Itália: grupos de fotos íntimas expõem violência à mulher – 30/08/2025 – Mundo

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São dias agitados para quem trabalha no combate à violência online contra a mulher na Itália. Dois grupos com fotos de mulheres publicadas sem consentimento, acompanhadas de comentários ofensivos, emergiram de cantos sombrios da internet e viraram alvos da polícia e da opinião pública.

Entre as vítimas, há tanto anônimas quanto atrizes e políticas. Foram identificadas fotos tiradas escondidas, em ambientes privados e públicos, e casos em que imagens foram distorcidas, com zoom em decotes e pernas ou montagem de rostos em corpos nus.

Um dos casos envolveu a primeira-ministra Giorgia Meloni, que se manifestou nesta sexta-feira (29). “Estou enojada e quero expressar minha solidariedade às mulheres que foram ofendidas e violadas em suas intimidades”, disse Meloni ao jornal Corriere della Sera. “É deprimente constatar que, em 2025, ainda exista quem considere normal pisotear a dignidade de uma mulher, com insultos sexistas e vulgares, escondendo-se atrás do anonimato ou do teclado.”

Os casos vieram à tona no último dia 19, quando uma escritora denunciou no Instagram a existência no Facebook do grupo Mia Moglie (minha mulher), com 32 mil inscritos. Nele, os participantes compartilhavam sem consentimento fotos íntimas de mulheres, apresentadas como suas parceiras, e convidavam os demais a comentar sobre o aspecto físico delas. Um dia depois, o grupo foi derrubado pela Meta, que controla o Facebook.

O debate esquentou ainda mais nos dias seguintes, depois que o site Phica entrou na mira. Criado em 2005, contava com cerca de 700 mil inscritos em fóruns de compartilhamento de fotos de anônimas e de famosas, algumas reproduzidas das redes sociais das vítimas, outras deturpadas digitalmente. Foi nele que foram publicadas imagens de Meloni na praia. Com a repercussão, o site foi tirado do ar pelos proprietários.

As reações têm sido comparadas com o debate gerado na França pelo caso Gisèle Pelicot, que foi sedada e oferecida pelo marido para que outros homens a estuprassem. Dominique Pelicot, condenado a 20 anos de prisão, tornou-se alvo da polícia quando foi flagrado fotografando debaixo da saia de mulheres num mercado. Durante a investigação em seus aparelhos, foram descobertos os vídeos de abusos em Gisèle.

A Polícia Postal, autoridade italiana que cuida de crimes online, calculou que, em menos de uma semana, foram recebidas cerca de 3.000 queixas ligadas somente ao grupo Mia Moglie.

“Foram milhares de reclamações, mas poucas denúncias até o momento”, diz à Folha Alessandra Belardini, dirigente do Centro Operacional de Segurança Cibernética da Polícia Postal do Lácio, região onde fica Roma. O órgão tem pedido que as vítimas apresentem formalmente a denúncia, porque é a partir disso que a investigação poderá avançar.

Um dos principais crimes cometidos no grupo Mia Moglie é o compartilhamento não consensual de material íntimo, introduzido no Código Penal em 2019. A pena pode chegar a seis anos de prisão e multa de até € 15 mil (R$ 95 mil). Outros crimes possíveis são difamação e perseguição (stalking). Já a reprodução sem alteração de imagens publicadas em redes sociais ou sites entra no campo de violação de privacidade, mas não é considerada crime.

Segundo E.B., criminologista da Associação Permesso Negato, especializada no combate à violência online e no apoio às vítimas, a procura de mulheres pela entidade aumentou muito nos últimos dias. Ela diz que muitas delas se deram conta de que esse tipo de crime virtual é muito mais disseminado do que pensavam, e o Mia Moglie não é um caso isolado. Criada em 2019, a associação diz que, na Itália, 90% dos casos de violência online têm mulheres como vítimas.

A solução, dizem as especialistas, passa pela educação, tanto do ponto de vista do comportamento digital quanto do sexual-afetivo. “É preciso que haja educação digital nas escolas sobre o uso responsável da privacidade e da intimidade”, diz Belardini, da Polícia Postal.



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