
Entre a terça-feira e as primeiras horas de quarta-feira, várias áreas da capital libanesa, Beirute, sofreram com ataques de Israel. Segundo a ONU, a quinta parte de libaneses já está deslocada no país, um número subindo a cada instante.
A ONU News conversou com a chefe do Escritório de Campo do Acnur em Zahle, Raquel Trabazo. Ela esteve no Vale do Becá, um dos locais com forte presença de brasileiros na fronteira com a Síria.
“Eu acho que o estado de espírito geral é de bastante medo, em primeiro lugar, e sofrimento caminhando para a raiva. Realmente, a gente está falando de uma situação de magnitude e velocidade também sem precedentes aqui no Líbano. Faz apenas pouco mais de duas semanas que a guerra se escalou e já temos mais de 1 milhão de pessoas deslocadas, forçadas a abandonar suas casas.”
Unicef/UNI179012/Alessio Romenzi
Entre as pessoas deslocadas estão 367 mil menores
No terreno, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, atuando com parceiros em locais de abrigo coletivo distribuindo milhares de colchões, esteiras, cobertores, lanternas a energia solar e outros suprimentos em todas as províncias.
A funcionária humanitária contou que as mais recentes operações levaram famílias e crianças a fugir várias vezes de suas casas, tomadas pelo medo, e a buscar refúgio em abrigos superlotados.
“Esse número só aumenta a cada hora. Isso já representa praticamente 20% da população do Líbano inteira deslocada, ou seja, eles tiveram que deixar tudo para trás para buscar segurança em outro lugar do país. E é importante destacar que tudo isso está acontecendo um pouco mais de um ano da última grande guerra, então o que a gente vê hoje são pessoas que estão no seu segundo, terceiro ciclo de deslocamento forçado, às vezes voltando para os mesmos abrigos que a recolheram elas em 2024 e quase que dificilmente já curadas dos traumas daquele momento.”
No terreno, as necessidades crescentes incluem assistência médica, apoio psicossocial, nutricional, água potável e auxílio de emergência a crianças e famílias em situação de necessidade.
Entre as pessoas deslocadas estão 367 mil menores representando quase um terço do total de pessoas em movimento.
A ONU informou que um edifício de vários andares foi atingido na sequência dos ataques que causaram o desabamento de um edifício no bairro de Bashoura. Áreas residenciais nos bairros de Zoqaq al-Blat e Basta também foram atingidas.
Os ataques contra pessoal que prestam de assistência à saúde continuam. As autoridades relataram danos significativos causados em três hospitais do governo devido aos ataques israelenses, nos quais foram feridos profissionais de saúde.
*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.
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