O presidente da França, Emmanuel Macron, viajará na noite desta terça-feira (21) para o arquipélago da Nova Caledônia, território ultramarino francês no Pacífico sob intensos protestos de grupos pró-independência que já deixaram ao menos seis mortos. A porta-voz do governo, Prisca Thevenot, não forneceu detalhes da agenda de Macron nem a duração de sua estada.
Após os distúrbios, os piores desde a década de 1980, a França declarou estado de emergência no dia 15. Em seguida, policiais franceses foram enviados ao território para conter os manifestantes e reforçar a segurança de prédios públicos. Thevenot declarou que “o retorno à ordem era a condição prévia para qualquer diálogo”.
O aeroporto internacional da capital, Noumea, permanecerá fechado para voos comerciais até sábado (25).
As manifestações começaram no último dia 14, logo após a Assembleia Nacional da França aprovar uma emenda constitucional alterando a legislação eleitoral da Nova Caledônia. O texto ainda precisa passar por uma sessão conjunta do Parlamento, mas ativistas pró-independência da etnia indígena Kanak dizem que a medida vai enfraquecer seus direitos políticos.
Isso porque a emenda derruba o congelamento do eleitorado estipulado por um acordo de 1998 assinado entre Paris e movimentos armados independentistas para encerrar os conflitos à época. Por esse pacto, o direito de voto nas eleições locais não mudaria para refletir mudanças populacionais, excluindo quem chegou ao arquipélago depois de 1998 —um grupo que hoje representa 20% da população.
Com o fim do congelamento, há uma estimativa de que 25 mil pessoas vão passar a ter direito a voto —a maior parte delas, vindas da França metropolitana. Isso poderia alterar radicalmente a composição do governo local, que é liderado por partidos Kanak pró-independência. Toda a população já pode votar igualmente para presidente da França, Parlamento e Parlamento da União Europeia.
Macron já tinha dito que não assinaria imediatamente a lei aprovada na Assembleia, mas afirmou que um novo acordo precisa ser negociado entre o governo e os representantes dos Kanaks até o fim de junho.




