Líderes tropeçam em guerras sem saída por vaidade – 23/07/2026 – Thomas L. Friedman

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Donald Trump, Binyamin Netanyahu e Vladimir Putin são homens drasticamente diferentes, mas têm uma coisa importante em comum: cada um acredita ser a pessoa mais inteligente em qualquer sala em que entra.

Infelizmente, porém, como todos cometeram o erro mais estúpido que um líder pode cometer —cercar-se de bajuladores—, todos tropeçaram em guerras sem saída das quais só podem se livrar hoje engolindo um banquete de sapos.

Fique atento. Não há nada mais perigoso do que um líder imprudente diante de um prato de sapos: às vezes, seu instinto é dobrar a aposta em uma estratégia perdedora.

Comecemos pelo primeiro-ministro israelense. O sinal de que Bibi perdeu o rumo —e levou consigo a liderança da famosa agência de inteligência israelense, o Mossad— se reflete em duas decisões absolutamente insanas que ele tomou: a primeira é que Israel poderia derrubar o regime de Teerã com um grande golpe aéreo, e a segunda era que poderia escolher o novo líder do Irã.

O Mossad é muito bom em caçar e matar os inimigos de Israel, em grande parte porque é muito habilidoso em recrutar cidadãos descontentes no Líbano, no Irã, na Cisjordânia e em outras partes do mundo árabe —ou seja, pessoas que odeiam seus regimes e estão dispostas a trabalhar com Tel Aviv para derrubá-los.

O problema é que esses mesmos agentes, motivados por ressentimento ou dinheiro, tendem a exagerar o quão fraco é seu regime e o quão fácil seria derrubá-lo.

Eles querem que Israel faça o trabalho sujo por eles. O resultado é que um ingênuo como Trump, que não conhece história nenhuma, presume que, como o Mossad é bom em assassinar pessoas, é igualmente bom em prever o que acontecerá na manhã seguinte à morte delas.

Isso explica por que, após a reunião na Casa Branca em fevereiro, quando Netanyahu e o então diretor do Mossad, David Barnea, essencialmente argumentaram que, se Israel e os Estados Unidos assassinassem os principais líderes do Irã, o regime cairia e pessoas moderadas assumiriam, Trump não os expulsou da sala às gargalhadas.

O presidente aparentemente presumiu que, como o Mossad tinha superpoderes de assassinato, também tinha superpoderes analíticos e, portanto, o Irã cairia em seu colo da mesma forma que a Venezuela quando os EUA capturaram seu ditador, Nicolás Maduro.

Como meus colegas Maggie Haberman e Jonathan Swan relataram em seu livro imperdível, “Regime Change”, o diretor da CIA, John Ratcliffe, usou uma palavra para descrever os cenários de mudança de regime no Irã de Netanyahu: “farsescos”. Trump, confiante de que sabia mais, ignorou-o e aos outros —e vem pagando o preço desde então.

O sinal ainda maior de que tanto Netanyahu quanto sua agência de inteligência ficaram embriagados de poder foi outra história incrível que o New York Times descobriu: que o Mossad estava preparando o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para assumir o Irã após o regime do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, ser eliminado.

Como meus colegas relataram: “A decisão de Israel de construir um plano de mudança de regime em torno de Ahmadinejad é uma reviravolta extraordinária na saga das relações do país com o ex-presidente, que era conhecido por acelerar o programa nuclear do Irã, pedir regularmente a destruição de Israel e negar o Holocausto“.

A pura loucura de Israel pensar que poderia instalar Ahmadinejad —e que o corpo político iraniano não o rejeitaria da mesma forma que um corpo humano rejeita um transplante de órgão— é insana.

Netanyahu e o Mossad realmente acharam que iranianos orgulhosos e nacionalistas, mesmo aqueles que odeiam os clérigos que os governam, diriam: “Ah, obrigado, Bibi, por instalar nosso próximo líder”? A vaidade e o excesso de ambição em pensar que 7,2 milhões de judeus israelenses poderiam decidir quem governaria mais de 90 milhões de muçulmanos iranianos é espantosa.

Trump e Netanyahu estão em boa companhia com Putin, que bebeu de seu próprio veneno ao presumir que os ucranianos estavam todos morrendo de vontade de fazer parte da Mãe Rússia novamente e que o governo democraticamente eleito em Kiev cairia facilmente.

“O erro mais fundamental de Putin foi acreditar em sua própria narrativa de que ucranianos e russos eram ‘um só povo’ e que a independência ucraniana era meramente uma construção artificial do Ocidente”, observou Robbin Laird, analista militar, no ano passado. “Esse ponto cego ideológico o levou a esperar que as forças russas seriam recebidas como libertadoras.”

Em um eco perfeito do que aconteceu no Irã, a inteligência russa parece ter confiado demais “em fontes pró-Putin que diziam a Moscou o que ela queria ouvir”, disse Laird, “em vez de fornecer informações precisas sobre o sentimento e as capacidades ucranianas”.

Netanyahu, apesar de todas as suas vitórias táticas sobre o Hamas, o Hezbollah e Teerã, não converteu nenhuma delas em uma nova realidade estratégica para Israel. Isso exigiria que ele deixasse claro que suas operações militares na Faixa de Gaza, no Líbano e no Irã tinham como objetivo tornar a região segura para uma paz israelense-palestina.

Em vez disso, o que o mundo inteiro vê é Netanyahu tentando tornar a região segura para uma anexação israelense da Cisjordânia, e estando pronto para jogar fora todo o resto —normalização com a Arábia Saudita, o apoio de muitos jovens americanos, o apoio do Partido Democrata, o apoio da Europa Ocidental e a independência do Judiciário de Israel— para consegui-lo.

Enquanto isso, Trump enfraqueceu e isolou os Estados Unidos ao escolher preguiçosamente invadir o Irã sem aliados, sem legitimação internacional e sem Plano B para eliminar a capacidade de Teerã de construir uma arma de destruição em massa.

Em vez disso, Trump permitiu que o Irã descobrisse duas armas de perturbação em massa incrivelmente baratas e eficazes: controlar o estreito de Hormuz e bombardear os aliados americanos no Golfo Pérsico quase toda vez que Trump bombardeia o Irã.

E Putin —em vez de fazer o trabalho árduo de transformar a Rússia em uma sociedade livre e aberta que os ucranianos realmente pudessem achar atraente— transformou o que era uma democracia russa frágil em um estado policial completo, com uma economia petrolífera vulnerável.

Hoje, Moscou não aparece em lugar nenhum na revolução da inteligência artificial. É como se os carros tivessem acabado de ser inventados e Putin dissesse que preferia investir em mais cavalos —e em sua fantasia do século 19 de uma Mãe Rússia unificada.

O que temos hoje são três líderes tentando bombardear seu caminho para fora de um beco sem saída.

Mas não nos esqueçamos dos líderes tortuosos, cínicos e incompetentes que lideram o Irã desde 1979. Eles também estão em seu próprio beco sem saída.

Em vez de empoderar sua população talentosa, os ditadores clericais do Irã escolheram se entrincheirar no poder por 47 anos fuzilando oponentes, enfiando o islamismo puritano goela abaixo de seu povo e desperdiçando bilhões de dólares tentando destruir Israel.

Resumindo, eventualmente todos esses conflitos terminarão em negociações, porque nenhum desses líderes pode sustentar suas guerras estúpidas indefinidamente. A única questão é quando eles terão que chamar o garçom e dizer: “Moço, você poderia me trazer um prato de sapos, por favor”.



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