Portugal: Chega fracassa em eleições, aponta boca de urna – 12/10/2025 – Mundo

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A se confirmarem as pesquisas de boca de urna, o Chega, sigla que representa a ultradireita em Portugal, irá amargar um grande fracasso nas eleições autárquicas, que equivalem no Brasil aos pleitos municipais. O partido é o segundo maior na Assembleia da República, o Parlamento português, mas não governava nenhuma cidade do país.

Com a ambição de se consolidar regionalmente, destacou 44 de seus 60 deputados para disputar as câmaras municipais. Até às 20h (de Brasília), no entanto, havia ganho as eleições em apenas três cidades pequenas, entre elas São Vicente, município com menos de 5.000 habitantes na Ilha da Madeira.

O partido comandado por André Ventura apostava suas fichas em algumas lideranças. A principal delas, a deputada Rita Matias, chegou à semana das eleições num empate técnico com os rivais de centro-direita e centro-esquerda em Sintra, segundo maior município de Portugal, atrás apenas de Lisboa. Pedro Pinto, presidente do grupo parlamentar do Chega na Assembleia da República, era o candidato do partido em Faro, capital do Algarve, região onde o partido vem tendo boas votações.

De acordo com as pesquisas de boca de urna, Matias e Pinto naufragaram, ficando num terceiro lugar distante dos candidatos de centro. Os mesmos levantamentos mostraram que o partido não deve eleger ninguém em cidades de médio ou grande porte.

Perguntado em entrevista na televisão se havia ficado decepcionado com o resultado de Sintra, Ventura fugiu da questão: “Nunca vão me ver decepcionado com o povo português”. E arrematou: “Não governávamos em lugar nenhum, agora iremos governar, o que significa que o partido irá entrar numa nova fase”.

O resultado abaixo das expectativas expõe uma característica e uma limitação do Chega. A característica é a dependência de seu líder, André Ventura, reconduzido todos os anos à presidência do partido em eleições internas onde costuma ter mais de 95% dos votos.

Com isso, a sigla se sai bem nos pleitos legislativos, em que Ventura funciona como puxador de votos – as eleições no parlamento português são em lista ordenada previamente. Na ausência de outras lideranças, no entanto, a sigla tem desempenho limitado em eleições regionais ou continentais quando Ventura não aparece na lista de candidatos.

Em junho do ano passado, o líder não se candidatou ao Parlamento Europeu mas, animado pelos bons resultados em eleições legislativa, projetava um desempenho histórico. Abertas as urnas, o Chega elegeu apenas dois de 21 deputados, contra oito do Partido Socialista, de centro-esquerda, e sete do Partido Social Democrata, de centro-direita.

Ventura escolheu como cabeça de lista o ex-embaixador António Tânger Correia, autor de várias gafes e disparates ao longo da campanha. Chegou a dizer que trabalhadores judeus das Torres Gêmeas haviam sido avisados previamente do atentado de 11 de setembro. A bravata antissemita derrubou a votação do partido.

Nas eleições autárquicas deste ano, Ventura novamente não se candidatou – ele irá disputar as eleições presidenciais em janeiro de 2026 – mas urdiu um plano para transferir votos. Espalhou o próprio rosto em outdoors pelo país inteiro, num “template” em que sua fotografia aparecia sempre à direita do candidato local, com o slogan de campanha à esquerda em letras garrafais. O projeto de transferência de votos, no entanto, não se concretizou.

As pesquisas de boca de urna mostravam um empate técnico entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata em Lisboa, em Sintra e no Porto. Ao final da noite o PSD do primeiro-ministro Luís Montenegro acabou saindo vitorioso nas três cidades, reforçando a posição do governo central. O PS comemorou a vitória em municípios tradicionais como Coimbra, Évora e Viseu.

O país que emerge das eleições autárquicas ainda apresenta uma feição bipartidária —dado que a ultradireita, mesmo forte no poder legislativo, não foi capaz de se estabelecer como liderança regional em nenhum canto do país.



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