O Irã afirmou neste sábado (6) que ataques americanos a instalações de radar e de vigilância costeira no Golfo constituem uma “violação flagrante do cessar-fogo“, em vigor desde 8 de abril, e lançou mísseis contra o Bahrein e o Kuwait, aliados de Washington na região.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou os ataques noturnos dos Estados Unidos como “uma agressão militar contra a soberania nacional e a integridade territorial da república islâmica do Irã” e condenou “o comportamento hostil e provocador do regime americano”.
Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado “bases inimigas na região” com mísseis. O pequeno reino insular do Bahrein, que abriga o quartel-general da Quinta Frota americana, denunciou o lançamento de sete mísseis contra seu território e contra o Kuwait, no segundo ataque em três dias. Comunicados dos dois governos condenaram a “agressão descarada” do Irã e advertiram contra uma “escalada perigosa”.
Jornalistas da AFP ouviram fortes explosões em Manama, capital do Bahrein, e perto do aeroporto internacional do Kuwait.
A escalada desta sexta (5) e deste sábado (6) começou quando o Comando Central dos EUA anunciou ter derrubado quatro drones iranianos que se dirigiam ao estreito de Hormuz e atacado duas instalações de radares no Irã. O Pentágono afirmou que não houve americanos feridos nem danos à sua infraestrutura militar.
O frágil cessar-fogo, que entrou em vigor em 8 de abril após mais de um mês de ataques que dizimaram a cúpula do poder iraniano, tinha se mantido em grande parte, com hostilidades esporádicas. Semanas de negociações complexas, marcadas por ameaças e episódios de violência, não resultaram em um acordo para encerrar a guerra e reabrir o estreito de Hormuz, crucial para o comércio global de combustíveis.
“As negociações estão em ponto morto e Trump deve romper este ponto morto”, disse Mohsen Rezaei, assessor militar do líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, em entrevista à CNN na sexta (5). O conselheiro condicionou avanços ao desbloqueio de US$ 24 bilhões (cerca de R$ 123 bilhões) em ativos iranianos congelados pelas sanções americanas. “Esse é nosso dinheiro, não o dinheiro dos Estados Unidos”, afirmou.
Divergências sobre a gestão do estreito, o programa nuclear iraniano e as sanções contra Teerã, além dos combates no Líbano entre Israel e o Hezbollah, dificultam os avanços diplomáticos.
No front libanês, o exército do país informou neste sábado que um ataque israelense no sul matou três militares —um general, um capitão e um soldado. O Hezbollah rejeitou um novo acordo de cessar-fogo firmado esta semana em Washington entre representantes israelenses e libaneses, por não prever a retirada total de Israel do país.
O presidente libanês, Joseph Aoun, instou o Irã a não interferir nos assuntos do Líbano. “Este não é seu país, é o nosso”, disse. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, respondeu recomendando que Aoun se voltasse contra Israel. “Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, senhor presidente”, afirmou.
Os ataques israelenses no Líbano deixaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito. Do lado israelense, morreram 27 militares e um funcionário civil terceirizado.




