O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou no último sábado (31) que o novo líder do Departamento de Correção da cidade será Stanley Richards, um ex-detento que se tornou presidente de uma ONG de defesa de prisioneiros.
Primeira pessoa anteriormente encarcerada a liderar o órgão, Richards assumirá o comando em um momento de tensão. Após anos de violência e má gestão na Rikers Island, um presídio em Nova York, um juiz federal recentemente nomeou Nicholas Deml, ex-agente da CIA, a agência de inteligência americana, para supervisionar o complexo, um dos maiores do mundo.
Como comissário de correção, Richards enfrentará uma série de problemas no sistema prisional da cidade, como o número crescente de mortes sob custódia e o prazo iminente para fechar a Rikers Island. Além disso, precisará lidar com uma nova estrutura de poder que limita a autoridade do comissário e do prefeito sobre as prisões.
“Recorrerei a Stanley enquanto trabalhamos para construir uma cidade onde a justiça esteja no centro do nosso sistema correcional, no qual cada funcionário do Departamento de Correção e cada nova-iorquino encarcerado esteja seguro”, disse Mamdani durante uma entrevista coletiva no Museu de Artes do Bronx.
Ele substituirá Lynelle Maginley-Liddie, nomeada pelo também democrata Eric Adams, prefeito de Nova York de 2022 a 2026. O novo comissário foi preso décadas atrás na Rikers Island e passou a maior parte de sua carreira na Fortune Society, uma organização sem fins lucrativos que apoia ex-detentos em sua reintegração à sociedade. De acordo com o grupo, Richards começou a trabalhar lá em 1991 como conselheiro e, mais recentemente, tornou-se presidente.
A prisão de Rikers Island está sob supervisão federal desde 2015, quando a cidade concordou em fazer um acordo extrajudicial em uma ação coletiva. O acordo focou em reduzir o uso da força na prisão e minimizar a violência, que assola o local há anos. Na mesma época, a juíza federal Laura Taylor Swain nomeou um monitor para supervisionar os avanços no acordo.
Em maio do ano passado, no entanto, Laura ordenou que a prisão fosse retirada do controle da cidade e colocada sob a direção de um gerente de remediação que se reportaria diretamente a ela. Na semana passada, ela nomeou Deml, o ex-agente da CIA que liderou o Departamento de Correções de Vermont, para o cargo, que terá “amplos poderes”, segundo ela.
Deml trabalhará com Richards no desenvolvimento de um plano de melhorias para a prisão, mas também terá funções tradicionalmente atribuídas ao comissário, disse Laura. O ex-agente da CIA poderá contratar e demitir pessoal, mudar políticas e, se descobrir que contratos estabelecidos estão impedindo seus esforços, solicitar ao tribunal que os anule.
Além da alteração na estrutura de poder, Richards enfrentará um prazo que se aproxima rapidamente para fechar a Rikers Island e substituí-la por quatro prisões menores baseadas nos distritos, uma iniciativa que ele supervisionou em seu cargo anterior no Departamento de Correção. De acordo com uma lei aprovada pelo Conselho Municipal em 2019, Rikers deve ser fechada até agosto de 2027, embora seja improvável que a cidade cumpra esse prazo.
O custo estimado para as quatro prisões subiu para US$ 15,5 bilhões, um valor exorbitante que surge em um momento em que Nova York enfrenta um déficit orçamentário, segundo o controlador da cidade.
Em seu discurso no sábado, Richards apresentou um plano de reforma para o departamento. Ele falou em tornar as prisões da cidade mais seguras e em construir presídios baseados nos distritos que “priorizem dignidade, oportunidade e humanidade”. Também se comprometeu a aumentar o acesso a serviços sociais para detentos que retornam à sociedade.
O anúncio do sábado recebeu aceno do sindicato que representa agentes penitenciários. “Estamos prontos, dispostos e aptos a nos reunir e trabalhar com qualquer pessoa, desde que respeitem os direitos de nossos agentes penitenciários”, disse Benny Boscio, presidente da Associação Benevolente de Agentes Penitenciários, em um comunicado.




