O chefe da junta militar de Mianmar, Min Aung Hlaing, foi eleito presidente nesta sexta-feira (3) pelo Parlamento do país. A vitória consolida o controle do general de 69 anos que ascendeu ao poder em 2021, derrubando o governo de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.
Com a eleição, Hlaing se torna um presidente civil depois de passar cinco anos governando Mianmar como autoridade militar. Hlaing se torna presidente civil após uma eleição altamente criticada em dezembro e janeiro, vista como uma manobra para perpetuar o regime militar sob uma fachada de democracia, vencida por ampla margem por partido apoiado pelo Exército e acusada de farsa por opositores e governos ocidentais. para
Na sexta, parlamentares do PUSD (Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento) e a cota militar de legisladores nomeados pelas Forças Armadas se uniram para apoiar Min Aung Hlaing. Ele venceu o general aposentado e primeiro-ministro da junta, Nyo Saw, por 429 votos a 126.
A ascensão do líder militar à Presidência —cargo que analistas dizem que ele buscava há muito tempo— foi precedida por uma grande reformulação na liderança das Forças Armadas de Mianmar, que ele comandava desde 2011.
A derrubada do governo de Aung San Suu Kyi e sua reclusão em prisão domiciliar provocaram protestos generalizados que se transformaram em resistência armada nacional contra a junta.
A guerra civil que devastou Mianmar e sua economia desde 2021 ainda está em curso e os militares sob o comando de Min Aung Hlaing são acusados por grupos de direitos humanos e especialistas das Nações Unidas de crimes contra a população civil, o que a junta negou.
O procurador do Tribunal Penal Internacional solicitou, em 2024, um mandado de prisão contra o líder do país por perseguição à minoria muçulmana rohingya. Mais de um milhão de membros desse grupo étnico fugiram para o vizinho Bangladesh em 2017 para escapar de uma repressão militar.
Na segunda-feira, quando Min Aung Hlaing foi indicado como candidato presidencial, ele nomeou Ye Win Oo, um ex-chefe de inteligência considerado fervorosamente leal, como seu sucessor para liderar os militares.
A China, aliada de longa data dos generais de Mianmar, estendeu suas congratulações e disse que apoiaria o novo governo na manutenção da paz e estabilidade.
Para críticos, a ascensão do líder militar à Presidência é vista por analistas como uma tentativa de consolidar seu poder como chefe de um governo nominalmente civil e buscar legitimidade internacional. Ao mesmo tempo, protege os interesses de um Exército que governou o país diretamente por cinco das últimas seis décadas.
“Ele há muito tempo alimentava a ambição de trocar seu título de comandante-chefe pelo de presidente, e parece que seus sonhos agora estão se tornando realidade”, disse Aung Kyaw Soe, analista independente de Mianmar, à agência de notícias Reuters.
“Ele pode trocar seu uniforme militar por trajes civis, mas isso não muda nada em relação à sua suposta responsabilidade por crimes graves sob o direito internacional”, afirmou a Anistia Internacional.
Alguns grupos contrários ao governo da junta militar, incluindo remanescentes do partido de Suu Kyi e representantes de minorias étnicas, formaram esta semana uma nova frente combinada para enfrentar os militares.
O Conselho Diretor para a Emergência de uma União Democrática Federal disse que seus objetivos eram “desmantelar completamente todas as formas de ditadura” e iniciar “um novo cenário político”.
Mas os grupos de resistência podem enfrentar pressão militar intensificada, desafios econômicos e maior escrutínio de países vizinhos que podem buscar fortalecer suas relações com a nova administração de Min Aung Hlaing, dizem especialistas.
“Pode se tornar ainda mais difícil construir entendimento mútuo e confiança entre os grupos, alcançar acordos mais firmes e sustentar a cooperação”, disse o analista Sai Kyi Zin Soe à Reuters sobre a oposição.




