Os resultados de uma autópsia independente realizada em Renée Good, descritos pelo escritório de advocacia que representa sua família, mostram que a mãe de três filhos sofreu ferimentos a bala no braço esquerdo, no seio direito e na cabeça.
Os resultados parecem coincidir com os detalhes divulgados pelo Corpo de Bombeiros de Minneapolis na semana passada, referentes aos funcionários que encontraram Good, 37, sangrando no banco da frente de seu SUV após ser baleada por um agente do ICE há pouco mais de duas semanas.
A autópsia particular, que o escritório de advocacia não divulgou publicamente, mostra que uma bala atravessou o antebraço esquerdo de Good, outra entrou e saiu pelo seio direito e uma terceira entrou pelo lado esquerdo da cabeça, perto da têmpora, e saiu pelo outro lado, segundo o escritório. Um quarto ferimento, cuja localização não foi especificada, pode ter sido resultado de um dos projéteis a atingindo de raspão, afirmou o escritório.
Na manhã de 7 de janeiro, Good e sua companheira, Rebecca, haviam acabado de deixar o filho de 6 anos de Renée na escola quando pararam para protestar contra uma operação do ICE no bairro. Eles posicionaram seu carro do outro lado da rua, a alguns quarteirões de sua casa. Várias testemunhas gravaram vídeos mostrando agentes do ICE ordenando que Good saísse do carro. Ela dá ré, vira o volante para a direita e então segue em frente. Um agente parado na frente do veículo dispara três tiros contra o para-brisa e a janela aberta do lado do motorista enquanto Good passa.
Autoridades federais disseram que o agente, Jonathan Ross, atirou em legítima defesa. Eles chamaram Good de “terrorista doméstica”. Sua morte, durante a maior de várias operações do ICE realizadas pelo governo Trump, provocou indignação nacional e dias de protestos.
O Departamento de Justiça intimou esta semana autoridades de Minnesota, incluindo o governador Tim Walz, o procurador-geral Keith Ellison e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, que foram acusados de obstrução —os três são democratas. Autoridades federais também se recusaram a colaborar com as forças policiais estaduais e locais, que iniciaram sua própria investigação sobre o tiroteio que vitimou Good.
Os familiares dela solicitaram que o escritório de advocacia que os representa, Romanucci & Blandin, de Chicago, encomendasse uma autópsia independente. Antonio Romanucci, um dos sócios fundadores do escritório, fez parte da equipe jurídica que representou a família de George Floyd após ele ter sido morto por um policial de Minneapolis.
O Instituto Médico Legal do Condado de Hennepin ainda não divulgou os resultados da autópsia de Good. Segundo funcionários, a publicação da causa e da forma da morte em seu site pode levar até 12 semanas. Os advogados de Good afirmaram na quinta-feira (22) que ainda não haviam recebido o laudo oficial da autópsia.
Como parte da investigação de direitos civis sobre as circunstâncias da morte de Good, o escritório de advocacia também está realizando um exame forense do local do crime para determinar a trajetória dos disparos e onde as balas atingiram a mulher.




