
Naquela ocasião, Amanda compareceu à Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza acompanhada de um adulto. Ela declarou ter 12 anos e denunciou os pais por abusos sexuais e por inserirem chaves e agulhas em seu corpo durante rituais de “magia negra”. Um exame de raio-x realizado na época confirmou a presença dos objetos.
A então delegada adjunta e hoje defensora pública, Yamara Alves Lavor Viana, instaurou um inquérito. Contudo, as investigações e os depoimentos dos vizinhos contradisseram a versão de Amanda, descrevendo os pais como pessoas pacatas e cristãs. Ao prestarem depoimento, os pais negaram as acusações e apresentaram a certidão de nascimento da filha, comprovando que ela já tinha 22 anos em 2010. Amanda alegou que o documento fora falsificado para forçá-la a programas sexuais, mas os pais exibiram um laudo médico indicando problemas psiquiátricos. Verificou-se que ela tivera passagens por clínicas para tratamento mental e pelo Caps.
Anos depois, o padrão se repetiu. Amanda aproximou-se de uma família catarinense através de um pastor, inicialmente dizendo ter 18 anos e buscando emprego em panificação. Ao ganhar confiança e alegar problemas de saúde e financeiros, foi acolhida. Posteriormente, mudou a história: afirmou ter 11 anos e ser vítima de abusos, permanecendo 14 meses com o casal.
Em setembro de 2023, sob a falsa identidade de adolescente, ela buscou o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, com dores abdominais. Um novo raio-x detectou várias agulhas em seu corpo. Investigada por estelionato e falsa identidade, Amanda teve a prisão preventiva decretada na última quarta-feira (3), e seu defensor dativo, Rafael Luiz Siewert, confirmou que ela será submetida a exames de sanidade mental.
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