Irã pode emergir da guerra ainda mais forte e perigoso – 30/03/2026 – Mundo

Irã pode emergir da guerra ainda mais forte e perigoso


Donald Trump tem um gênio perverso para levar os adversários americanos a descobrir novas formas de barganha sobre os Estados Unidos. Sua guerra comercial com a China convenceu Pequim a explorar seu domínio sobre terras raras e minerais críticos, forçando os EUA a reduzir suas tarifas.

De maneira semelhante, o Irã finalmente cumpriu uma ameaça de longa data e, na prática, fechou o estreito de Hormuz. Teerã, assim como Pequim, deve ter ficado encantada ao descobrir com que rapidez pode infligir danos econômicos ao Ocidente.

A exploração iraniana de seu controle sobre o estreito significa que a República Islâmica agora pode aspirar a fazer muito mais do que simplesmente sobreviver ao ataque americano-israelense. Ela tem uma perspectiva real de emergir da guerra em uma posição internacional fortalecida.

Não há dúvida de que o Irã sofreu alguns golpes brutais. O líder do país e muitos de seus assessores mais graduados foram mortos no primeiro dia do conflito. Seus navios, lançadores de mísseis e centros de comando foram atingidos repetidamente. A economia iraniana está em sérios problemas, e a inflação está desenfreada.

Mas o Irã não está apenas resistindo. Ele demonstrou que pode infligir danos reais a seus vizinhos do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos —colocando grandes pontos de interrogação sobre seu futuro a longo prazo. Crucialmente, o estreito de Hormuz também oferece à República Islâmica um fluxo de receita futuro potencialmente significativo que pode se mostrar extremamente valioso.

O Irã teria cobrado US$ 2 milhões por navio para permitir passagem segura pelo estreito. Em tempos normais, cerca de 140 navios por dia fazem a travessia. Portanto, um cálculo simples sugere que, se o Irã conseguir estabelecer um pedágio no estreito, poderá adicionar bilhões de dólares por mês aos cofres do Estado.

Marco Rubio alertou na semana passada sobre o perigo de o Irã tentar cobrar dos navios que passam pelo estreito. O secretário de Estado americano disse que isso seria ilegal e inaceitável. Ele está certo em ambos os pontos. A questão é: o que os EUA podem fazer a respeito?

A resposta desanimadora é que pode não haver solução militar para esse problema, a não ser uma mudança de regime em Teerã. Os EUA estão atualmente enviando tropas terrestres para a região. Mas a tomada da Ilha de Kharg, que Trump cogitou em uma entrevista recente ao Financial Times, não necessariamente resolveria o problema do estreito.

Na verdade, os planejadores militares ocidentais são muito pessimistas quanto às chances de reabrir o estreito apenas por meios militares. A geografia da área e a tecnologia disponível para o Irã —incluindo drones que podem ser operados a muitos quilômetros da costa— significam que nem mesmo escoltas navais podem garantir a segurança do tráfego comercial.

Isso deixa um acordo negociado com o Irã como a opção mais realista. Mas o Irã provavelmente exigirá um preço muito alto. O regime iraniano está de olho em receitas futuras potencialmente transformadoras —bem como em um meio de distribuir favores ou punições a países de todo o mundo.

Trump, o autoproclamado mestre negociador, está patinando. Ele admitiu recentemente que acha o estilo de negociação iraniano muito “estranho”. Na semana anterior, havia sugerido que ele “e o aiatolá” poderiam administrar conjuntamente o estreito —o que alguns interpretaram como uma tentativa de dividir os potenciais pedágios com Teerã. Mas os iranianos parecem desinteressados.

Os vizinhos do Irã estão horrorizados com a ideia de Teerã emergir da guerra com controle prático sobre as exportações de energia do Golfo, além de uma nova fonte de renda. Há muita especulação de que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita possam entrar no conflito em vez de aceitar esse resultado.

Mas esses países também estão bem cientes de que ataques iranianos às suas instalações petrolíferas ou usinas de dessalinização poderiam causar estragos de longo prazo em suas economias e sociedades. Eles podem, em última análise, decidir que pagar proteção ao Irã é uma opção melhor do que a escalada.

Nações asiáticas —que são os principais mercados para as exportações de energia do Golfo e não estão na linha de fogo do Irã— também podem considerar pagar. Aliados dos EUA, como Japão e União Europeia, sabem que ceder financeiramente ao Irã provocaria a ira americana. Mas as relações europeias com o governo Trump já estão tão ruins —e o presidente é tão errático— que os europeus podem arriscar, em vez de aceitar preços de energia permanentemente mais altos ou voltar a comprar petróleo e gás russos.

É claro que ainda existem muitas “incógnitas conhecidas”, para citar Donald Rumsfeld, um dos arquitetos da invasão do Iraque em 2003. A intervenção de forças terrestres americanas seria uma escalada dramática. É possível que as pressões sociais e econômicas dentro do Irã causem a implosão do regime. Mas, até agora, ele parece notavelmente resiliente.

Alguns daqueles que detestam Trump, Israel ou Arábia Saudita vão apreciar ver a República Islâmica virando o jogo contra seus inimigos. Mas isso é muito míope. O regime iraniano patrocinou grupos islamistas violentos em todo o Oriente Médio e massacrou seu próprio povo nas ruas —além de fornecer apoio vital à Rússia em sua guerra contra a Ucrânia.

Se ele emergir desta guerra amargurado e fortalecido, isso será uma má notícia para a segurança global, a economia mundial— e para o próprio povo iraniano. Infelizmente, esse atualmente parece ser um resultado plausível.



Fonte CNN BRASIL

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