Israel avançou sobre uma nova área nos arredores da Cidade de Gaza durante a madrugada desta quarta-feira (27), destruindo casas e levando moradores a fugir horas antes de uma reunião sobre a guerra no território palestino convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
De acordo com testemunhas, tanques entraram no bairro de Ebad-Alrahman, no extremo norte da Cidade de Gaza, na noite de terça (26), e bombardearam casas, ferindo várias pessoas e forçando outras, que haviam sido pegas de surpresa, a fugirem para outros lugares.
“De repente, ouvimos os tanques avançando e os sons das explosões ficando cada vez mais altos e vimos pessoas fugindo em direção à nossa área”, disse o ex-operário da construção civil Saad Abed, 60, à agência de notícias Reuters. “Se nenhuma trégua for alcançada, veremos os tanques do lado de fora de nossas casas”, continuou de sua casa na Cidade de Gaza, a cerca de um quilômetro de Ebad-Alrahman.
Israel aprovou um plano para tomar o local, que descreve como o último bastião do Hamas, apesar de o governo já ter afirmado que o grupo terrorista não existe mais como força militar no território. Cerca de metade dos dois milhões de habitantes de Gaza vive atualmente na cidade, e Israel afirmou que eles deverão se deslocar.
“Evacuar a Cidade de Gaza é inevitável”, afirmou, nesta quarta, o porta-voz em árabe das Forças Armadas de Israel, Avichay Adraee. “Antes de passar para a próxima fase da guerra, gostaria de confirmar que existem vastas áreas vazias na Faixa Sul, assim como nos campos centrais e em Al-Mawasi. Essas áreas estão livres de barracas”, disse ele sobre as preocupações dos moradores com a falta de espaço nas áreas central e sul.
A essa altura da guerra, praticamente todos os moradores já se deslocaram, alguns diversas vezes. De acordo com o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha), ordens de evacuação afetam mais de 80% da Faixa de Gaza, que já era um dos territórios mais densos do mundo mesmo antes do início do conflito.
Milhares já partiram, mas alguns escolheram ficar. Líderes religiosos na cidade disseram nesta quarta que permanecerão no local, pois deixar a Cidade de Gaza e tentar fugir para o sul “seria nada menos que uma sentença de morte”. “Por esta razão, o clero e as freiras decidiram permanecer e continuar a cuidar de todos aqueles que estarão aqui”, afirmou o Patriarcado Ortodoxo Grego e o Patriarcado Latino de Jerusalém.
Trump conduziu uma reunião de políticas sobre a guerra em Gaza com a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e de Jared Kushner, ex-enviado de Trump para o Oriente Médio e seu genro.
Segundo um alto funcionário da Casa Branca, o encontro tratou de diversos aspectos do conflito, como a ampliação do envio de ajuda alimentar, a crise dos reféns, os planos para o pós-guerra e outras medidas. O funcionário descreveu a sessão como “simplesmente uma reunião de políticas”, do tipo que Trump e sua equipe realizam com frequência.
Já o Departamento de Estado americano informou separadamente que o Secretário de Estado, Marco Rubio, encontraria-se com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, em Washington.