Um dia depois de o presidente Donald Trump dizer que “na primeira hora, a guerra já tinha acabado”, o conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio chegou a seu 13º dia nesta quinta-feira (12) com uma escalada em sua violência.
O Irã, atacado no dia 28 de fevereiro por americanos e israelenses, ampliou ações visando criar o caos no setor de petróleo —o barril chegou aos US$ 100 novamente. Sem condições de triunfar militarmente, Teerã aposta em resistir e gerar pressão econômica sobre Trump.
Já os EUA apertaram o torniquete sobre o regime teocrático fazendo ataques com bombas destruidoras de bunkers durante a noite. E Israel lançou uma nova onda grande de bombardeios no Líbano, prometendo vingança pela maior ação até aqui do grupo Hezbollah, aliado dos aiatolás.
As ações mais chamativas são da retaliação iraniana. Os ataques a navios no golfo Pérsico continuaram nesta quinta, após ao menos cinco serem atingidos na véspera.
Dois petroleiros ainda estavam em chamas perto do Iraque quando outra embarcação foi alvejada pela Guarda Revolucionária perto do estreito de Hormuz. A agência marítima britânica contou três ataques contra navios de carga até aqui nesta quinta.
A disrupção do tráfego marítimo na rota de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito é o efeito colateral mais agudo da guerra. O Irã conta com esse efeito sobre o mercado, ainda que ele mesmo seja prejudicado pois perde seu único grande cliente no ambiente de sanções, a China, que compra quase todo seu óleo.
Nesta quinta, o barril referencial Brent chegou a ultrapassar os US$ 100, algo que só havia ocorrido no começo da semana. Na véspera, o Irã disse que o mundo devia se preparar para um barril de US$ 200, e parece disposto a cumprir a ameaça.
Além dos petroleiros, Teerã voltou a atacar instalações petrolíferas de países aliados dos EUA no golfo, como o Bahrein. Omã, que já havia registrado um grande incêndio no porto de Salalah na véspera, teve de fechar o terminal de Mina al-Fahal. O terminal iraquiano de Basra também foi alvejado com drones, paralisando o escoamento da produção.
No Iraque, uma base italiana foi alvejada durante a noite perto de Irbil, no Curdistão local. Não se sabe se o ataque veio do Irã, que tem atingido alvos ligados aos curdos para evitar ideias de secessão da etnia de seu lado da fronteira, ou de algum grupo pró-Teerã.
Na via contrária, os EUA intensificaram ações contra a infraestrutura militar do Irã, atingindo pistas de pouso mais remotas e bunkers —na quarta, bombardeiros B-1B no Reino Unido foram filmados sendo carregados com bombas de penetração de solo de 900 kg.
Pelos vídeos divulgados nesta manhã de quinta pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA, um dos focos é o desmantelamento do que sobrou da Aeronáutica iraniana. Os lendários caças americanos F-14, comprados pelo regime anterior à teocracia nos anos 1970 e ainda voando, foram aparentemente dizimados.
Israel, por sua vez, iniciou uma nova onda de ataques ao sul de Beirute e a cidades na zona tampão entre seu território e o rio Litani, no Líbano. Segundo o Exército, as ações serão intensificadas depois que o Hezbollah libanês promoveu seu maior ataque nesta guerra, na noite de quarta.
Foram mais de 100 foguetes lançados contra o norte do Estado judeu, em uma ação conjunta com o Irã. Desde a semana passada, os rivais de Israel têm executado barragens coordenadas, dificultando o trabalho da defesa aérea. Não houve relatos de mortes.
O ataque intenso contrastou com a redução da frequência das ações contra Israel. De fato, no dia 4, o Hezbollah havia promovido 47 barrages contra Israel, número que caiu a 6 na quarta, segundo a Universidade de Tel Aviv. O Irã segue o mesmo roteiro, preferindo lançar seus drones e mísseis de forma mais espraiada pela região.
O custo humano da guerra só faz crescer, numa conta que pesa mais sobre quem está recebendo o maior fogo. No Irã, além dos mais de 1.300 mortos, há ao menos 3,2 milhões dos 93 milhões de habitantes deslocados de suas casas, segundo a ONU divulgou nesta quarta. No Líbano, são mais de 630 mortos e 810 mil fora de casa.
Há vítimas espalhadas pelos países do golfo, enquanto Israel conta 14 mortos e 3.400 deslocados internos. Os EUA perderam sete militares desde o início da guerra, e contam cerca de 140 feridos.
Se a demolição das capacidades militares iranianas é evidente, o cenário cada vez mais assimétrico e complexo desafia a assertiva feita por Trump em discurso na noite de quarta.
“Nós vencemos. Deixe eu dizer uma coisa: nós vencemos. Nunca queremos dizer que ganhamos antes da hora, mas nós ganhamos. Na primeira hora, a guerra já tinha acabado”, disse.




