O manifestante iraniano Erfan Soltani, 26, foi libertado sob fiança neste domingo (1º), de acordo com seu advogado. Não foram divulgados detalhes sobre o valor ou as condições da fiança. A soltura ocorre após alertas dos Estados Unidos de que ele corria risco de execução e ameaças de Donald Trump de ação militar no país caso qualquer manifestante contrário ao regime fosse executado por Teerã.
Soltani foi preso no último dia 8 na cidade de Karaj, nos arredores da capital iraniana, após participação na onda de protestos que se espalhou pelo país. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, ele foi acusado de propaganda contra o regime teocrático do Irã e de agir contra a segurança nacional.
O grupo de direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, e o governo dos Estados Unidos haviam informado que Soltani seria executado no dia 14 deste mês. Seria a primeira execução desde o início dos atos em dezembro. Um dia depois, no entanto, o Poder Judiciário do Irã informou que o manifestante não foi condenado à pena de morte.
Após a resposta mortal das autoridades iranianas aos protestos, Trump ameaçou recorrer à força militar e ordenou o envio de um grupo de porta-aviões ao Oriente Médio. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou neste domingo que eventuais ataques dos EUA contra o país desencadearão um conflito regional. “Os americanos devem saber que se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, disse, aplaudido por apoiadores que gritavam “morte à América”.
Os protestos no Irã começaram em dezembro e se transformaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação, em 1979. O regime respondeu com uma brutal repressão. Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 6.000 vítimas, enquanto Teerã admitiu que 3.000 pessoas morreram durante as manifestações.
A Presidência do Irã publicou também neste domingo uma lista com 2.986 nomes dos 3.117 que as autoridades disseram terem sido mortos nos distúrbios. Do total, 131 ainda não foram identificados, mas o regime diz que mais detalhes serão divulgados em breve.
Em uma entrevista à CNN , o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou temer “erros de cálculo” que possam levar a uma escalada do conflito, mas disse acreditar que Trump seja “sábio o suficiente para tomar a decisão correta”.
Ele disse que o Irã perdeu a confiança nos Estados Unidos como parceiro de negociação e que alguns países da região estavam atuando como intermediários para reconstruir a confiança.
“Então, vejo a possibilidade de outra conversa se a equipe de negociação dos EUA seguir o que o presidente Trump disse: chegar a um acordo justo e equitativo para garantir que não haja armas nucleares”, acrescentou.



