
Especialistas da ONU expressaram preocupação com o corte de financiamento federal a serviços jurídicos para crianças desacompanhadas em processos de imigração nos Estados Unidos.
Os peritos independentes disseram estar em contato com a administração norte-americana para abordar estas questões.
Em comunicado, o grupo sublinha que negar representação legal a crianças e forçá-las a enfrentar processos completos sem assistência jurídica constitui uma “grave violação dos direitos das crianças”.
Ao abrigo da Lei de Reautorização da Proteção às Vítimas de Tráfico de 2008, o Gabinete de Reassentamento de Refugiados é responsável pelo cuidado de crianças desacompanhadas. O Departamento de Segurança Interna deve protegê-las contra abusos, exploração e tráfico humano.
A legislação garante ainda acesso a assistência jurídica e impede a remoção acelerada destes menores.
No entanto, a 18 de fevereiro de 2025, o Departamento do Interior dos Estados Unidos suspendeu o financiamento a prestadores de serviços jurídicos sem fins lucrativos que representavam crianças desacompanhadas.
Apesar das ações judiciais interpostas, cerca de 26 mil crianças ficaram sem apoio jurídico e permanecem em risco de deportação.
Adolescentes que participam de um programa de apoio psicosocial baseado em artes num local de recepção de fronteira.
Segundo os especialistas, há relatos de crianças mantidas em celas sem janelas, sem cuidados médicos adequados e separadas dos pais ou responsáveis por longos períodos.
Entre janeiro e agosto de 2025, o tempo médio de custódia aumentou de cerca de um mês para seis meses, enquanto as libertações caíram de aproximadamente 95% para 45%.
Os peritos alertam ainda para denúncias de deportações ilegais de crianças desacompanhadas, incluindo vítimas de tráfico ou menores em risco de exploração.
Algumas crianças terão sido pressionadas a aceitar pagamentos de US$ 2.500 para abdicarem das proteções legais previstas na lei, sob ameaça de detenção por tempo indeterminado.
Os especialistas defendem que todos os processos de imigração e asilo que envolvam menores devem garantir procedimentos judiciais sensíveis às crianças, bem como acesso a recursos administrativos e judiciais contra decisões que afetem sua situação ou a dos seus familiares.
Eles defendem que os processos acelerados só devem ocorrer quando forem compatíveis com o interesse superior da criança.
*Os relatores de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.
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