O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ligou para o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sua homóloga mexicana, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, nesta quinta-feira (8) para tratar da crise na Venezuela, atacada pelos Estados Unidos no último sábado (3). Nas três ligações, os líderes falaram sobre defesa do direito internacional. A operação americana contra Caracas terminou com a captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, hoje em Nova York.
Lula e Petro manifestaram preocupação com o uso da força contra um país sul-americano em violação da Carta das Nações Unidas e da soberania venezuelana. De acordo com o governo brasileiro, os dois presidentes destacaram que essas ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional.
A Colômbia foi ameaçada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pouco depois do ataque à Venezuela. Após isso, Trump e Petro se falaram por telefone na quarta (7), conversa na qual Petro explicou “a situação das drogas e “outros desentendimentos”, segundo publicação de Trump.
Petro e Lula concordaram que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, da “negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano.”
“Saudaram, nesse sentido, o anúncio feito na tarde desta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela de liberação de presos nacionais e estrangeiros”, diz nota do governo brasileiro.
O presidente Lula também informou que, a pedido da Venezuela, está enviando 40 toneladas de insumos e medicamentos, de um total de 300 toneladas já arrecadadas, para reabastecer o estoque de produtos e soluções para diálise que estavam em um centro de abastecimento atingido pelos bombardeios americanos.
A informação foi antecipada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que informou sobre a vinda de um avião venezuelano a Guarulhos para buscar os insumos na sexta-feira (9).
Brasil e Colômbia reafirmaram sua intenção de seguir cooperando em prol da paz e da estabilidade na Venezuela, país com o qual compartilham fronteiras. Ainda na ligação, os dois recordaram os contingentes de migrantes venezuelanos que os dois países têm acolhido nos últimos anos.
Lula também conversou por telefone com a mexicana Claudia Sheinbaum. “Os dois líderes rejeitaram qualquer visão que possa implicar na divisão ultrapassada do mundo em zonas de influência”, afirma o comunicado da Presidência.
Sheinbaum, que também já foi ameaçada por Trump, manifestou interesse, assim como Lula, em seguir cooperando com a Venezuela “em favor da paz, do diálogo e da estabilidade do país e da região”. O brasileiro a convidou para uma visita ao Brasil, que ainda não tem data para ocorrer.
Com o mesmo contexto das conversas com os líderes latinos, Lula falou com o canadense Mark Carney. “Ambos condenaram o uso da força sem amparo na Carta das Nações Unidas e no direito internacional”, diz o comunicado do governo brasileiro.
Segundo o Planalto, Carney aceitou um convite para visitar o Brasil em abril deste ano, em um encontro que visa “aprofundar as relações bilaterais e o comércio entre os dois países”. Não somente, os líderes “manifestaram forte interesse em avançar de forma acelerada na negociação de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá”.




