Os Estados Unidos e seus aliados entraram em conflito com a Rússia e a China nesta quinta-feira (12) durante reunião do Conselho de Segurança da ONU que tratou das intenções nucleares do Irã.
Durante o encontro do colegiado, composto por 15 membros e presidido neste mês pelos EUA, Rússia e China tentaram, sem sucesso, bloquear a discussão sobre um comitê estabelecido para supervisionar e aplicar as sanções da ONU contra o Irã. Foram derrotados por 11 a 2, com duas abstenções.
Como a votação era de procedimento, os países não tinham direito de exercer o poder de veto.
O enviado dos EUA às Nações Unidas, Mike Waltz, acusou Moscou e Pequim de tentar proteger Teerã ao bloquear o trabalho do chamado Comitê 1737, estabelecido em 2006. O comitê tem como objetivo monitorar e supervisionar as sanções impostas à República Islâmica do Irã relacionadas ao programa nuclear.
“Todos os Estados-membros das Nações Unidas deveriam estar implementando um embargo de armas contra o Irã, proibindo a transferência e o comércio de tecnologia de mísseis e congelando ativos financeiros relevantes”, disse Waltz.
“As disposições da ONU a serem reimpostas não são arbitrárias, mas sim direcionadas especificamente para abordar a ameaça representada pelos programas nucleares, de mísseis e de armas convencionais do Irã, além do apoio contínuo do Irã ao terrorismo”, afirmou.
Waltz acusou tanto a China quanto a Rússia de não quererem um comitê de sanções funcional “porque querem proteger seu parceiro, o Irã, e continuar mantendo a cooperação de defesa que agora está novamente proibida”.
O americano observou que, na semana passada, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) da ONU reiterou que o Irã era o único Estado no mundo sem armas nucleares a ter produzido e acumulado urânio enriquecido a até 60% e havia se recusado a fornecer à AIEA acesso a esse estoque.
Já o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzia, acusou os EUA e seus aliados de terem “criado uma histeria em torno de supostos planos do Irã de obter uma arma nuclear” que nunca foram corroborados por relatórios da AIEA.
“Isso foi feito para empreender mais uma aventura militar contra Teerã e garantir uma grande escalada da situação no Oriente Médio e além”, disse ele.
O representante da China, Fu Cong, chamou Washington de instigador da crise nuclear iraniana e disse que os EUA “recorreram ao uso flagrante da força contra o Irã durante o processo de negociação, o que tornou os esforços diplomáticos inúteis”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, usou o programa nuclear do Irã para justificar a guerra contra o país. Ele disse que o Irã teria uma arma nuclear em duas semanas caso os EUA não tivesse atacado três instalações nucleares importantes em junho de 2025, uma alegação que não é respaldada por avaliações de inteligência do próprio governo americano.
Reino Unido e França disseram ao Conselho de Segurança que a reimposição de sanções ao Irã era justificada pela falha de Teerã em abordar as preocupações sobre seu programa nuclear. A França disse que a AIEA não era mais capaz de garantir a natureza pacífica do programa e que o estoque nuclear de Teerã era suficiente para dez dispositivos nucleares.




