Integrantes de grupos extremistas da Nigéria intensificaram ataques em várias regiões do país e mataram dezenas de pessoas, incluindo um alto oficial do Exército, nesta semana, segundo autoridades locais.
Um dos casos com maior repercussão ocorreu no nordeste, onde combatentes jihadistas invadiram uma base militar e assassinaram o comandante da brigada, o general O. Braimah, na cidade de Benisheikh, informou nesta quinta-feira (9) o governo local à agência de notícias AFP.
Trata-se da segunda vez em cinco meses em que um militar de alta patente é morto em ataques do tipo, o que aumenta a pressão sobre as autoridades e as forças de segurança na região. Os extremistas ainda destruíram a infraestrutura local, e vários veículos militares foram danificados, segundo testemunhas.
Em paralelo, a violência também aumentou no noroeste do país. Homens armados mataram cerca de 60 pessoas em ataques a diversas aldeias remotas, segundo relatos de líderes religiosos e organizações humanitárias mencionados pela AFP.
As ações ocorreram em áreas de dois estados vizinhos, Kebbi e Níger, e foram registradas em aproximadamente uma dezena de vilarejos. Apenas em um ataque na região de Shiroro, no estado de Níger, cerca de 20 pessoas teriam sido mortas na terça-feira (7).
Os responsáveis foram “bandidos fortemente armados” que chegaram a invadir um acampamento militar, segundo um relatório de segurança do governo. A região de Shiroro tem sido alvo frequente tanto de grupos criminosos locais quanto de organizações jihadistas.
Nos últimos meses, autoridades e analistas apontam uma aproximação entre esses dois tipos de grupos, o que tem ampliado o alcance e a intensidade dos ataques, frequentemente acompanhados de saques e deslocamentos forçados de população.
No estado de Kebbi, os números de vítimas variam. Um líder religioso relatou 24 mortos, mas disse que informes mais recentes apontam para mais de 40. Outro líder local mencionou ao menos 40 vítimas.
A polícia atribuiu os ataques em Kebbi a um grupo jihadista local conhecido como Mahmuda. Segundo autoridades, a organização tem ligação com Mahmud al Nigeri, dirigente do grupo jihadista Ansaru, que surgiu como dissidência do Boko Haram e mantém vínculos com a Al Qaeda.
O estado de Kebbi, que faz fronteira com Benin e Níger, registra aumento nos ataques jihadistas desde 2025. De acordo com o observatório de conflitos Acled (Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), a região vive um recrudescimento da violência impulsionado por grupos ligados tanto à Al Qaeda quanto ao Estado Islâmico.




