Relembre intervenções dos EUA na América Latina – 10/12/2025 – Mundo

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Ao realizar a maior mobilização militar dos Estados Unidos na América Latina em décadas com o objetivo implícito de derrubar a ditadura da Venezuela, o presidente Donald Trump mantém vivo o longo histórico de Washington de intervenções e apoio a golpes nos países do continente.

As interferências são constantes desde que a Guerra Mexicana-Americana, em 1846, provou que a capacidade industrial dos EUA tornara o país mais poderoso que todas as nações recém-independentes da América Latina.

Inicialmente buscando se projetar como poder imperialista aos moldes das potências europeias da época, a natureza das intervenções americanas mudou na Guerra Fria, assumindo roupagem anticomunista. Ela se transformou novamente no fim do século 20, quando justificativas contra o tráfico de drogas começaram a aparecer.

Veja abaixo os principais momentos em que Washington realizou intervenções militares nas Américas.

Colonos americanos começaram a ocupar o Texas, então território mexicano no início do século, buscando estabelecer ali um novo estado dos EUA. Quando Washington anexou a região, os países entraram em guerra, que foi rapidamente vencida pelo Exército americano. Com o fim do conflito, os EUA forçaram o México a ceder o território que hoje compreende Califórnia, Texas, Novo México, Utah, Nevada e Arizona, além de partes de outros.

Durante a guerra Hispano-Americana, Washington buscou conquistar as colônias do Império Espanhol com o objetivo de rivalizar em poder e influência com as grandes potências europeias, que na época expandiam seu domínio na África e na Ásia. Com a vitória dos EUA, Madri cedeu Porto Rico e as Filipinas diretamente a Washington e concedeu independência a Cuba. A ilha foi ocupada por soldados americanos até 1902, e depois entre 1906 e 1909.

Após intervenção dos EUA, a Colômbia é obrigada a ceder o Panamá, que se torna um país independente e permite que o governo americano inicie a construção do Canal do Panamá. A zona portuária ficaria sob controle direto de Washington até 1999.

Com o objetivo de proteger os interesses de empresas americanas que cultivavam frutas no país, em especial a United Fruit Company, os EUA ocuparam a Nicarágua de 1912 a 1933, reprimindo movimentos de resistência de nicaraguenses.

1913-1915: México

Durante a Revolução Mexicana, setores liberais e de esquerda da sociedade derrubaram a ditadura de Porfirio Díaz, colocando no poder Francisco Madero. Temendo que o governo nacionalizasse ferrovias e minas de investidores americanos, os EUA organizaram um violento golpe para derrubar Madero do poder que tornou a Cidade do México um campo de batalha por dez dias e inaugurou o regime repressivo do general Victoriano Huerta.

Com o aumento na perseguição de opositores e na violência, Washington se voltou contra Huerta, apoiando os rebeldes liderados por Pancho Villa e ocupando o porto de Veracruz. Quando a coalizão de Villa foi vitoriosa, os EUA mudaram de ideia novamente, perseguindo o líder rebelde por anos no norte do México, sem sucesso.

1915-1934: Haiti

A economia do Haiti passou boa parte do século 19 e início do século 20 devastada pelos pesados pagamentos à França como indenização por sua independência e fim da escravatura. Quando Porto Príncipe se voltou aos Estados Unidos para conseguir investimento e financiamento, Washington decidiu tomar controle do sistema financeiro haitiano, levando a uma ocupação que durou décadas.

Durante o período, soldados americanos reprimiram resistência à ocupação, declararam lei marcial, criaram campos de concentração, instituíram um sistema de trabalho forçado e utilizaram a população haitiana para testar novas armas de guerra, como aviões.

1917-1922: Cuba

Para proteger interesses de americanos que investiram em plantações de açúcar em Cuba, os EUA voltaram a ocupar a ilha caribenha.

Já no contexto da Guerra Fria, os EUA apoiaram e a CIA instrumentalizou o golpe que derrubou o presidente democraticamente eleito Jacobo Árenz, inaugurando uma ditadura militar e uma guerra civil que duraria até 1996. O conflito devastou o país e matou até 200 mil pessoas, segundo estimativas.

A CIA agiu para derrubar o governo democraticamente eleito do Equador depois que o presidente José Ibarra se recusou a romper com Cuba.

Seu substituto, o vice-presidente Carlos Julio Arosemena Monroy, também não cooperou da forma que os americanos esperaram, e em 1963 os EUA realizaram outro golpe, colocando no poder uma junta militar. Entre outras medidas, a ditadura baniu partidos comunistas no país.

1961: Cuba

Em uma das intervenções mais conhecidas dos EUA na América Latina, a CIA armou e treinou cubanos exilados em Miami com o objetivo de derrubar Fidel Castro. No governo John F. Kennedy, Washington enviou os paramilitares à Baía dos Porcos, invasão que fracassou e terminou com centenas de mortos e 1.200 cubanos anticomunistas capturados.

Nas décadas seguintes, além de impor contra Cuba o embargo que dura até hoje, a CIA tentou assassinar Fidel muitas vezes, sem sucesso.

1961-1964: Guiana

A CIA fraudou as primeiras eleições da Guiana independente a fim de evitar a chegada ao poder de um presidente de esquerda durante o processo de descolonização do então território britânico. Com o apoio do Reino Unido, os EUA interferiram na política do país sul-americano a fim de evitar que partidos de esquerda ganhassem força.

1964: Brasil

Por meio da operação Brother Sam, os EUA deslocaram um porta-aviões para apoiar o golpe militar no Brasil que derrubou o presidente João Goulart. As Forças Armadas americanas mantiveram contato com o general Humberto Castelo Branco, que seria o primeiro presidente do regime militar, e ofereceram apoio caso houvesse resistência ao golpe.

A ditadura no Brasil durou até 1985 e foi marcada por torturas, desaparecimentos forçados, assassinatos por forças do Estado, censura e repressão da oposição.

Depois que um golpe derrubou o presidente progressista Juan Bosh, os EUA ocuparam a República Dominicana para pôr fim a uma guerra civil que poderia colocar um partido socialista no poder. Temendo uma repetição da Revolução Cubana, Washington agiu para garantir que a esquerda não saísse fortalecida do conflito.

Após a vitória do socialista Salvador Allende nas eleições de 1970 no Chile, o governo de Richard Nixon ordenou uma guerra econômica contra o país. A campanha resultou no golpe militar de Augusto Pinochet em 1973, que teve apoio de Washington.Em 11 de setembro de 1973, as forças de Pinochet bombardearam o palácio La Moneda, matando Allende e tomando o poder.

A ditadura chilena duraria até 1990, e estimativas apontam que cerca de 3.000 pessoas forma mortas e dezenas de milhares torturadas no período.

Ao defender as ações dos EUA no país, o então secretário de Estado Henry Kissinger disse: “Não vejo porque deveríamos assistir um país se tornar comunista graças à irresponsabilidade de seu povo. A questão é importante demais para deixar que os eleitores chilenos decidam por si mesmos.”

Assim como no Brasil e no Chile, os EUA apoiaram o golpe que deu início à ditadura na Argentina a fim de evitar que o país fosse governado por uma esquerda simpática à União Soviética. Nesse período, Washington também financiou a chamada Escola das Américas, que treinou agentes de repressão das ditaduras do Cone Sul em técnicas de tortura que foram usadas pelos regimes.

1981-1990: Nicarágua

Em um dos escândalos políticos mais conhecidos dos anos 1980, o governo Ronald Reagan violou um embargo internacional de armas contra o Irã e vendeu de forma secreta armamentos ao país a fim de financiar os Contras, grupos paramilitares que combatiam a Revolução Sandinista na Nicarágua.

Mesmo depois que o Congresso americano aprovou uma lei proibindo o financiamento dos Contras, graças a abusos de direitos humanos cometidos pelos anticomunistas, o governo Reagan continuou a apoiar os grupos.

1983: Granada

EUA invadem a pequena ilha de Granada, no Caribe, para evitar a construção de um aeroporto que poderia ser usado pela União Soviética.

1989: Panamá

Após apoiar o ditador Manuel Noriega, os EUA se voltam contra ele depois de revelações na imprensa americana de sua ligação com o tráfico de drogas. Soldados americanos ocupam o país e destituem Noriega.

2025: Venezuela

Donald Trump lidera uma campanha militar a fim de pressionar Maduro a deixar o poder.



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