Navios de guerra americanos zarparam novamente, segundo imagens publicadas nas redes sociais, depois de terem voltado ao território dos Estados Unidos para evitar o contato com ventos e ondas do furacão Erin. Segundo as forças do país, citadas pela rádio americana NPR, as embarcações seguem com destino às águas caribenhas e da região da Venezuela.
A frota do Grupo Anfíbio de Prontidão (ARG, na sigla em ingês) Iwo Jima é composta por três navios, que a Marinha americana afirma transportar mais de 4.500 marinheiros e fuzileiros navais, e deixou o porto de Norfolk, no estado da Virgínia, neste domingo (24).
O Pentágono não confirmou a informação e não informou quais exercícios ou operações as unidades devem exercer nos próximos dias.
Na última semana, as embarcações, armadas com sistemas antimíssil Aegis e mísseis de ataque, se aproximaram da costa da Venezuela como parte do que o governo de Donald Trump diz ser um esforço para combater os cartéis de drogas da América Latina.
Em paralelo à movimentação, na última terça feira, a porta-voz do governo americano, Karoline Leavitt, afirmou que o país usaria “toda a força” contra o regime do ditador venezuelano, Nicolás Maduro.
“O presidente [Trump] está preparado para usar toda a força americana com o objetivo de impedir que as drogas inundem nosso país, além de levar os responsáveis à Justiça. O regime de Maduro não é um governo legítimo —é um cartel narcoterrorista”, afirmou ela.
Uma autoridade ouvida pela Reuters logo após o primeiro anúncio de envio confirmou o número de fuzileiros e detalhou que se trata de um processo que deve se desdobrar por vários meses. Segundo o funcionário, o plano é que os militares atuem tanto em espaços aéreos quanto em águas internacionais.
Logo no começo de seu mandato, em fevereiro, Trump classificou o cartel de Sinaloa, do México, e o grupo Tren de Aragua, da Venezuela, de organizações terroristas estrangeiras. O governo ainda prometeu intensificar a fiscalização migratória contra supostos integrantes das gangues.
No início deste mês, apoiado também nessa classificação, Trump assinou de forma sigilosa uma diretriz que autoriza o Pentágono a empregar militares em ações contra cartéis de drogas latino-americanos, segundo autoridades próximas às discussões ouvidas pelo jornal The New York Times.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou em resposta que militares americanos não entrarão em território mexicano e que não há risco de intervenção dos EUA em seu país.
Além disso, também na última semana, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em resposta ao que chamou de ameaças dos americanos contra o seu país.
“Vou ativar nesta semana um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional. Milícias preparadas, ativadas e armadas”, anunciou em ato transmitido pela TV ao ordenar tarefas diante da “renovação das ameaças” dos EUA. Ele não deu detalhes de como faria a mobilização.
No início do mês, o governo Trump também anunciou que dobrou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões (R$ 273,1 milhões) a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro. Washington acusa o líder chavista de atuar como um dos principais narcotraficantes do mundo e de representar uma ameaça à segurança dos EUA.