O Exército do Paquistão anunciou nesta quinta-feira (5) o fim de uma operação de uma semana contra separatistas no Baluchistão, que nos últimos dias reagiram invadindo órgãos públicos, fazendo reféns, detonando explosivos e travando tiroteios com as forças de segurança.
Maior e mais pobre província do país, a região ficou praticamente paralisada no sábado (31), quando o grupo separatista BLA (Exército de Libertação do Baluchistão) lançou um ataque coordenado ao amanhecer. Seus combatentes invadiram escolas, bancos, mercados e instalações de segurança em toda a região, em uma de suas maiores operações até então.
Imagens da capital provincial, Quetta, e de outras áreas mostram prédios destruídos, alguns arrasados, e tijolos e concreto chamuscados espalhados pelas ruas.
“A situação agora está sob controle, pois não há mais combates na cidade, mas as pessoas estão muito assustadas e preocupadas com sua segurança”, disse à agência de notícias Reuters o morador Nasrullah Khan, 51.
Os militares afirmaram ter “concluído com sucesso” a operação, frustrado ataques separatistas, desmantelado células adormecidas e apreendido armas. Não houve comentários imediatos do BLA nesta quinta.
Segundo o Exército, 216 combatentes foram mortos em toda a conturbada província do sudoeste na operação que começou em 29 de janeiro, dois dias antes dos ataques separatistas. Os militares afirmaram ainda que 22 membros das forças de segurança e 36 civis foram mortos nos confrontos.
Um funcionário do Ministério do Interior provincial apresentou um número maior de mortos, afirmando que 45 membros das forças de segurança e 40 civis foram mortos.
Autoridades de segurança e testemunhas disseram que os insurgentes tomaram prédios governamentais e delegacias de polícia em vários locais e ocuparam a cidade desértica de Nushki por três dias antes de serem expulsos. Foram usados helicópteros e drones para expulsar os combatentes separatistas da cidade.
O funcionário do Ministério do Interior afirmou que as forças de segurança ainda estavam procurando membros do grupo em toda a província: “A polícia e as forças de segurança estão em busca deles. No entanto, as cidades e o governo estão funcionando. A rotina foi restabelecida.”
O Baluchistão, uma província rica em minerais, faz fronteira com o Irã e o Afeganistão e abriga investimentos de Pequim no porto de águas profundas de Gwadar e em outros projetos. A região enfrenta uma insurgência de décadas liderada por separatistas balúchis que buscam maior autonomia e uma parcela maior de seus recursos naturais.
O BLA, que pediu à população da província que apoiasse o movimento, afirmou, sem apresentar provas, que matou 310 soldados durante a Operação “Herof”, ou Tempestade Negra.
O Paquistão culpou a Índia pelos ataques, sem apresentar provas. A acusação poderia agravar as tensões entre os vizinhos, ambos potências nucleares, que travaram seu pior conflito armado em décadas em maio. “A Índia intensificou mais uma vez o terrorismo no Paquistão por meio de seus aliados”, disse o primeiro-ministro Shehbaz Sharif nesta quinta.
O Ministério das Relações Exteriores da Índia rejeitou as acusações e afirmou que Islamabad deveria se concentrar em atender às “demandas antigas de seu povo na região”. A pasta não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a declaração de Sharif.




