O papa Leão 14 voltou a dar declarações contrárias a guerras após novos ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem publicado em sua rede, a Truth Social, mensagens com críticas ao pontífice.
“Em dois dias na Argélia, tivemos uma oportunidade maravilhosa para continuar criando pontes, promovendo diálogo. Acredito que a visita à mesquita foi significativa, para mostrar que mesmo com crenças diferentes, temos diferentes formas de praticar a religião e diferentes maneiras de viver, mas podemos viver juntos em paz”, disse o pontífice a jornalistas a bordo do avião papal, a caminho de Camarões.
“Por isso acredito que promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje, [algo] que juntos podemos continuar a transmitir, através do nosso testemunho, à medida que prosseguimos nesta viagem apostólica”, disse Leão, que está em viagem à África, a primeira de larga escala de seu pontificado.
Mais cedo, Trump republicou postagem de apoiador que mostra supostas republicações de postagens que criticam Trump e o vice-presidente americano, J. D. Vance feitas por um perfil sob a alcunha Robert Prevost, o nome de Leão.
Em seguida, Trump republicou uma outra postagem em que um seguidor publicou uma imagem de Trump de olhos fechados, à frente de uma bandeira dos EUA, sendo abraçado por Jesus Cristo. Nesta semana, o republicano havia publicado uma imagem feita com inteligência artificial em que Trump aparece como se fosse Jesus —a imagem foi deletada de seu perfil após críticas de conservadores e católicos americanos.
Em entrevista a jornalistas depois, o presidente disse que ele mesmo havia publicado a imagem. “Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos”, disse, atribuindo à imprensa a comparação com Jesus.
Mesmo Vance, um católico convertido, tem reafirmado as críticas de Trump ao papa, embora em tons mais brandos. Após o pontífice dizer que Deus rejeita orações de líderes que fazem guerras, o vice-presidente questionou o papa durante evento na Universidade da Geórgia. “Deus estava do lado dos americanos que libertaram a França dos nazistas? Eu seguramente acho que a resposta é sim”, disse Vance.
O vice-presidente afirmou ainda que o papa deveria “ser cuidadoso” quando fala sobre questões teológicas “da mesma forma que é importante que um vice-presidente dos EUA tenha cuidado ao falar de decisões de governo”.
A tensão entre o líder da Igreja Católica e o presidente dos EUA tem se intensificado nos últimos dias. Leão não tem poupado Washington de críticas tanto pela condução do conflito quanto pela retórica bélica da Casa Branca, que tem tratado a disputa sob a ótica de uma guerra santa.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou solidariedade a Leão em um vídeo gravado para a 62ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência nacional dos Bispos do Brasil) e compartilhado nas redes sociais nesta quarta.
“Defensores da paz e dos oprimidos têm sido atacados pelos poderosos que se julgam divindades a ser adoradas pelos simples mortais”, diz o petista na mensagem gravada, sem citar Trump diretamente.
Nesta quarta, o papa visita os Camarões, onde também pediu o fim da guerra no país, que vive há anos um conflito entre o regime de Paul Biya e partes anglófonas do país ao norte.
“É tempo de examinar nossas consciências e dar um ousado salto adiante. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade e retiram dela sua credibilidade, precisam ser quebradas”, afirmou o pontífice em discurso duro no país africano. Biya, 93, tomou posse para seu oitavo mandato consecutivo à frente de Camarões em novembro, após eleição amplamente considerada fraudada.




