Los Angeles: Trump rompe tradição ao usar Guarda Nacional – 09/06/2025 – Mundo

Los Angeles: Trump rompe tradição ao usar Guarda Nacional -


Soldados da Guarda Nacional dos Estados Unidos escoltaram ativistas negros, em 1965, para proteger o direito de manifestação por mais igualdade. Seis décadas depois, a mesma força foi mobilizada pelo presidente Donald Trump também em um momento de tensão crescente, porém com objetivos bastante distintos: intimidar os manifestantes e coibir protestos contra as operações anti-imigração.

Como fez o democrata Lyndon B. Johnson, presidente de 1963 a 1969, Donald Trump decidiu recorrer a um dispositivo pouco utilizado, ainda que previsto na Constituição, para controlar as forças de segurança locais. No caso do republicano, ele determinou no sábado (7) o envio de 2.000 agentes da Guarda Nacional a Los Angeles, na Califórnia. Nesta segunda-feira (9), o Pentágono anunciou outros 2.000 homens, dobrando o contingente, além de 700 fuzileiros navais.

Foi a primeira vez desde 1965 que essa iniciativa ocorreu sem o aval do governador.

Mas a prerrogativa de Johnson para convocar a Guarda Nacional foi proteger os manifestantes, não afastá-los, como faz Trump. O democrata fez uso da medida após divergências com o então governador George Wallace, do Alabama, à época um dos mais proeminentes segregacionistas do país.

Os EUA atravessavam em 1965 um dos momentos mais críticos da luta pelos direitos civis. Embora a Constituição garantisse o direito ao voto, barreiras legais e intimidações físicas continuavam impedindo que parte da população negra, especialmente em estados no sul do país, exercesse esse direito.

No estado do Alabama, as desigualdades eram evidentes, e a cidade de Selma se tornou um dos centros da resistência. Manifestantes, liderados por ativistas como Martin Luther King Jr., passaram a organizar marchas e outros protestos para exigir o fim da repressão e a garantia do direito ao voto.

O estopim para uma resposta nacional veio em 7 de março de 1965, em episódio que ficou conhecido como “Domingo Sangrento”. Naquele dia, cerca de 600 manifestantes partiram de Selma com o objetivo de marchar até Montgomery, a capital do estado. Ao tentarem atravessar uma ponte, eles foram atacados por policiais com cassetetes e atingidos por gás lacrimogêneo. As imagens da violência, transmitidas pela televisão, chocaram o país e causaram comoção que pressionou o governo federal a agir.

Diante da gravidade da situação, Johnson se dirigiu ao Congresso no dia 15 de março e fez um dos discursos mais emblemáticos de sua Presidência. Ele reafirmou o compromisso com os direitos civis e, ao final, mencionou um dos lemas dos manifestantes: “We shall overcome” (“Nós vamos superar”).

Johnson também decidiu mobilizar soldados para garantir a segurança de uma nova marcha, autorizada pela Justiça, de Selma a Montgomery. A presença das tropas foi apontada como fundamental para que cerca de 25 mil pessoas pudessem concluir o trajeto de forma pacífica.

Na época, Johnson disse que a decisão de convocar a Guarda foi uma forma de garantir os direitos dos cidadãos americanos de “caminhar em paz e segurança, sem ferimentos ou perda de vidas”.

A repercussão da marcha e a firme atuação do governo federal contribuíram para a aprovação da Lei dos Direitos de Voto em agosto daquele mesmo ano. A nova legislação proibiu práticas apontadas como discriminatórias como testes de alfabetização, impostos para votação e outras barreiras usadas para impedir o registro de eleitores negros.

A Guarda Nacional é uma força militar de reserva geralmente acionada em emergências como desastres naturais e, ocasionalmente, em distúrbios civis —quase sempre com o aval das autoridades locais.

Em 2006, por exemplo, após o furacão Katrina, o então presidente George W. Bush optou por não acionar a Guarda Nacional na Louisiana porque a governadora, a democrata Kathleen Blanco, opôs-se à medida.

Trump, por sua vez, tem agido de forma conflituosa com o governador da Califórnia, Gavin Newsom, do Partido Democrata, e chegou a apoiar a prisão do adversário, hipótese levantada por um membro de seu governo.



Fonte CNN BRASIL

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