Um avião do Exército da Colômbia com 125 militares a bordo caiu nesta segunda-feira (23) ao decolar de Puerto Leguízamo, no sul da região amazônica do país, perto da fronteira com o Peru.
Um militar informou à agência de notícias AFP ainda na noite desta segunda que ao menos 66 pessoas morreram. Entre elas, estão 58 soldados, seis membros da Força Aérea e dois policiais. Essa pessoa não confirmou a atualização no número de feridos.
Jhon Gabriel Molina, governador do departamento de Tupumayo, onde fica Puerto Leguízamo, havia confirmado anteriormente 34 mortes. O número de feridos, naquele momento, chegava a 70; 48 deles foram levados ao hospital militar central em Bogotá e outras 22 recebem tratamento em Puerto Leguízamo e na cidade de Florencia. A situação dos outros 21 militares a bordo ainda era desconhecida.
Inicialmente, o major-general Fernando Silva (equivalente a general de divisão no Brasil) afirmou que o avião tinha 114 passageiros e 11 tripulantes, com 48 feridos resgatadas dos destroços da aeronave, um Hercules C-130 da Lockheed Martin.
Algumas horas depois, o presidente do país, Gustavo Petro, anunciou em publicação no X que havia 1 morto e 77 feridos que foram levados a um hospital.
“O aeroporto [de Puerto Leguízamo] é pequeno e há grandes dificuldades” para a retirada das vítimas, disse Molina mais cedo, em vídeo compartilhado no Facebook.
O prefeito de Puerto Leguízamo, Luis Emilio Bustos Morales, também se referiu às condições do aeroporto do município afirmando que há vários problemas. “O aeroporto de Leguízamo tem condições particulares, muitas deficiências. Acreditamos que a pista seja muito curta”, disse.
Ele, porém, afirmou que ainda não era possível estabelecer se esse foi um fator relacionado ao acidente, que ainda não teve sua causa determinada. “Não posso dizer que o acidente tenha acontecido por isso, mas certamente nos faz um chamado à reflexão”, afirmou, segundo o portal Caracol Noticias.
Antes, o ministro da Defesa, Pedro Arnulfo, prestou condolências às famílias das vítimas ao confirmar o acidente. “Expresso minhas mais sinceras condolências aos familiares dos afetados e, em respeito à sua dor, faço um apelo para evitar especulações até que haja informações oficiais”, disse. “É um evento profundamente doloroso para o país. Que nossas orações acompanhem e aliviem, ao menos em parte, a dor.”
O ministro colombiano afirmou ainda que “não há indícios de um ataque por atores ilegais”. “Como consequência do incêndio na aeronave, parte da munição transportada pela tropa foi detonada.”
Petro afirmou em um post no X que o acidente “nunca deveria ter acontecido”. Ele criticou supostos obstáculos burocráticos que teriam atrasado seus planos de modernizar as Forças Armadas. “Ao contrário das informações da imprensa, a força militar vem perdendo capacidade há 15 anos”, afirmou.
Os aviões Hercules C-130 foram lançados pela primeira vez na década de 1950, e a Colômbia adquiriu seus primeiros modelos no final dos anos 1960. Mais recentemente, o país modernizou algumas aeronaves mais antigas com modelos mais novos enviados pelos Estados Unidos, sob uma lei que permite a transferência de equipamentos militares usados ou excedentes.
Um porta-voz da Lockheed Martin afirmou que a empresa expressou suas condolências aos afetados pelo acidente e que está comprometida em ajudar a Colômbia na investigação do incidente.
No final de fevereiro, outro Hercules C-130, pertencente à Força Aérea Boliviana, caiu na cidade de El Alto, por pouco não atingindo um quarteirão residencial. Mais de 20 pessoas morreram no incidente e outras 30 ficaram feridas.
Segundo as autoridades locais, a aeronave militar havia partido da cidade de Santa Cruz e caiu após o pouso, derrapando para fora da pista e invadindo uma avenida próxima.




