O que será do Oriente Médio depois desta guerra – 14/03/2026 – Mundo

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A guerra começou quando o Hamas invadiu Israel em 2023. O Hezbollah e os houthis aderiram com saraivadas de drones e mísseis. A devastadora retaliação israelense ainda é julgada no Tribunal Penal Internacional, em Haia: foi “genocídio”? A Síria derrubou meio século da dinastia Assad. E o Irã foi atacado há 15 dias pela segunda vez desde junho de 2025.

O conflito continua, mas já desenha o que pode ser o novo mapa político da região: menos dominado pelo Irã, com menor influência da Rússia e da China, mais militarizado, mais dependente dos Estados Unidos e sem o chamado “eixo da resistência” —formado por Hezbollah, houthis, Hamas e milícias iraquianas. Este novo Oriente Médio dependerá também de quem vencerá as eleições israelenses de outubro.

Binyamin Netanyahu é réu em três processos de corrupção e aparece em baixa nas pesquisas. Nas redes sociais, jornalistas israelenses o acusam de prolongar as guerras para adiar seu julgamento e evitar uma comissão de inquérito sobre as falhas de segurança que permitiram a invasão do Hamas em 2023. Antes e depois do confronto com o Irã, Israel continua sendo o país militarmente mais poderoso do Oriente Médio.

O Líbano sai da guerra mais frágil, com cerca de 800 mil deslocados e 700 mortos, mergulhado em uma profunda crise financeira e diante do desafio de desarmar o Hezbollah —enfraquecido, mas não liquidado, e ainda mais forte que o Exército libanês.

Gaza continua devastada e sem governo claro, com cessar-fogos frequentemente violados. Se o Hamas não entrega as armas, Israel não se retira dos 60% do território que ocupa. E, se Israel não se retira, o Hamas não se desarma. O impasse permanece. O plano de Donald Trump previa um governo interino de tecnocratas e uma força internacional, mas está paralisado enquanto o foco da guerra se volta para o Irã.

A Síria tornou-se mais árabe e sunita. Alinhou-se aos Estados Unidos e aos países do Golfo e iniciou reformas de segurança, institucionais e judiciais sob o governo central de Ahmad al-Sharaa. Mas ainda está longe da pacificação nacional, diante de minorias influentes como curdos, alauítas, drusos e cristãos.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Omã e Egito saem relativamente mais fortes sem o peso regional do Irã, mas também pagam o preço da guerra.

O trânsito de petroleiros foi afetado no estreito de Hormuz, e a produção de petróleo diminuiu. O turismo praticamente desapareceu de seus hotéis de luxo. Se os 450 kg de urânio iraniano enriquecido a 60% não forem recuperados —soterrados nos bombardeios de 2025—, o Golfo continuará temendo Teerã. Os sauditas já discutem construir sua própria usina nuclear.

Os houthis do Iêmen continuam sendo uma incógnita. Em 14 dias de guerra não dispararam um único míssil em apoio ao Irã —e talvez não disparem. Precisam preservar seu arsenal para conquistar todo o Iêmen. Além disso, Israel, a 2.200 km de distância, estabeleceu uma base na Somalilândia, a apenas 640 km de Sanaa. Uma retaliação poderia ser mais rápida e devastadora.

Os Estados Unidos voltaram a ser o principal fiador militar da ordem regional. Washington desloca armamentos sofisticados da Ásia para o Oriente Médio. A Coreia do Sul tentou impedir algumas transferências, temendo seu vizinho nuclear ao norte, mas não conseguiu. A Rússia perdeu influência na Síria e no Irã, embora se beneficie do aumento do preço do petróleo. A China prefere priorizar comércio e energia. No Conselho de Segurança da ONU, defendeu Teerã contra Washington e seus aliados europeus.

O Hamas atacou Israel quando este estava próximo de normalizar relações com a Arábia Saudita. A ofensiva recolocou os esquecidos palestinos no centro da agenda regional. Após três anos de confrontos culminando com a guerra contra o Irã, os Estados Unidos voltam a falar em ampliar os Acordos de Abraão —com os sauditas na linha de frente—, mas agora com a exigência de algum horizonte político para os palestinos.



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