O que há nos arquivos Epstein, relação com Trump e Brasil – 06/02/2026 – Mundo

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A divulgação de uma nova leva de documentos do caso Jeffrey Epstein voltou a expor a dimensão das relações mantidas pelo financista e abusador com políticos, empresários e celebridades. Entre os nomes citados estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de ex-chefes de Estado, membros da realeza britânica e empresários. Os arquivos reúnem milhões de páginas, imagens e mensagens divulgadas sem contexto pelo Departamento de Justiça americano.

Os documentos não trazem provas conclusivas de envolvimento criminal para a maioria dos citados, mas recolocam sob escrutínio laços pessoais e profissionais de Epstein —condenado por crimes sexuais e morto na prisão em 2019— e alimentam controvérsias sobre o uso político das revelações nos EUA, onde Trump nega irregularidades e pede que o país “vire a página” do escândalo.

Veja abaixo os principais tópicos sobre o caso de Jeffrey Epstein.

Quem é Jeffrey Epstein?

Jeffrey Epstein nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 20 de janeiro de 1953, e iniciou sua carreira como professor de matemática no colégio de elite Dalton School, em Manhattan, apesar de não possuir diploma universitário. Ele rapidamente ascendeu no mundo financeiro, atuando como consultor e gestor de fortunas de clientes bilionários.

O que é o caso Jeffrey Epstein?

O escândalo envolve uma vasta rede de exploração e tráfico sexual de menores que o financista Jeffrey Epstein, com a ajuda de sua ex-namorada Ghislaine Maxwell, supostamente operava. Epstein era acusado de pagar por atos sexuais com meninas adolescentes, de traficar dezenas de jovens, algumas com apenas 14 anos, e de forçá-las a prestar serviços sexuais em suas propriedades em Nova York, Flórida, Novo México e em sua ilha particular no Caribe —que posteriormente ficou conhecida como ilha Epstein.

Pelo que Jeffrey Epstein já foi condenado?

Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por solicitação de prostituição de uma menor. Ele se declarou culpado em um tribunal estadual de duas acusações criminais, incluindo aliciamento de menor, em um acordo para evitar acusações federais que, mais tarde, levantaria suspeitas por supostamente ter sido leniente demais.

Quais são os outros supostos crimes de Jeffrey Epstein?

Além do crime pelo qual foi condenado, Epstein foi acusado de diversos outros. Em 2019, foi novamente preso e acusado de tráfico sexual e conspiração para traficar menores para fins sexuais.

O que é a ‘lista de Epstein’?

A “lista de Epstein” refere-se a um suposto arquivo ou registro que detalharia os clientes que teriam participado das atividades sexuais ilícitas do financista. Essa hipótese circulou amplamente nas redes sociais e foi impulsionada por aliados de Trump que prometeram divulgá-la caso chegassem ao poder.

No entanto, o Departamento de Justiça e o FBI, sob o governo Trump, afirmaram que os arquivos sobre Epstein não continham evidências de uma “lista de clientes incriminadora” e que tal lista nunca existiu.

Como Jeffrey Epstein morreu?

Epstein se suicidou em sua cela em uma prisão em Nova York, em 2019, enquanto aguardava julgamento pelas acusações de tráfico sexual. Embora médicos legistas tenham classificado a morte de suicídio, ela permaneceu envolvida em polêmica e é alvo de diversas teorias da conspiração que, sem provas, insinuam que ele teria sido assassinado para evitar que implicasse autoridades, celebridades e magnatas.

Quem são os brasileiros citados nos documentos de Epstein?

Diversos brasileiros são citados nos arquivos, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além do osteopata Reinaldo Ávila da Silva, do arquiteto Arthur Casas e de mulheres brasileiras associadas à agência Ford Models. Lula é citado em emails em que Epstein afirma ter participado de uma ligação com Noam Chomsky quando o petista estava preso, versão negada pela Presidência. No caso de Bolsonaro, há mensagens entre Epstein e Steve Bannon sobre a eleição brasileira de 2018, sem indícios de contato direto com o ex-presidente. Reinaldo Ávila da Silva recebeu transferências de Epstein para custear estudos na área de osteopatia, segundo reportagens. Arthur Casas surge em trocas de mensagens sobre um possível projeto arquitetônico na ilha de Epstein, tendo realizado apenas uma visita técnica, segundo seu escritório. Já a Ford Models aparece em emails sobre negociações que a empresa afirma nunca terem existido. Ser citado nos documentos não implica envolvimento em crimes, e os materiais foram divulgados sem contexto.

O novo lote de arquivos inclui trechos sobre Donald Trump, citado em documentos que incluem uma denúncia de abuso sexual contra uma menor de idade, supostamente ocorrido há mais de 30 anos em Nova Jersey, sem detalhes adicionais nem indicação de investigação posterior. Trump nega qualquer envolvimento em crimes, afirma não ter conhecimento das irregularidades cometidas por Epstein —de quem foi amigo por cerca de 15 anos— e diz que as acusações fazem parte de uma conspiração contra ele, defendendo que o país “vire a página” do escândalo. O presidente não responde formalmente por irregularidades ligadas ao caso.

Ambos se conheceram na região de Palm Beach, na Flórida, onde tinham propriedades e, por isso, frequentavam jantares e festas em ambientes como a mansão de Epstein em Nova York e o clube de Trump Mar-a-Lago, na Flórida, além de viajarem em jatos particulares.

Trump chegou a descrever o financista como um “cara incrível” e afirmou: “Ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são mais jovens”. A amizade terminou por volta de 2004, após um desentendimento relacionado a uma propriedade imobiliária, que ambos disputaram e o presidente conseguiu arrematar. Trump disse ter banido Epstein de seu resort devido a seu comportamento inadequado com a filha de um membro.

Parte dos documentos publicados incluem trocas de mensagens entre Epstein, o escritor americano Michael Wolff e Ghislaine Maxwell. Nas mensagens, Epstein escreveu que Trump passou “horas em sua casa” com uma das vítimas e que o atual presidente “sabia sobre as meninas” envolvidas em seu esquema, sem esclarecer o que quis dizer exatamente com a frase. O presidente também afirmou que o caso era uma armadilha orquestrada pelos democratas.

Elon Musk, Bill Gates e Howard Lutnick, secretário de Comércio dos EUA, são alguns dos nomes que aparecem relacionados a Epstein nos documentos do lote mais recente.

Musk e Epstein teriam trocado mensagens combinando um encontro na Flórida ou no Caribe entre 2012 e 2014. Lutnick planejava uma visita à ilha do financista em 2012, embora tenha afirmado que cortou laços com Epstein em 2005.

Emails publicados mostram que o financista, em 2013, afirmou que Gates mantinha relações sexuais extraconjugais e disse ter ajudado o bilionário a conseguir medicamentos “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas“. A Fundação Gates classifica as acusações de “absolutamente absurdas e completamente falsas”.

O ex-presidente democrata Bill Clinton apareceu em fotografias do primeiro lote disponibilizado pelo Departamento de Justiça, em 19 de dezembro. Pouco depois da liberação do segundo conjunto, em sua primeira manifestação sobre a divulgação dos arquivos de Epstein, Trump disse não gostar de ver publicadas as imagens que mostram Clinton e outras pessoas e classificou a exposição de “algo terrível”.

Outras celebridades, como Mick Jagger, Michael Jackson, Diana Ross, e Chris Tucker são mencionadas em documentos ou aparecem em fotografias dos arquivos de Epstein. Não há, no entanto, evidências de que essas pessoas cometeram irregularidades ou tinham conhecimento sobre os crimes do financista.

E o que os novos documentos de Epstein mostram sobre o ex-príncipe Andrew?

Os arquivos incluem fotografias que parecem mostrar o ex-príncipe Andrew ajoelhado sobre uma mulher não identificada, totalmente vestida, deitada no chão. Os documentos também trazem emails de 2010 que indicam convites feitos por Epstein a Andrew, incluindo jantares com uma mulher russa de 26 anos, trocados após o financista já ter se declarado culpado por crimes sexuais. Andrew, filho da rainha Elizabeth 2ª e irmão do rei Charles 3º, sempre negou qualquer irregularidade e afirma não ter tido conhecimento dos crimes de Epstein.



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