Meu encontro com Sir Bobby Charlton, ‘o artista de 1966’ – 25/10/2023 – O Mundo É uma Bola

Meu encontro com Sir Bobby Charlton, 'o artista de 1966'


Robert “Bobby” Charlton, que padecia desde 2020 com um quadro de demência, morreu no sábado (21), aos 86 anos.

O jornal inglês “The Independent” o classificou como o melhor futebolista que o país teve, assim titulando a sua morte: “Sir Bobby Charlton: o maior jogador de todos os tempos da Inglaterra e o artista de 1966”.

O ano alude ao em que os ingleses, jogando em casa, conquistaram sua única Copa do Mundo, tendo como destaques o meia-atacante Bobby Charlton, outro Bobby, Moore (capitão e zagueiro), e o atacante Geoff Hurst.

Bobby Charlton, que posteriormente se tornaria Sir (cavaleiro), recebendo da rainha Elizabeth 2ª o título de nobreza pelos serviços prestados à pátria, ainda disputaria a Copa seguinte, a de 1970, quando o English Team caiu nas quartas de final antes o Brasil de Pelé.

A morte de Bobby Charlton (que em 1958, aos 20 anos, sobrevivera a um acidente de avião que matou oito jogadores do Manchester United) me trouxe a lembrança do encontro que tive com ele, muito marcante para mim, ocorrido em 2010, em Manchester.

Um jantar com uma conversa muito breve, que relatei em texto de 2015, sob o título “A noite em que um senhor careca pôs Pelé em 2º lugar”, e que republico em parte, a seguir, em homenagem a esse craque que, quem sabe, possa reencontrar o Rei do Futebol do outro lado.

“O ano era 2010. O mês, setembro. O dia, não tenho certeza: 17 ou 18.

O país era a Inglaterra. A cidade, Manchester. O local, The Lowry.

Houve um jantar em dos salões nobres do hotel cinco estrelas.

O organizador era o Manchester United, que divulgava a jornalistas e convidados o patrocínio fechado com uma empresa chilena produtora de vinhos. Ou seria o organizador do evento essa mesma empresa, a fim de divulgar o patrocínio aos Red Devils? Não lembro. Não importa.

Naquele momento, o que importava é que, na mesma larga mesa redonda em que me sentei, a menos de dois metros de distância, sentava-se um senhor careca e elegantemente vestido: Sir Bobby Charlton, uma das lendas do futebol inglês e do United, clube que defendeu de 1954 a 1973.

Charlton foi campeão mundial com a Inglaterra em 1966 e enfrentou o Brasil na Copa de 1970, no México, quando a seleção tricampeã mundial ganhou por 1 a 0, gol de Jairzinho.

Eu queria falar com Charlton. Ouvir dele algumas histórias de sua carreira.

Que ele relembrasse como foi a Copa de 1966 –a única em que os inventores das regras do futebol, mas não do futebol, triunfaram (e com gol em que a bola não entrou na final contra a Alemanha).

Que falasse sobre o duelo com a seleção brasileira em Guadalajara, 45 anos atrás. E sobre os fracassos de Brasil e Inglaterra na Copa de 2010, na África do Sul.

Mas ele estava longe, a uma distância que não dava para conversar. Havia três pessoas à minha direita, entre eu e Charlton, e outras três à esquerda. Se não me engano, todas elas entendidas em vinho, não em futebol.

E o mesmo protocolo que me colocou, possivelmente por coincidência, na mesa com Charlton me impedia de trocar de lugar com os demais e me aproximar dele.

Vinho. Entrada. Mais vinho. Prato principal. Mais vinho. Sobremesa. Uma breve troca de palavras com o indivíduo à minha direita, uma mais breve ainda com o à esquerda.

Uma longa hora se passou até o jantar terminar. Os convidados se levantaram para ir embora, já estava tarde, e eu pensei: uma pergunta. Que seja uma única, mas que seja feita.

Charlton passou perto de mim, conversava com alguém, e eu educadamente interrompi e me apresentei. “Luís Curro, do jornal Folha de S.Paulo. Do Brasil.”

De forma cordial, ele me deu atenção, e eu acabei questionando algo que considerava óbvio: “Quem o senhor considera o melhor jogador de futebol da história?”.

Emendei, meio que respondendo por ele: “Pelé?”.

Charlton, então com 72 anos, contemplou-me por um instante, sorriu e respondeu calmamente: “Garoto, você viu Di Stéfano jogar?”.

Eu fiquei sem palavras, e aquele senhor careca e elegantemente vestido voltou a dar atenção a seu interlocutor, caminhando rumo à porta de saída do salão.”

Alfredo di Stéfano (1926-2014), eleito por Bobby Charlton como o melhor no futebol, nasceu na Argentina e defendeu, além da seleção de seu país, a da Colômbia e a da Espanha.

É um dos maiores ídolos da história do Real Madrid, clube que defendeu de 1953 a 1964.

Nunca disputou uma partida de Copa do Mundo.



Source link

Leia Mais

Argentina: Javier Milei volta a relativizar ditadura - 24/03/2026 -

Argentina: Javier Milei volta a relativizar ditadura – 24/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

177446738669c4393a10b01_1774467386_3x2_rt.jpg

Venezuela: ex-chefe de espionagem vira ministro da Defesa – 26/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

naom_69c4d75d55bbd.webp.webp

Tereza Cristina e Zema ganham força para vice de Flávio Bolsonaro

março 26, 2026

Presidente da EBC participa de reunião do Conselho Superior da

Presidente da EBC participa de reunião do Conselho Superior da ABERT

março 26, 2026

Veja também

Argentina: Javier Milei volta a relativizar ditadura - 24/03/2026 -

Argentina: Javier Milei volta a relativizar ditadura – 24/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

177446738669c4393a10b01_1774467386_3x2_rt.jpg

Venezuela: ex-chefe de espionagem vira ministro da Defesa – 26/03/2026 – Mundo

março 26, 2026

naom_69c4d75d55bbd.webp.webp

Tereza Cristina e Zema ganham força para vice de Flávio Bolsonaro

março 26, 2026

Presidente da EBC participa de reunião do Conselho Superior da

Presidente da EBC participa de reunião do Conselho Superior da ABERT

março 26, 2026