Papa Leão 14 alerta que IA pode gerar conflito e violência – 17/04/2026 – Mundo

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O papa Leão 14 alertou nesta sexta-feira (17) que o avanço da inteligência artificial pode alimentar “conflitos, medo e violência”. A declaração ocorreu durante uma viagem a Camarões e após ataques feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Embora Leão tenha pedido cautela em relação à inteligência artificial diversas vezes desde sua eleição em maio de 2025, seu alerta mais recente surge em meio à reação negativa contra Trump por uma publicação, agora apagada, gerada por IA, que retratava o líder americano como Jesus.

Após celebrar missa em Douala, capital econômica de Camarões, para mais de 120 mil fiéis —o maior evento de sua histórica viagem à África até o momento—, o líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo soou o alarme sobre os perigos da tecnologia.

“O desafio apresentado por esses sistemas é maior do que parece: não se trata apenas do uso de novas tecnologias, mas da substituição gradual da realidade por sua simulação”, disse ele em um discurso para professores e alunos da Universidade Católica da África Central, na capital Yaoundé.

“Dessa forma, a polarização, o conflito, o medo e a violência se espalham. O que está em jogo não é apenas o risco de erro, mas uma transformação em nossa própria relação com a verdade.”

Essa declaração marca a mais recente intervenção contundente do pontífice em sua viagem de 11 dias pela África, na qual ele abandonou sua contenção anterior para fazer apelos pela paz mundial.

Depois que o papa criticou a guerra de EUA e Israel contra o Irã, Trump atacou Leão 14, chamando-o de “fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa”. Em seguida, ele publicou uma imagem gerada por inteligência artificial que parecia retratar a si mesmo como uma figura semelhante a Cristo, a qual ele posteriormente apagou após líderes religiosos o acusarem de blasfêmia.

E logo após Leão denunciar o “punhado de tiranos” que assola o mundo em um discurso na quinta, o presidente americano disse que o papa precisava entender as realidades de um “mundo cruel”.

Longe das críticas de Trump, o papa foi recebido por multidões que o adoravam, cantando e dançando por onde passava em Camarões. Parte da multidão desta sexta havia viajado de longe ou chegado na noite anterior na esperança de vislumbrar o papa em sua missa em Douala.

Acenando com “ramos da paz” e bandeiras do Vaticano, ao som de música coral animada pontuada por percussão, a multidão cantava “Viva o papa!” quando Leo chegou em um papamóvel à esplanada em frente ao estádio em que realizou o evento.

Alguns católicos camaroneses, porém, temem que a visita de Leão possa ajudar o ditador Paul Biya, que governa com mão de ferro desde 1982, a melhorar a sua imagem.

Douala, um dos maiores portos da África Central, esteve entre as cidades que testemunharam uma violenta repressão às manifestações contra a reeleição, em outubro, de um homem que, aos 93 anos, já é o chefe de Estado mais velho do mundo.

Testemunhas relataram que as forças de segurança dispararam munição real contra a multidão. As autoridades reconheceram dezenas de mortes, sem, no entanto, divulgar um número preciso.

Sem mencionar Trump ou Biya nominalmente, o papa fez discursos incisivos ao longo da sua viagem africana, ignorando o apelo do vice-presidente católico dos EUA, J. D. Vance, para que se “atenha a questões de moralidade”.

Em seu discurso sobre inteligência artificial nesta sexta, o papa também condenou a “devastação ambiental” causada pela extração de terras raras essenciais para o impressionante crescimento da tecnologia –um pilar da abordagem do governo Trump para a África.

Leão também exigiu o fim da corrupção na indústria de mineração, por meio da qual potências estrangeiras –principalmente a China– lucram com as riquezas da África enquanto a população local sofre.

Após chegar ao país na quarta-feira, o papa exortou os líderes camaroneses a erradicarem a corrupção e os abusos cometidos em nome da ordem –tudo isso na presença de Biya. A Igreja Católica desempenha um importante papel social em Camarões, onde mais de um terço da população de 30 milhões de pessoas é católica.

Leão encerra sua visita ao país com uma missa na manhã de sábado. Anteriormente, ele esteve na Argélia, país de maioria muçulmana, em uma visita marcada por dois atentados suicidas. O papa segue para Angola antes de encerrar sua viagem de 18 mil km na Guiné Equatorial.



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