Japão e França concordaram em coordenar esforços para pressionar pelo fim da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã e para garantir a reabertura do estreito de Hormuz, principal rota de navios-tanque de petróleo e gás que está bloqueado pelo Irã desde o início do conflito. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (1º) pela primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
“Como a situação internacional é tão desafiadora, acredito que seja de grande importância que os líderes do Japão e da França aprofundem seus laços pessoais e tornem nossa cooperação ainda mais forte”, afirmou Takaichi após conversas com o presidente francês Emmanuel Macron em Tóquio sobre segurança e cooperação industrial.
Com o conflito no Oriente Médio em sua quinta semana, Japão, França e outros países enfrentam custos crescentes de energia. A menos que o estreito de Hormuz seja reaberto, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, podem ocorrer escassez de derivados de petróleo.
O Japão, que normalmente obtém cerca de 90% de seu petróleo do Oriente Médio, começou a utilizar suas reservas estratégicas para amortecer o impacto econômico.
Falando ao lado de Takaichi, Macron disse que compartilha a posição japonesa sobre a necessidade de restaurar a liberdade de navegação no estreito. A França manteve conversas com dezenas de países para avaliar propostas de uma missão de reabertura da via navegável assim que o conflito terminar. O Japão poderia considerar o envio de caça-minas, embora qualquer ação seja limitada por sua Constituição pacifista.
Os dois líderes também anunciaram que buscarão laços de segurança mais estreitos no Indo-Pacífico e assinaram acordos de cooperação em cadeias de suprimentos de minerais críticos, tecnologia nuclear civil e inteligência artificial.
Nesta quarta, o Financial Times relatou que a Casa Branca ameaçou interromper o fornecimento de armas à Ucrânia para pressionar aliados europeus a integrar uma coalizão destinada a reabrir o estreito de Hormuz.
O presidente americano exigiu que as marinhas da Otan ajudassem a liberar a passagem em março, mas foi rejeitado pelas capitais europeias, que consideraram arriscado se envolver diretamente no conflito.
Três autoridades disseram que Trump respondeu ameaçando suspender a contribuição americana ao PURL, programa de aquisição de armas da Otan para a Ucrânia financiado por países europeus. Em seguida, a pedido do secretário-geral da aliança, Mark Rutte, um grupo de países, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, divulgou em 19 de março uma declaração conjunta afirmando estar disposto a contribuir para esforços de garantir a passagem segura pelo estreito de Hormuz.
Nesta quinta-feira (2), o Exército iraniano prometeu ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel, em resposta à ameaça de Trump de bombardear o país nas próximas semanas. “Esta guerra continuará até a humilhação, arrependimento e rendição do inimigo”, disse o comandante operacional Khatam al-Anbiya à TV estatal, acrescentando que centros estratégicos de produção militar não foram destruídos.
Horas depois, Trump publicou em sua rede Truth Social um vídeo de dez segundos mostrando uma ponte em chamas e afirmando: “A maior ponte do Irã vem abaixo para nunca mais ser usada —muito mais virá! É hora do Irã fazer um acordo antes que seja tarde demais”.




