Forças israelenses avançaram no sul do Líbano nesta segunda-feira (9), invadindo novos territórios como parte de um esforço declarado de expandir uma zona tampão controlada por Tel Aviv. O país intensifica sua campanha contra o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã.
Caças israelenses também bombardearam os bairros ao sul de Beirute, a capital libanesa, provocando enormes explosões que ecoaram por toda a cidade. No início desta segunda, Israel havia ameaçado começar a atacar locais afiliados ao al-Qard al-Hasan, o banco do Hezbollah.
Forças terrestres israelenses começaram a invadir uma área próxima à fronteira com o Líbano, disse o exército em um comunicado, após avançar na região fronteiriça nos últimos dias e tomar novos locais dentro do território libanês.
Quase 400 pessoas foram mortas, incluindo mais de 80 crianças, no conflito no Líbano até domingo, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. Edouard Beigbeder, diretor regional do Unicef, a agência das Nações Unidas para a infância, chamou o número de mortos de “um testemunho contundente do impacto que o conflito está causando nas crianças”.
O exército israelense disse no domingo que havia matado mais de 190 combatentes, sem comentar sobre o restante dos mortos.
O conflito eclodiu na semana passada, quando o Hezbollah lançou um ataque com foguetes contra Israel, em retaliação pela morte do aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques iniciais da guerra entre EUA e Israel contra o Irã. Desde então, o exército israelense iniciou uma campanha militar que se expande por todo o Líbano.
O parlamento do Líbano anunciou na segunda-feira que adiaria por dois anos as eleições legislativas que estavam marcadas para maio por causa do conflito. O governo libanês tem enfrentado considerável pressão para desarmar o Hezbollah, que também é um partido político enraizado e um movimento social.
O Hezbollah está enfrentando crescente frustração pública em casa, onde alguns libaneses dizem que foram arrastados involuntariamente para um confronto perigoso e mortal com Israel sem nenhum benefício claro.
Analistas afirmam que as ações israelenses podem sinalizar que uma invasão terrestre mais ampla no Líbano está em andamento. O exército israelense convocou cerca de 100 mil soldados reservistas como parte da guerra contra o Irã, alguns dos quais foram enviados para a fronteira norte.
O tenente-coronel Nadav Shoshani, porta-voz do exército israelense, descartou essa possibilidade. “Isso faz parte de nossa postura de defesa avançada. É uma medida para garantir que nossas tropas nessas posições estejam seguras”, disse Shoshani a repórteres na segunda-feira.




