Por que liguei para o presidente Trump às 4h30 da manhã – 04/01/2026 – Mundo

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Às 4h21 da manhã de sábado, o presidente Donald Trump anunciou nas redes sociais que os Estados Unidos haviam capturado Nicolás Maduro, ditador da Venezuela. Dez minutos depois, Tyler Pager, repórter da Casa Branca do The New York Times, ligou para Trump. Após três toques, os dois estavam conversando.

E, às 9h45 da manhã, Pager estava em Mar-a-Lago, o resort privado e residência de Trump na Flórida, para passar pela revista de segurança antes da coletiva de imprensa do presidente.

Pager compartilhou mais detalhes sobre a ligação e os acontecimentos da manhã de sábado. A seguir, leia destaques da conversa.

Vamos começar do começo. Quando e como você soube do ataque dos EUA na Venezuela, e o que fez em seguida?

Acordei pouco depois da 1h da manhã de sábado, depois que nosso colega Anatoly Kurmanaev, que está na Venezuela, enviou uma mensagem a um grupo de repórteres e editores dizendo que Caracas havia sido bombardeada. Imediatamente comecei a enviar mensagens a fontes para tentar entender o que estava acontecendo. Como a operação ainda estava em andamento, autoridades da Casa Branca e do governo hesitaram em se envolver. Eles não queriam fazer nada que pudesse comprometer a missão.

Meus colegas e eu temos coberto a campanha de pressão do governo Trump contra o governo Maduro há quase um ano, e noticiamos que funcionários do alto escalão estavam elaborando planos que incluíam tentar capturar Maduro. Portanto, quando as explosões foram inicialmente relatadas, tínhamos uma forte sensação de que os Estados Unidos estavam envolvidos. Obtivemos confirmação oficial às 4h21, quando o presidente publicou no Truth Social que os Estados Unidos haviam capturado Maduro e sua esposa e os haviam retirado da Venezuela.

Como alguém liga para o presidente? Você ficou chocado quando ele atendeu, e ele atendeu diretamente ou foi colocado na linha?

Eu simplesmente liguei diretamente para ele e ele atendeu. Não fiquei tão surpreso porque os hábitos telefônicos do presidente são bem documentados —ele atende regularmente ligações de repórteres.

Ele disse “Alô”, e eu fui direto ao ponto. Disse que estava ligando do The New York Times e tinha perguntas sobre a operação.

Você tem o número do celular do presidente Trump. Com que frequência você o usou? Você estabelece um limite para a frequência com que liga?

Esta é a primeira vez que liguei para o presidente no celular dele. Há um limite extremamente alto para falar diretamente com ele, e só liguei depois de consultar Dick Stevenson, o chefe da sucursal de Washington.

Como você decide o que perguntar? Obviamente, você não quer que ele encerre a ligação, mas também quer ser direto para obter informações

Assim que Trump anunciou que os Estados Unidos haviam capturado Maduro, imediatamente tivemos muitas perguntas. As duas maiores eram: o presidente buscou autorização do Congresso para realizar essa missão? Quais seriam os próximos passos para a Venezuela?

Ele costuma dizer para você ligar para a assessoria de imprensa da Casa Branca?

Em nossa breve conversa, ele não reclamou de eu ter ligado. Ao mesmo tempo, ele não respondeu realmente às minhas perguntas, em vez disso me orientou a acompanhar a coletiva de imprensa algumas horas depois.

Você tinha perguntas preparadas? Quanto tempo durou a ligação?

Ao longo das primeiras horas da manhã, eu estava em comunicação constante com Stevenson —assim como com Eric Schmitt, que cobre assuntos militares, e Julian Barnes, que cobre inteligência. Nós três trabalhamos de perto nessa cobertura ao longo do último ano e estávamos tentando entender exatamente o que havia acontecido depois que Anatoly nos alertou sobre as explosões. Então, pouco antes de ligar para o presidente, conversei com os três e preparei uma lista de perguntas. Consegui fazer quatro perguntas —em 50 segundos— antes de o presidente desligar.

O que o fato de ele ter atendido o telefone —e algumas perguntas— lhe diz? Trump conversa com repórteres há décadas, desde a época em que era incorporador imobiliário em Nova York. E sabemos que ele gosta de ser acessível —não apenas a repórteres, mas também a parlamentares, assessores, amigos e líderes estrangeiros. É certamente um estilo diferente do de seus antecessores.

Como comparação, durante meus quatro anos cobrindo a presidência de Joe Biden, nunca tive uma entrevista com ele. E eu tentei! Na verdade, enquanto trabalhava em um livro sobre a eleição presidencial de 2024, encontrei resistência em minhas tentativas de entrevistar Biden depois que ele deixou o cargo. Acabei chegando diretamente a ele pelo celular e, após uma breve entrevista, seus assessores trocaram o número dele.



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