Lula: Israel faz vitimismo e comete genocídio em Gaza – 03/06/2025 – Mundo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (3), em entrevista coletiva em Brasília, que há um genocídio na Faixa de Gaza e que os defensores de Israel precisam parar de vitimismo.

“Você não pode, a pretexto de encontrar alguém, matar mulheres e crianças, deixar crianças com fome”, disse o presidente brasileiro. O governo israelense mantém ações militares em Gaza sob o argumento de buscar integrantes e lideranças do Hamas e destruir o grupo terrorista.

“O que está acontecendo em Gaza não é uma guerra. É um Exército matando mulheres e crianças”, declarou Lula. “Exatamente por conta do que o povo judeu sofreu na sua história que o governo de Israel deveria ter bom senso e humanismo no trato com o povo palestino”, disse o presidente brasileiro.

“E vem dizer que é antissemitismo? Precisa parar com esse vitimismo. Precisa parar com esse vitimismo e saber o seguinte: o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio”, disse o petista, marcando as sílabas da palavra genocídio.

Lula embarca para a Europa ainda nesta terça-feira, onde fará uma visita de Estado à França. Ele disse que discutirá o “massacre do Exército de Israel à Faixa de Gaza” com o presidente francês, Emmanuel Macron. Também estará na pauta o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

“Certamente vamos discutir a guerra da Rússia e da Ucrânia. Certamente vamos discutir o massacre do Exército de Israel à faixa de Gaza. Certamente vamos discutir o acordo União Europeia-Mercosul. Certamente vamos discutir coisas na área da Defesa, porque temos uma parceria na área do submarino nuclear“, declarou Lula.

Aliada histórica de Israel, a França tem subido o tom de críticas a Tel Aviv em meio à retomada caótica de entrada e distribuição de ajuda humanitária no território palestino, inclusive pelo reconhecimento oficial de um Estado palestino. “Não é simplesmente um dever moral, mas uma exigência política”, afirmou Macron sobre o assunto na semana passada.

O Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa, confirmou que os presidentes vão falar de Gaza e informou que possivelmente haverá uma declaração conjunta sobre o assunto. Não mencionou, porém, o acordo UE-Mercosul entre os temas a serem tratados pelos dois presidentes, em um briefing (reunião informativa) com a imprensa local e estrangeira.

Questionado pela Folha sobre a omissão, a assessoria do Eliseu respondeu que o governo francês teve a oportunidade de apresentar sua posição em várias ocasiões: “Que o acordo não é aceitável no estado atual.

“Resta saber se a parte brasileira deseja trocar ideias sobre o assunto, mas já houve muitos diálogos com o presidente durante visitas anteriores para apresentar nossa posição, que não mudou”, afirmou.

O presidente também afirmou que tentará vender o “bom momento do Brasil” a empresários franceses para tentar atrair investimentos.


Lula é próximo de Macron, que já visitou o Brasil durante o governo do petista. Além disso, o francês recebeu o político brasileiro em Paris quando o petista ainda não era presidente da República.

Ele terá compromissos oficiais no território francês de 4 a 9 de junho. Nesse período, a Torre Eiffel deverá ser iluminada com as cores do Brasil, uma demonstração de prestígio. Trata-se da primeira visita de Estado de um presidente brasileiro à França em 13 anos —a última foi feita por Dilma Rousseff, em 2012.

O primeiro compromisso de Lula em Paris, nesta quarta (4), será a cerimônia oficial de recepção no Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, local tradicional de eventos militares e desfiles na França, de acordo com o governo brasileiro. Em seguida, o presidente terá um encontro com Macron no Palácio do Eliseu, a sede do governo francês. A reunião contará com a participação das delegações dos dois países e será seguida por uma cerimônia de assinatura de atos.

Ao todo, Lula e Macron devem assinar 20 atos bilaterais, incluindo acordos de cooperação nas áreas de vacinas, de segurança pública, de educação e de ciência e tecnologia, segundo a Agência Brasil.

A agenda inclui outros compromissos com simbolismo político e diplomático, como a visita à sede da Interpol, em Lyon, no dia 9 —a organização internacional de polícia atualmente é comandada por um brasileiro. Inicialmente estava prevista na agenda, no dia 7, a ida à base naval de Toulon, onde são fabricados submarinos nucleares. O evento, porém, foi retirado da programação, ainda sem explicações por parte do Itamaraty e do Palácio do Eliseu.

Lula será homenageado em uma sessão especial da Academia Francesa, no dia 5. No dia seguinte, ele também visitará, no Grand Palais — tradicional pavilhão de exposições de Paris—, uma mostra dedicada ao Ano do Brasil na França. Também deverá receber o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8, onde lecionaram intelectuais como o filósofo Michel Foucault e o psicanalista Jacques Lacan.

A agenda ambiental também está contemplada, com a inauguração de uma “floresta urbana” em frente à prefeitura de Paris, no dia 5, e a participação de Lula na Conferência das Nações Unidas sobre o oceano, que será realizada em Nice, no litoral mediterrâneo, no dia 9.

Principais compromissos de Lula na França

4.jun Lula participa de cerimônia oficial de recepção no Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, em Paris; em seguida, o presidente brasileiro encontra Macron no Palácio do Eliseu para assinatura de atos e participa da inauguração de uma “floresta urbana” em frente à prefeitura

5.jun Líder petista deverá receber homenagens em sessão especial da Academia Francesa;

6.jun – Lula deverá receber o título de doutor honoris causa da Universidade Paris 8, onde lecionaram intelectuais como Michel Foucault e Jacques Lacan; ele também visitará uma mostra dedicada ao Ano do Brasil na França

8.jun – Lula foi convidado para participar de evento em Mônaco sobre a economia, com enfoque na questão da utilização econômica e mobilização de financiamento para a conservação dos oceanos;

9.jun Presidente vai a Nice para participar da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos;



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