viagem à Índia.
“Quando um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está, de fato, chegando ao fim. A população agora está se levantando contra esse regime.”




