Tropas israelenses tomaram o Castelo de Beaufort, de 900 anos, no sul do Líbano, afirmou o Exército israelense neste domingo (31), em um avanço significativo contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, apesar do cessar-fogo anunciado há mais de seis semanas.
A ação, que tomou também a crista rochosa do castelo, ocorreu após um dos dias mais intensos de disparos do Hezbollah em direção ao norte de Israel desde o cessar-fogo de abril, o que provocou o fechamento de escolas e restrições.
A operação, segundo o Exército, teve como foco estabelecer o controle da crista de Beaufort e da área de Wadi al-Saluki, além de enfraquecer o Hezbollah e sua infraestrutura, estabelecida sob orientação iraniana.
O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu definiu a captura de Beaufort como uma “mudança drástica” na ofensiva do Líbano.
Um soldado israelense foi morto, informou o Exército. Não houve comentários imediatos do Líbano ou do Hezbollah.
A captura do castelo medieval e da crista amplia a presença de Israel no Líbano, enquanto a frente militar permanece ativa, mesmo com um cessar-fogo paralelo em vigor na guerra mais ampla contra o Irã.
Também neste domingo, o Exército israelense alertou os civis libaneses que vivem ao sul do rio Zahrani para que deixem a região, avisando que as operações contra o Hezbollah serão intensificadas no local.
“Moradores do sul do Líbano, vocês devem se deslocar imediatamente para o norte do Zahrani”, publicou nas redes sociais o porta-voz em árabe da corporação, Avichay Adraee.
O Hezbollah entrou na guerra dos EUA e Israel contra o Irã disparando foguetes e drones contra Israel no dia 2 de março, dias após o início do conflito com o Irã. Israel passou a tentar afastar o grupo apoiado pelo Irã de sua fronteira norte.
O avanço até o Castelo de Beaufort concedeu às tropas israelenses um ponto de observação sobre grande parte do sul do Líbano e do norte de Israel, de onde ataques foram lançados contra áreas residenciais israelenses.
O Hezbollah “realizou numerosos ataques” a partir da crista, disse o Exército, acrescentando que suas tropas estavam operando contra a infraestrutura de lançamento na área, de onde “centenas de projéteis foram disparados contra civis israelenses e soldados das IDF [Forças de Defesa de Israel]”.
Tropas israelenses também estavam operando perto de Nabatieh, importante reduto do Hezbollah no sul do Líbano, informou o Exército.
Após a tomada do castelo medieval de Beaufort, a França solicitou neste domingo uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse o ministro das Relações Exteriores francês.
“Embora reconheçamos o direito de Israel, como o de todos os países, à autodefesa (…), nada pode justificar a continuação das operações militares israelenses no Líbano e sua ocupação cada vez mais profunda do território libanês”, disse Jean-Noel Barrot.




