ONU diz que crise no Estreito de Ormuz ameaça economia e segurança alimentar

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A crise no Oriente Médio entra no terceiro mês caracterizada pela restrição à liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Uma medida tomada pelo Irã e que “pode desencadear uma onda de choque econômico que afetará desde o crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, mundial até o preço dos alimentos no prato do consumidor”.

A declaração do secretário-geral, António Guterres, baseia-se em previsões de especialistas apontando que, mesmo com um cessar-fogo parcial, a logística global já sofre danos profundos. 

Pandemia e início da guerra na Ucrânia

Guterres realçou que a atual situação ameaça reverter conquistas de desenvolvimento obtidas a duras penas, após a pandemia e o início da guerra na Ucrânia.

Mesmo sob a hipótese mais otimista de levantamento imediato das restrições de navegação, o mundo não escapará de efeitos severos. As cadeias de suprimentos levarão meses a normalizar, mantendo a produção em baixa e os preços em alta, como explicou António Guterres. 

ONU/Daniel Dickinson
Cenário mais sombrio destacaria a estagnação e inflação descontrolada devido a perturbações persistentes no Estreito de Ormuz até o final do ano

O avanço econômico global deverá sofrer um corte de 3,4% para 3,1%, enquanto a inflação global que estava em queda deve retomar a alta para 4,4%. A expansão do comércio de mercadorias deverá encolher de 4,7% para apenas 2%.

Num cenário intermédio uma crise humanitária evoluiria como resultado da manutenção da instabilidade e da situação financeira se arrastando até meados de 2026. 

Pobreza extrema

O crescimento global reduziria para 2,5% e a inflação escalaria para 5,4%, num impacto social que seria catastrófico. Estima-se que 32 milhões de pessoas seriam empurradas para a pobreza extrema. 

Um dos pontos mais críticos seria a redução dos estoques de fertilizantes, o que prejudicaria as safras globais e resultaria em 45 milhões de pessoas empurradas para a fome extrema.

Já um cenário mais sombrio destacaria a estagnação e inflação descontrolada devido a perturbações persistentes no Estreito de Ormuz até o final do ano. A economia global entraria em uma zona de perigo sem precedentes.

 A inflação dispararia para além dos 6%, corroendo o poder de compra de forma generalizada, enquanto o crescimento econômico mundial despencaria para 2%. Tal nível de estagnação, com preços altos, criaria um ambiente de instabilidade que dificultaria qualquer tentativa de recuperação coordenada em curto prazo.

Momento de extrema fragilidade

Estes acontecimentos acompanham um momento de extrema fragilidade para a infraestrutura na Faixa de Gaza. 

Em nota separada, especialistas da ONU dizem a escala da destruição como histórica, notando que a resposta humanitária permanece perigosamente incompleta diante de uma catástrofe que já desalojou cerca de 1,9 milhão de pessoas.

A Avaliação Rápida de Danos e Necessidades em Gaza revela números alarmantes: mais de 371 mil unidades habitacionais foram danificadas ou completamente destruídas, deixando mais de 60% da população local desabrigada. O impacto vai além do concreto, atingindo diretamente a saúde pública. 

A Unrwa, agência da ONU para refugiados palestinos, reportou um aumento drástico em doenças parasitárias e infectocontagiosas, como sarna e varicela, exacerbadas pelas condições precárias de saneamento nos abrigos.

Instabilidade do cessar-fogo

Embora tenha havido uma redução pontual no número de registros em abrigos de emergência nesta semana de 1.337 para 951 pessoas, o movimento reflete mais a instabilidade do cessar-fogo e tentativas de retorno do que uma melhora real nas condições de vida. 

Estima-se que os custos de reconstrução já ultrapassem a marca de US$ 71 bilhões, com o setor de habitação sendo o mais severamente atingido e necessitando de intervenção imediata fundamentada no direito internacional.

 O cenário na região permanece volátil, com a instabilidade se estendendo ao sul do Líbano, onde o risco de escalada militar mantém a situação humanitária imprevisível. 

Plano de recuperação deve ser inclusivo

Especialistas da ONU criticam o que chamam de “silêncio chocante” sobre as condições políticas necessárias para uma reconstrução eficaz. Eles argumentam que qualquer plano de recuperação deve ser inclusivo e permitir que os próprios palestinos moldem as decisões sobre seu futuro, garantindo transparência e responsabilidade.

A destruição arbitrária de residências em Gaza é vista pelos relatores internacionais como uma negação sem precedentes do direito à moradia adequada. 

A posição é que para uma reconstrução bem-sucedida, ela não pode ser apenas financeira, mas ancorada em princípios de direitos humanos que impeçam a repetição do ciclo de violência e garantam a dignidade da população civil.



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