O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deve anunciar sua renúncia na próxima segunda-feira (22) e apresentar um cronograma para deixar o cargo, segundo informações publicadas pelo jornal britânico The Observer.
Starmer passou os últimos dias discutindo seu futuro político com familiares em sua residência oficial de campo, em Chequers, segundo o jornal.
A crise ganhou força após a vitória eleitoral de seu rival dentro do Partido Trabalhista, Andy Burnham, em uma eleição realizada nesta semana. Prefeito de Manchester e um dos políticos mais populares do campo trabalhista, Burnham conquistou uma cadeira no Parlamento, o que lhe permite lançar uma candidatura formal à liderança.
A contestação à liderança de Starmer vem aumentando há meses, mas ganhou novo impulso nos últimos dias. Mais de cem parlamentares trabalhistas —cerca de um quarto da bancada do partido na Câmara dos Comuns— já declararam publicamente que desejam sua renúncia ou, ao menos, a definição de uma data para sua saída.
Parlamentares ouvidos pela imprensa britânica afirmam que o número de deputados dispostos a apoiar uma candidatura de Burnham pode ser ainda maior. Um parlamentar estimou que aproximadamente 200 integrantes da legenda estariam preparados para assinar os documentos necessários para formalizar uma disputa pela liderança.
A insatisfação também alcançou figuras históricas do Partido Trabalhista. Os veteranos David Blunkett e Harriet Harman defenderam publicamente uma transição organizada para uma nova liderança. Segundo fontes partidárias, caso Starmer não apresente uma solução até o início da semana, a pressão deverá se tornar explícita na próxima reunião de gabinete.
Apesar das especulações, Starmer tem rejeitado a ideia de deixar o cargo. Na sexta-feira (19), ele telefonou para integrantes do governo para reafirmar sua intenção de permanecer como primeiro-ministro.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de uma disputa interna, o líder trabalhista afirmou que pretende concorrer caso seja desafiado.Starmer também advertiu que uma batalha pela liderança poderia mergulhar o país em instabilidade política e pediu que o partido evitasse divisões internas.




