Dois agentes da Polícia de Lisboa foram acusados de torturar imigrantes e moradores de rua e, posteriormente, compartilhar as imagens dos atos num chat online com outros policiais. As autoridades portuguesas anunciaram nesta sexta-feira (16) que o episódio desencadeou uma investigação mais ampla.
Os dois policiais, que foram detidos em julho de 2025 e permanecem em prisão preventiva, são acusados de tortura, atos de crueldade e abuso de poder, de acordo com a acusação assinada pela procuradora de Lisboa Felismina Franco.
A agência Reuters teve acesso ao documento. Um deles enfrenta ainda acusações de violação, roubo e falsificação.
O documento descreve um incidente em que os policiais espancaram durante várias horas um imigrante marroquino dentro de uma delegacia, obrigando-o a beijar suas botas enquanto um deles gritava em inglês: “Welcome to Portugal” (bem-vindo a Portugal).
“As vítimas eram sistematicamente escolhidas entre pessoas particularmente vulneráveis, fisicamente frágeis e economicamente carenciadas”, escreveu a procuradora. “Esta circunstância revela atos de violência pura e gratuita dirigidos contra aqueles que não eram capazes de oferecer resistência.”
O Ministério da Administração Interna disse à Reuters que “lamenta profundamente tal comportamento e todas as ações que infringem os direitos dos cidadãos”. A pasta diz ainda que o caso “não representa o comportamento geral dos profissionais da polícia”.
A Inspeção-Geral abriu um inquérito separado para investigar outros agentes da polícia.
A ONG Anistia Internacional afirma ter recebido informações sobre mais casos de tortura e diz que ao compartilhamento de imagens desses atos em chats e nas redes sociais “mostra um enorme sentimento de impunidade” por parte dos agentes.
A entidade de direitos humanos, por outro lado, celebrou o fato de os crimes terem sido denunciados por outros membros das forças de segurança.




