Irã usa propaganda nas redes sociais contra EUA e Israel – 28/03/2026 – Mundo

Irã usa propaganda nas redes sociais contra EUA e Israel


Vídeos e publicações nas redes sociais iranianas zombam do presidente americano, Donald Trump, e o retratam como um líder sanguinário que ataca alvos civis indiscriminadamente. Usuários dissertam sobre ataques não registrados a alvos americanos e israelenses —na quarta-feira (25), uma publicação continha um vídeo fabricado de um míssil atingindo a Ilha da Liberdade, no porto de Nova York. As postagens mencionam Jeffrey Epstein frequentemente.

O Irã está travando uma guerra de informação, conforme a definição de pesquisadores, com ajuda da Rússia e da China, disseminando conteúdo projetado para explorar a oposição mundial à campanha militar EUA-Israel e desviar a atenção das perdas do país no campo de batalha.

Segundo organizações de direitos humanos e grupos de pesquisa que estudam a influência estrangeira nas redes sociais, veículos de mídia estatal do Irã e outros operadores estão produzindo materiais de propaganda, narrativas exageradas e desinformação, usando ferramentas de inteligência artificial generativa para criar imagens e vídeos realistas.

Uma parte do conteúdo foi desmentida, mas não antes de alcançar milhões de pessoas no X, Bluesky, Facebook, Instagram, TikTok e outras plataformas de mídia social.

A guerra de informação, dizem os pesquisadores, deu à liderança do Irã uma arma quase tão potente quanto sua capacidade de perturbar a economia energética mundial ao restringir os embarques de petróleo pelo Estreito de Hormuz.

Embora o impacto da guerra de informação possa ser difícil de medir, especialistas afirmaram que ela parece ter alimentado a raiva popular e o desconforto em relação ao conflito nos Estados Unidos e além.

“Eles estão vencendo a guerra de propaganda”, disse Darren L. Linvill, diretor do Media Forensics Hub da Universidade Clemson, referindo-se aos iranianos. “Eles estavam mais preparados para isso do que o governo [americano], porque vinham se preparando para esse conflito há 50 anos.”

Com o acesso à internet limitado dentro do Irã, o público-alvo são pessoas fora do país.

Muitas das publicações vêm de contas controladas por humanos, e não de bots automatizados. Pesquisadores de Universidade de Clemson, nos EUA, identificaram uma rede de pelo menos 62 contas no X, Instagram e Bluesky que disseminam conteúdo pró-Irã.

As contas, controladas pela Guarda Revolucionária iraniana, criaram perfis que se passavam por usuários de língua espanhola no Texas, Califórnia, Venezuela e Chile, e falantes de inglês na Inglaterra, Escócia e Irlanda.

Em alguns casos, o conteúdo que compartilharam havia sido copiado de publicações de pessoas reais, incluindo influenciadores ocidentais como Jackson Hinkle e Mario Nawfal, que têm milhões de seguidores no X e são conhecidos por comentários incendiários sobre assuntos internacionais e questões conservadoras.

Outra campanha focou em uma entrevista de 18 de março de Tucker Carlson com Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo que renunciou em protesto contra a guerra, de acordo com um relatório do Honest Reporting, um grupo de advocacia sem fins lucrativos que critica reportagens que considera prejudiciais a Israel.

Primeiro, o RT, o canal de televisão russo, postou um trecho da entrevista em que Kent retratava o ataque como agressão injustificada. A partir daí, dezenas de contas espalharam o mesmo trecho quase simultaneamente.

“Isso não foi uma viralização orgânica”, disse o grupo. “Atores com posições ideológicas variadas se alinharam quase imediatamente em torno de uma única mensagem específica: que Israel havia manipulado os EUA para entrar em guerra.”

O Irã também se aproveitou de declarações de Trump e tirou vantagem do enfraquecimento das salvaguardas governamentais e corporativas dos EUA, que antes buscavam combater informações falsas ou enganosas.

Um vídeo fabricado com IA e postado no Instagram pela SSN TV, uma rede estatal iraniana, ridicularizava a incapacidade de Trump de persuadir aliados dos EUA a fornecer ajuda militar para manter o estreito de Hormuz aberto a petroleiros. O vídeo inclui simulações do presidente Vladimir Putin, da Rússia, e Kim Jong-un, da Coreia do Norte, rindo enquanto ouvem uma música de rap.

“A incapacidade de Trump de gerir alianças e construir coalizões antes da guerra acendeu o fogo, e as campanhas de desinformação do Irã estão apenas jogando gasolina nele”, disse Jonathan Ruhe, analista do Jewish Institute for National Security of America, uma organização de advocacia sediada em Washington que apoia laços fortes entre os EUA e Israel.

Os militares dos EUA têm buscado desmentir vídeos do tipo, incluindo uma nesta semana que afirmava falsamente que o Irã havia derrubado um caça F/A-18. Plataformas de mídia social também agiram para remover vídeos.

Rússia e China, que têm relações próximas com o Irã, criticaram duramente a decisão de Trump de atacar o país persa. Eles amplificaram a propaganda do Irã e produziram a sua própria, de acordo com os pesquisadores.

Embora nenhum dos países tenha fornecido abertamente apoio militar direto ao Irã, operações de influência em ambos os países trabalharam de forma coordenada, de acordo com a Graphika, uma empresa que analisa conteúdo online.

Pesquisadores documentaram casos nas últimas semanas em que as mídias estatais russa e chinesa ou operações de influência clandestinas conhecidas amplificaram narrativas que o Irã promoveu —e vice-versa. Eles destacaram a capacidade do Irã de bloquear o estreito de Hormuz e acusações de que a guerra foi iniciada para distrair da divulgação de arquivos relacionados a Epstein e seus crimes.

A Cyabra, uma empresa de monitoramento de mídias sociais, apontou que o Irã havia ativado contas falsas em redes sociais para promover mensagens de dominância iraniana no campo de batalha, obtendo 145 milhões de visualizações nas duas primeiras semanas da guerra.

72% dessas visualizações aconteceram no TikTok. Contas com dezenas de milhares de seguidores compartilharam vídeos gerados por IA, incluindo cenas de ataques falsos a Israel. A empresa não respondeu a um pedido de comentário.

A Cyabra também encontrou evidências de que os esforços foram resultado de “coordenação clara” e uma “campanha estruturada” pelo Irã, citando como evidência o uso de conteúdo e hashtags recorrentes, junto com rajadas de publicações que apareceram online em períodos curtos.

“Essas táticas permitiram que a rede inundasse rapidamente o ambiente de informação e dominasse as discussões online durante momentos-chave do conflito”, escreveu a empresa.



Fonte CNN BRASIL

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