Com mais de 98% das urnas apuradas nesta sexta-feira (12), os peruanos no Brasil dão vitória a Keiko Fujimori em seu país natal, que acompanha angustiado uma eleição apertada entre a populista de direita e seu adversário, Roberto Sánchez.
Diferentemente da situação interna do Peru, a votação não foi acirrada. Ainda faltam contar mais de 2% dos votos em consulados brasileiros, mas Keiko já conta com 55,7% dos votos, ante 44,31% de Sánchez. Em números absolutos, 2.769 eleitores escolheram a líder, e 2.203, o esquerdista.
A candidata perdeu apenas em Fortaleza e Porto Alegre, embora seja difícil estabelecer uma tendência clara nesses lugares: foram apenas 22 votos no total na cidade do Nordeste, e 123 na capital gaúcha. O local em que Keiko teve a maior porcentagem de votos (74%) foi Goiânia, mas ali também foram poucos eleitores: 77.
São Paulo, a cidade brasileira com mais votos de peruanos nestas eleições (2.831 até esta sexta, com 95,2% das urnas apuradas), também dá vitória a Keiko por enquanto, com 50,8% dos eleitores escolhendo a candidata.
A tendência no Brasil segue os votos de peruanos no exterior em geral, que são a fortaleza de Keiko em eleições que devem ser decididas em alguns milhares de votos. Em todo o exterior, eram 94,6% das urnas apuradas na tarde desta sexta, e 63,4% dos eleitores votaram em Keiko, repetindo o pleito de 2021.
Naquele ano, Keiko, que disputa o segundo turno pela quarta vez seguida, conquistou 66% dos eleitores do exterior, ante 33% que optaram por Pedro Castillo, aliado de Sánchez. Atualmente, o sindicalista está preso por tentar dar um autogolpe de Estado no final de 2022, assim como fez, com sucesso, o pai de Keiko, Alberto Fujimori, em 1992.
A apuração geral está praticamente parada em cerca de 98% das urnas há alguns dias, e, ainda assim, não é possível apontar um vencedor. Pouco mais de 1.500 votos separam os dois candidatos, e a tendência pode ser revertida a favor de ambos: além da contagem no exterior, falta a de algumas zonas rurais, base de Sánchez.
A apuração tem deixado os peruanos em estado de constante alerta.
Na noite do último domingo (7), dia do segundo turno, mais da metade dos votos já haviam sido computados. Naquele momento, Keiko estava à frente, mas com pouca vantagem. No começo da tarde da segunda-feira (8), com mais de 90% das atas apuradas, Sánchez passou a adversária e assumiu a liderança, que durou apenas três dias —na madrugada de quinta (11), após a chegada de mais votos no exterior, a direitista virou o placar de novo.
Durante a campanha para o segundo turno, o presidenciável falou inúmeras vezes que aceitaria os resultados das urnas, em uma tentativa de se afastar do radicalismo de seu padrinho político.
“Como um homem democrático, aceitarei os resultados. O voto dos cidadãos deve ser respeitado, e eu me comprometo a aceitar os resultados. Isto não é um salto no vazio, é democracia”, afirmou, em uma entrevista coletiva, dias antes da votação.
Logo após o pleito, reafirmou sua posição, mas na metade da semana, deixou de responder diretamente se respeitaria os resultados.
“Exorto veementemente que a vontade do povo seja respeitada. Apelo aos órgãos de observação eleitoral para que também testemunhem o que está acontecendo”, afirmou na quarta. Questionado sobre os pareceres de organismos internacionais, que não viram evidências de fraude, Sánchez disse, no mesmo dia, que seu partido havia pedido reuniões com esses órgãos para falar sobre as “coisas estranhas e incomuns” que estavam acontecendo.
Nesta sexta, foi além e disse que vai pedir “uma revisão e recontagem minuciosa dos votos em todos os registros que a legislação permite serem revisados, com pleno respeito às instituições eleitorais e aos regulamentos vigentes”.
“Independentemente de quem vencer no final, a diferença atual é tão pequena que o Peru merece que não haja dúvidas sobre a vontade expressa nas urnas”, afirmou, convidando Keiko para se juntar a essa ação “em defesa da transparência”, em suas palavras.
O candidato à primeira vice-Presidência de Keiko, Luis Galarreta, rechaçou a sugestão. “Apelar a um pacto de transparência significa respeitar as instituições eleitorais e os procedimentos estabelecidos. A lei eleitoral é muito clara”, afirmou, de acordo com a sua assessoria.
Após passar Sánchez, a candidata pediu para que ele aceitasse os resultados. “Devemos agir com muita cautela e responsabilidade. O que importa são os registros oficiais”, afirmou Keiko, cujo partido, o Força Popular, tentou anular em 2021 quase 200 mil votos nas regiões andinas, reduto de Castillo.
O Juntos pelo Peru, partido de Sánchez, lançou mão da mesma estratégia nestas eleições, questionando os resultados em 1.751 seções eleitorais em Lima, onde a candidata teve maioria.
Em meio ao clima incerto, apoiadores do presidenciável estão convocando manifestações para apoiá-lo. “Em nosso país, os cidadãos têm o direito de marchar e expressar suas opiniões. Tudo é garantido, mas isso deve ocorrer dentro dos limites da lei, da Constituição, e com respeito aos demais cidadãos”, afirmou Keiko nesta sexta.




