O neto de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e símbolo da resistência contra o apartheid, afirmou nesta quarta-feira (4) que a vida dos palestinos sob ocupação de Israel é pior do que qualquer coisa que os negros sul-africanos tenham experimentado durante o regime de segregação.
Mandla Mandela, 51, falou com repórteres no Aeroporto de Joanesburgo, de onde embarcava em um voo para a Tunísia para se juntar a uma flotilha que pretende entregar alimentos e suprimentos humanitários a Gaza, apesar do bloqueio israelense.
“Muitos de nós que visitamos os territórios ocupados na Palestina voltamos apenas com uma conclusão: os palestinos estão vivendo uma forma de apartheid muito pior do que a que nós já experimentamos”, disse Mandla. “Acreditamos que a comunidade internacional deve continuar apoiando os palestinos, assim como estiveram lado a lado conosco.”
Israel rejeita comparações entre a vida dos palestinos que vivem sob ocupação ou bloqueio econômico há mais de meio século e a era do apartheid na África do Sul, quando a maioria negra era governada por um governo repressivo de minoria branca.
Também defende sua forte restrição ao fornecimento de ajuda humanitária e outros bens a Gaza, afirmando que busca impedir que armas cheguem ao grupo terrorista Hamas.
Mandla está se juntando a um grupo de dez ativistas sul-africanos na Global Sumud Flotilla, que inclui dezenas de barcos e centenas de pessoas de 44 países. Entre eles a ativista sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila, que foram presos e deportados por forças israelenses em uma das empreitadas anteriores do grupo, em junho. Ao menos mais 12 brasileiros estão na tripulação.
O Congresso Nacional Africano, partido fundado por Mandela e do qual seu neto faz parte, afirmou que a missão “ressoa com a nossa própria luta pela libertação”.
Mandla enfatizou que, quando o apartheid terminou em 1994, isso se deu após intensa pressão e sanções de outras nações. “Isolaram a África do Sul do apartheid e, finalmente, ela colapsou. Acreditamos que chegou a hora de que o mesmo seja feito pelos palestinos”, afirmou.




