
Entrou em vigor à meia-noite desta sexta-feira no Líbano um cessar-fogo de 10 dias acordado entre Líbano e Israel.
Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reafirmou o apoio contínuo aos esforços para encerrar os confrontos e a aliviar o sofrimento das comunidades situadas em ambos os lados da chamada Linha Azul, ou linha de retirada, estabelecida no ano 2000 para confirmar a retirada das tropas israelenses do Líbano.
Para Guterres, a expectativa é que esta pausa nos confrontos abra caminho para negociações sólidas e para a plena implementação da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, visando uma solução duradoura para o conflito.
Unesco se compromete a monitorar e a zelar ativamente pela segurança e preservação de monumentos históricos
Em comunicado, o secretário-geral insta a todos os atores envolvidos a respeitar rigorosamente a trégua e a cumprir suas obrigações perante o direito internacional, com especial atenção ao direito humanitário.
O diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Unops, Jorge Moreira da Silva, destacou que a medida vai além de um passo crucial para conter o sofrimento humano.
Após semanas marcadas por pesadas perdas de vidas e danos severos à infraestrutura essencial, Moreira da Silva apelou para que a trégua seja mantida, servindo como “um marco definitivo rumo a uma solução diplomática e pacífica de longo prazo”.
O impacto do conflito também se estende ao patrimônio histórico. Desde o agravamento da guerra no Oriente Médio, a partir de 28 de fevereiro, diversos locais de valor cultural foram alvo de ataques em Israel, no Irã e no Líbano.
Atendendo a um pedido formal do governo libanês, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, colocou 39 Sítios do Patrimônio Mundial sob o status de “proteção reforçada”.
Com essa medida, a agência se compromete a monitorar e a zelar ativamente pela segurança e preservação desses monumentos históricos.
No contexto mais amplo da crise no Oriente Médio, um relatório da ONU Mulheres revelou que mais de 38 mil mulheres e meninas perderam a vida em Gaza em bombardeios aéreos e operações militares terrestres israelenses.
O total registrado entre outubro de 2023 e dezembro do ano passado corresponde a mais de 22 mil mulheres adultas e 16 mil menores de idade, no que representa uma média de pelo menos 47 vidas perdidas diariamente.
Chefe do Unops, Jorge Moreira da Silva, apelou para que a trégua seja mantida
A proporção de vítimas femininas supera de forma expressiva os registros de qualquer conflito anterior na região palestina, observa o documento.
Além das perdas fatais, as famílias sobreviventes enfrentam um sofrimento contínuo e extremo, que persiste mesmo após o cessar-fogo anunciado em outubro na região. Os relatos documentam que mais de 730 pessoas morreram e duas mil ficaram feridas apenas nos últimos seis meses.
Embora faltem dados precisos sobre gênero e idade para todas as novas ocorrências, mulheres e meninas continuam entre as principais vítimas fatais. Ao número de mortos, somam-se 11 mil mulheres e meninas de Gaza que sofreram ferimentos graves, muitas das quais adquirem deficiências físicas e enfrentam traumas permanentes para o resto da vida.
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