Quatro brasileiros participantes de uma nova flotilha que pretendia levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza foram capturados por forças de Israel, de acordo com os organizadores da iniciativa. O grupo teria sido interceptado na quarta (29) em águas internacionais, nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia.
Entre os detidos está o ativista Thiago Ávila, que já foi preso por militares israelenses em outras duas iniciativas semelhantes. Em uma das ocasiões, familiares denunciaram maus-tratos e afirmaram que o brasileiro recebeu ameaças e foi colocado em uma solitária. Na missão mais recente, ele integrava o comitê diretor internacional da flotilha, ainda de acordo com a organização.
Além de Ávila, os outros brasileiros detidos por Israel são Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério. Todos participavam da missão da Global Sumud Flotilla, que havia partido de Catânia, na Itália, no último domingo (26), com destino ao território palestino.
Amanda Marzall, também conhecida como Mandi Coelho, é militante do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo. Leandro Lanfredi é petroleiro da Transpetro, diretor do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros. Já Thainara Rogério possui dupla nacionalidade brasileira e espanhola e estava em um barco com delegação catalã.
Os organizadores foram informados de que os brasileiros estavam sendo levados em um navio da Marinha israelense para o porto de Ashdod, no sul de Israel. Não há informações atualizadas sobre o paradeiro nem estado de saúde deles.
Ainda segundo a Global Sumud Flotilla, a prisão é ilegal e representa um agravamento “perigoso e sem precedentes” nas ações de Israel para além de suas fronteiras. Segundo a organização, as interceptações ocorreram em águas internacionais, o que, em sua avaliação, viola normas do direito internacional.
Os responsáveis pela flotilha também afirmam que houve uso de força durante a abordagem. Mencionam também danos a embarcações e bloqueio deliberado de sistemas de comunicação. Em um dos episódios descritos, participantes teriam sido detidos enquanto outros ativistas permaneceram em barcos avariados e sem energia apesar da aproximação de uma tempestade.
Outros brasileiros participam da ação, mas não foram capturados. Lisi Proença, coordenadora da Global Sumud Brasil, desembarcou na Sicília para atuar na equipe de apoio em terra. Ariadne Teles, também coordenadora da organização no Brasil, não embarcou na saída da flotilha da Itália pelo mesmo motivo.
Já Beatriz Moreira de Oliveira, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens, permanece a bordo de uma embarcação que conseguiu evitar a interceptação e entrou em águas territoriais gregas.
A flotilha reúne cerca de 30 barcos que, segundo os relatos, estão atualmente na costa da Grécia. Mais de 180 ativistas participavam da iniciativa. Ainda de acordo com os organizadores, uma eventual ação militar na região poderia gerar um incidente diplomático com o governo grego, conforme as normas do direito internacional. O país europeu disse não ter sido notificado da ação israelense.




