O culto à personalidade, segundo Donald Trump – 02/04/2026 – Laura Greenhalgh

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Se a sabedoria popular ensina que “nem tudo o que reluz é ouro”, Donald Trump assume que “tudo o que reluz é poder”. Esta semana seu gosto por dourados apoteóticos foi mais uma vez testado. Um juiz federal, com elos no Partido Republicano, suspendeu a construção avançada do novo Salão de Festas da Casa Branca até que o projeto seja autorizado pelo Congresso.

Trump reagiu. Veio com uma nova versão do salão, orçado em US$ 400 milhões (R$ 2 bilhões), segundo a qual o espaço nada mais é do que um “galpão” para esconder um complexo militar. Ou seja, convivas da Casa Branca deslizarão em piso de mármore, sob o qual haverá bunker, hospital, aparato de biodefesa e um centro de comunicações de alta segurança.

“Sendo assim, eu me autorizo a continuar a construção“, decretou Trump, fora dos autos. O proponente da ação apreciada pelo juiz Richard J. Leon é o Fundo Nacional de Preservação Histórica, respeitada entidade de defesa patrimonial, vista pelo presidente como “um bando de lunáticos da extrema esquerda”.

Numa vertigem autolouvatória, Trump anuncia a sua futura biblioteca presidencial na orla de Miami. O arquiteto cubano Willy A. Bermello, preferido dos ricaços da Flórida e autor do projeto, desenhou um arranha-céu de 60 andares, com escadas rolantes e elevadores dourados, tornando nanicas todas as bibliotecas presidenciais do país.

Eric Trump, terceiro filho, festejou a iniciativa, digna de –e me permitam acrescentar mais estas aspas no texto– “um homem espetacular, empreiteiro incrível e maior presidente que este país já conheceu”. Eric está metido no negócio desde a escolha do terreno, valiosíssimo, oficialmente doado por uma universidade pública de Miami, sob as bênçãos do governador da Flórida, Ron DeSantis.

Tudo somado, biblioteca, salão de festas, moeda com Trump nas duas faces, nova nota de 100 dólares autografada por ele e o rebatizado Trump-Kennedy Center for the Performing Arts, de destino incerto, o que se vê é um desmedido culto à personalidade, a caminho do zênite.

Trump elogia publicamente a Gilded Age, ou a Era Dourada americana, pós-Guerra Civil. Diz que fará algo mais grandioso. Refere-se ao período entre 1870 e 1900, próspero nas aparências, porém, sombrio nas entranhas. Se a Era Dourada marcou o nascimento das corporações e a industrialização do país, marcou também a reescravização de negros libertos, as jornadas de trabalho desumanas, o isolamento dos povos nativos em reservas, enfim, distorções sociais cujos ecos ressoam na América hoje.

Sempre vale ouvir o historiador Richard White, professor emérito da Universidade Stanford. Ele aponta o elemento comum entre a Era Dourada do final do século 19 e a Era Dourada de Trump: a corrupção. Roubalheira houve no passado e continua hoje. Só que, para White, a maneira como o chefe da Casa Branca utiliza a presidência para abocanhar riquezas para si e sua família é algo sem precedente na história americana.

Além de criptomoedas, incorporações imobiliárias e fundos financeiros, agora a grife Trump cintila na indústria da guerra. No conselho da Unusual Machines, fabricante de drones bélicos, vê-se o nome do primogênito Donald Trump Jr. Presença útil, a julgar pelos contratos leoninos que a empresa passou a ter com o Pentágono. Mais um negócio de pai para filho. Outros virão.


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