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Na Argentina, um escândalo envolvendo o chefe de gabinete, Manuel Adorni, expõe um dilema moral incômodo para o governo de Javier Milei.
Desde a campanha eleitoral, o presidente argentino construiu boa parte de sua identidade política denunciando o que chamava de abusos e privilégios da chamada “casta” da velha política, em especial durante os anos do kirchnerismo.
Agora, porém, um episódio que envolve um de seus colaboradores mais próximos coloca a administração diante de uma situação que sempre prometeu combater.
Adorni não é um funcionário qualquer. Durante meses, foi o principal porta-voz da Casa Rosada e um dos rostos mais visíveis do novo governo, encarregado de explicar diariamente as decisões presidenciais. Seu estilo muitas vezes desdenhoso diante de jornalistas e críticos o transformou em uma figura central da comunicação oficial.
Nas últimas semanas, no entanto, Adorni viveu seus dias mais difíceis desde que ingressou na função pública.
A polêmica começou quando veio à tona que sua esposa, Bettina Angeletti, integrou uma viagem oficial em avião presidencial. Embora aliados afirmem que a presença dela não gerou custos adicionais ao Estado, o episódio abriu um flanco político delicado para um governo que construiu sua legitimidade justamente sobre a crítica aos privilégios da política tradicional.
A reação inicial da Casa Rosada ampliou a crise. O silêncio nas primeiras horas e as explicações fragmentadas alimentaram novas perguntas e permitiram que o caso ganhasse espaço na agenda pública.
O episódio não ocorre em um vácuo político. Para integrantes da própria base libertária, a forma como o governo reage a crises que envolvem figuras próximas ao chamado “triângulo de ferro” desta gestão —Milei, sua irmã Karina e o estrategista Santiago Caputo— repete um padrão: silêncio inicial, respostas contraditórias e uma estratégia de contenção ineficiente.
O caso virou um teste político para um governo que chegou ao poder prometendo romper com práticas que atribuía à velha política. A questão agora é saber até que ponto a administração Milei está disposta a aplicar aos seus próprios aliados o mesmo rigor que sempre exigiu de seus adversários.
MIRADA
A líder da oposição María Corina Machado recebe chilenos e abraça crianças durante encontro com venezuelanos residentes em Santiago. O Chile se tornou um dos principais destinos da diáspora do país. Ela viajou para participar da posse do presidente chileno, José Antonio Kast.
Latinas
Legislativas levam influenciadores a Congresso na Colômbia
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“O Agente Secreto” acabou não levando nenhuma estatueta, mas a produtora argentina Violeta Kreimer saiu vencedora do Oscar de melhor curta-metragem por “Duas Pessoas Trocando Saliva”. Nascida na cidade de Vicente López e radicada em Paris, na França, ela destacou na cerimônia que a ideia era alertar para os diversos tipos de repressão. (Leia aqui | Caras | Em espanhol)
Pressão turística em Machu Picchu
Autoridades peruanas voltaram a discutir limites mais rígidos para visitantes em Machu Picchu após novos alertas sobre o impacto do turismo no sítio arqueológico. O debate reaparece com frequência no país: como preservar a antiga cidadela inca sem comprometer uma das principais fontes de renda do setor turístico. (Leia aqui | Infobae | Em espanhol)




