Silêncio internacional cerca denúncias de violência sexual contra palestinos em prisões israelenses – 12/05/2026 – Mundo

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É uma proposição simples: quaisquer que sejam nossas visões sobre o conflito no Oriente Médio, deveríamos ser capazes de nos unir para condenar o estupro.

Apoiadores de Israel defenderam esse ponto após os brutais ataques sexuais contra mulheres israelenses durante o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 contra Israel. Donald Trump, Joe Biden, Binyamin Netanyahu e muitos senadores americanos, incluindo Marco Rubio, condenaram essa violência sexual, e Netanyahu corretamente pediu que “todos os líderes civilizados se manifestassem”.

E, no entanto, em entrevistas dilacerantes, palestinos relataram a mim um padrão disseminado de violência sexual israelense contra homens, mulheres e até crianças —cometida por soldados, colonos, interrogadores da agência de segurança interna Shin Bet e, acima de tudo, guardas prisionais.

Não há evidências de que líderes israelenses ordenem estupros. Mas, nos últimos anos, eles construíram um aparato de segurança no qual a violência sexual se tornou, como definiu um relatório das Nações Unidas no ano passado, um dos “procedimentos operacionais padrão” de Israel e “um elemento central nos maus-tratos aos palestinos”. Um relatório divulgado no mês passado pelo Euro-Med Human Rights Monitor, grupo de advocacy sediado em Genebra frequentemente crítico a Israel, conclui que Estado judeu emprega “violência sexual sistemática, amplamente praticada como parte de uma política estatal organizada”.

Como é esse “procedimento operacional padrão”? Sami al-Sai, 46, jornalista freelancer, diz que, ao ser levado para uma cela após sua detenção em 2024, um grupo de guardas o jogou no chão.

“Todos estavam me batendo, e um pisou na minha cabeça e no meu pescoço”, contou. “Alguém puxou minhas calças para baixo. Baixaram minha cueca.” Então um dos guardas pegou um cassetete de borracha usado para espancar prisioneiros.

“Eles tentavam forçá-lo no meu reto, e eu me contraía para impedir, mas não conseguia”, disse ele, falando com ansiedade crescente. “Era muito doloroso.” Os guardas riam dele, afirmou. “Então ouvi alguém dizer: ‘Me dê as cenouras’”, relembrou, acrescentando que depois usaram uma cenoura. “Foi extremamente doloroso”, disse. “Eu rezava pela morte.”

Al-Sai afirmou que estava vendado e ouviu alguém dizer em hebraico, idioma que entende: “não tirem fotos”. Isso sugeriu a ele que alguém havia pegado uma câmera. Uma das guardas era uma mulher que, segundo ele, agarrou seu pênis e seus testículos, brincando: “estes são meus”, antes de apertá-los até que ele gritasse de dor.

Os guardas o deixaram algemado no chão, e ele sentiu cheiro de cigarro. “Percebi que era a pausa para fumar deles”, disse.

Depois de ser jogado na cela, concluiu que o local onde havia sido estuprado já tinha sido usado antes, porque encontrou vômito, sangue e dentes quebrados de outras pessoas esmagados contra sua pele.

Al-Sai afirmou que havia sido pressionado a se tornar informante da inteligência israelense e acredita que o objetivo de sua prisão e encarceramento sob o sistema de detenção administrativa era forçá-lo a concordar. Por se orgulhar de seu profissionalismo jornalístico, disse, recusou.

Passei a carreira cobrindo guerras, genocídios e atrocidades, incluindo estupros, às vezes em lugares onde a escala da violência sexual é muito maior do que qualquer coisa cometida por terroristas do Hamas ou guardas e colonos israelenses. No conflito de Tigré, na Etiópia, há alguns anos, talvez 100 mil mulheres tenham sido estupradas. Estupros em massa também ocorrem atualmente no Sudão.

Ainda assim, nossos dólares de impostos subsidiam o aparato de segurança israelense, portanto esta é uma violência sexual da qual os Estados Unidos são cúmplices.

Passei a me interessar por denúncias de agressões sexuais contra prisioneiros palestinos depois que Issa Amro, ativista não violento às vezes chamado de “Gandhi palestino”, me contou, numa visita anterior, que havia sido agredido sexualmente por soldados israelenses e acreditava que isso era comum, mas subnotificado por vergonha.

Segundo uma contagem, Israel deteve 20 mil pessoas apenas na Cisjordânia desde os ataques do 7 de Outubro, e mais de 9 mil palestinos continuavam presos até este mês. Muitos não foram formalmente acusados, mas detidos sob justificativas vagas de segurança, e desde 2023 a maioria foi impedida de receber visitas da Cruz Vermelha e de advogados.

“As forças israelenses empregam sistematicamente estupro e tortura sexual para humilhar mulheres palestinas detidas”, afirmou o relatório da Euro-Med. O documento cita uma mulher de 42 anos que disse ter sido algemada nua a uma mesa metálica enquanto soldados israelenses mantinham relações sexuais à força com ela durante dois dias, enquanto outros soldados filmavam os ataques. Depois, afirmou ela, mostraram fotos do estupro e disseram que seriam divulgadas caso não colaborasse com a inteligência israelense.

É impossível saber quão comuns são os ataques sexuais contra palestinos. Minha apuração para este artigo se baseia em conversas com 14 homens e mulheres que disseram ter sido agredidos sexualmente por colonos israelenses ou integrantes das forças de segurança. Também falei com familiares, investigadores, autoridades e outras pessoas.

Encontrei essas vítimas perguntando a advogados, grupos de direitos humanos, trabalhadores humanitários e palestinos comuns. Em muitos casos, foi possível corroborar parcialmente os relatos conversando com testemunhas ou, mais frequentemente, com pessoas a quem as vítimas haviam confiado suas histórias, como familiares, advogados e assistentes sociais; em outros casos isso não foi possível, talvez porque a vergonha levasse as pessoas a relutarem em admitir abusos até para entes queridos.

A organização Save the Children encomendou no ano passado uma pesquisa com crianças de 12 a 17 anos que estiveram detidas por Israel; mais da metade relatou ter testemunhado ou sofrido violência sexual. A entidade afirmou que o número real provavelmente é maior, porque o estigma leva alguns a não reconhecer o que lhes aconteceu.

O Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), respeitada entidade americana, entrevistou 59 jornalistas palestinos libertados por autoridades israelenses após os ataques do 7 de Outubro. Três por cento disseram ter sido estuprados, e 29% afirmaram ter sofrido outras formas de violência sexual.

O governo israelense rejeita sugestões de que abuse sexualmente de palestinos, assim como o Hamas negou ter estuprado mulheres israelenses. Israel acolheu um relatório das Nações Unidas que documentava agressões sexuais contra mulheres israelenses por palestinos, mas rejeitou o pedido do documento para investigar ataques israelenses contra palestinos. Netanyahu denunciou “acusações infundadas de violência sexual” feitas contra Israel.

O Ministério da Segurança Nacional de Israel se recusou a comentar. O serviço prisional “rejeita categoricamente as acusações” de abuso sexual, disse um porta-voz que pediu anonimato, acrescentando que as denúncias são “examinadas pelas autoridades competentes”. O porta-voz se recusou a dizer se algum funcionário prisional já havia sido demitido ou processado por agressões sexuais.

Os palestinos que entrevistei relataram vários tipos de abuso além do estupro. Muitos disseram que frequentemente tinham os genitais puxados ou eram espancados nos testículos. Detectores manuais de metal eram usados para sondar entre as pernas nuas de homens e depois golpeados contra suas partes íntimas; alguns homens tiveram de amputar os testículos após espancamentos, segundo o monitor Euro-Med.

Uma razão para esses abusos receberem pouca atenção são as ameaças feitas pelas autoridades israelenses, que periodicamente alertam prisioneiros libertados a permanecer em silêncio, segundo palestinos libertados. Outra razão, disseram sobreviventes palestinos, é que a sociedade árabe desencoraja discutir o tema por medo de prejudicar o moral das famílias dos prisioneiros e enfraquecer a narrativa palestina de detentos heroicos e resistentes.

Normas sociais conservadoras também inibem a discussão: duas vítimas me disseram que um prisioneiro admitir ter sido estuprado prejudicaria as chances de suas irmãs e filhas encontrarem marido.

Um agricultor inicialmente concordou em permitir que eu usasse seu nome neste artigo. Libertado no início deste ano após meses em detenção administrativa —sem qualquer acusação formal— ele relatou o que afirmou ter ocorrido num dia do ano passado: meia dúzia de guardas o imobilizou segurando seus braços e pernas enquanto baixavam suas calças e roupa íntima e introduziam um bastão metálico em seu ânus. Os estupradores riam e comemoravam, disse.

Horas depois, contou, desmaiou e foi levado à clínica da prisão. Quando acordou, afirmou, foi estuprado mais uma vez, novamente com o bastão metálico.

“Eu estava sangrando”, relembrou. “Desmoronei completamente. Estava chorando.”

Depois de voltar à cela, disse ter pedido papel e caneta a um guarda para registrar uma denúncia sobre os ataques. O pedido foi negado. E naquela noite um grupo de guardas apareceu na cela.

“Quem é o que quer fazer uma denúncia?”, zombou um deles, segundo o agricultor, enquanto outro o apontava. “O espancamento começou imediatamente”, recordou. Em seguida, afirmou, eles o estupraram pela terceira vez naquele dia com o bastão.

Ele lembra de um deles dizendo: “Agora você tem ainda mais para colocar na sua denúncia.”

Poucos dias após minha entrevista com ele, o agricultor telefonou para dizer que afinal não queria que seu nome fosse usado. Havia acabado de receber uma visita do Shin Bet, que o alertou para não criar problemas, e também temia a reação negativa de sua família à exposição.

“O abuso sexual desenfreado de prisioneiros palestinos existe; foi normalizado”, afirmou Sari Bashi, advogada israelo-americana de direitos humanos e diretora executiva do Comitê Público contra a Tortura em Israel. “Não vejo evidências de que tenha sido ordenado. Mas há evidências persistentes de que as autoridades sabem que isso acontece e não estão impedindo.”

Outro advogado israelense, Ben Marmarelli, me disse que, com base nas experiências dos detentos palestinos que representou, o estupro de prisioneiros com objetos “acontece em larga escala”.

Bashi afirmou que sua organização apresentou centenas de denúncias detalhando abusos horríveis contra detentos palestinos —e em nenhum caso isso levou à apresentação de acusações formais. A impunidade, disse ela, cria um “sinal verde” para abusadores.

Processos judiciais e atenção pública podem conter esse tipo de violência. Em 1997, policiais de Nova York estupraram o imigrante haitiano Abner Louima com um bastão de maneira tão brutal que ele precisou ser hospitalizado e submetido a cirurgias. Nova-iorquinos ficaram indignados, o prefeito Rudy Giuliani visitou Louima no hospital e policiais foram processados num caso histórico. Isso enviou uma poderosa mensagem à corporação policial: agentes que agridem detentos podem ser punidos. E essa é a mensagem que precisa ser transmitida às forças de segurança israelenses.

Se o governo Trump insistisse na retomada das visitas da Cruz Vermelha a prisioneiros, se o embaixador americano visitasse sobreviventes de estupro acompanhado de câmeras, se condicionássemos transferências de armas ao fim das agressões sexuais, poderíamos enviar uma mensagem moral e prática de que violência sexual é inaceitável independentemente da identidade da vítima. Para começar, o embaixador poderia garantir que os palestinos que ousaram falar para este artigo não sejam brutalizados novamente por causa de sua coragem.

Como esse tipo de violência acontece? Décadas cobrindo conflitos me ensinaram que uma combinação de desumanização e impunidade pode empurrar pessoas para um estado hobbesiano de natureza. Vi essa deriva rumo à selvageria em campos de extermínio do Congo ao Sudão e a Mianmar, e acredito que isso também explica, em parte, como soldados americanos passaram a abusar sexualmente de prisioneiros em Abu Ghraib.

A realidade brutal é que, quando não há consequências, nós humanos somos capazes de imensa depravação contra aqueles que aprendemos a desprezar como subumanos.

Itamar Ben-Gvir [ministro de Segurança Nacional de Israel] chamou detentos de “escória” e “nazistas” e se gabou de endurecer as condições prisionais para palestinos. Quando tais atitudes prevalecem, o abuso sexual pode se tornar mais uma ferramenta para infligir dor e humilhação aos palestinos.

Ben-Gvir recusou, por meio de um porta-voz, comentar os ataques sexuais cometidos por serviços de segurança.

A B’Tselem, organização de direitos humanos israelense, documentou “um grave padrão de violência sexual” contra palestinos. Citou o relato de um prisioneiro de Gaza, Tamer Qarmut, que afirmou ter sido estuprado com um bastão. A tortura, disse a B’Tselem, “se tornou uma norma aceita”.

Um ex-oficial israelense numa enfermaria prisional descreveu em depoimento ao grupo israelense Breaking the Silence (quebrando o silêncio) o que esse tipo de aceitação significa na prática: “Você vê pessoas normais, bastante comuns, chegando a um ponto em que abusam de outras por diversão, nem sequer por interrogatório ou qualquer outra razão. Por diversão, para ter algo para contar aos colegas, ou por vingança.”

A maior parte dos estupros e de outras violências sexuais foi direcionada contra homens, até porque mais de 90% dos prisioneiros palestinos são homens. Mas conversei com uma mulher palestina presa aos 23 anos após o ataque do Hamas em outubro de 2023. Ela disse que os soldados que a prenderam ameaçaram estuprá-la, bem como sua mãe e sua sobrinha pequena. Seu calvário prisional começou com uma revista íntima conduzida por guardas mulheres, “mas então um soldado homem entrou quando eu estava completamente nua”, acrescentou.

Nos dias seguintes, afirmou, foi repetidamente despida, espancada e revistada por equipes compostas por guardas homens e mulheres. O padrão era sempre o mesmo: vários guardas, homens e mulheres juntos, entravam na cela, arrancavam suas roupas à força, algemavam suas mãos para trás e a dobravam para frente pela cintura, às vezes forçando sua cabeça dentro do vaso sanitário. Nessa posição, dizia, era espancada e apalpada pelo corpo inteiro.

“Eles colocavam as mãos em todo o meu corpo”, afirmou. “Para ser sincera, eu não sei se me estupraram”, disse, porque às vezes perdia a consciência devido às agressões.

Quando estava prestes a ser libertada, contou, foi chamada para uma sala com seis autoridades e recebeu uma advertência severa para nunca conceder entrevistas.

“Eles ameaçaram dizendo que, se eu falasse, me estuprariam, me matariam e matariam meu pai”, disse. Não surpreende que tenha recusado ter seu nome publicado neste artigo.

Parte dos piores abusos sexuais parece ter sido dirigida a prisioneiros vindos de Gaza. Um jornalista do território palestino compartilhou comigo o relato dos abusos que sofreu após ser detido em 2024.

“Ninguém escapava das agressões sexuais”, disse. “Nem todos eram estuprados, eu diria, mas todos passavam por agressões sexuais humilhantes e imundas.” Em certa ocasião, afirmou, guardas prenderam seus testículos e pênis com abraçadeiras plásticas durante horas enquanto espancavam seus genitais. Nos dias seguintes, urinou sangue.

Em outro episódio, disse ter sido imobilizado, despido e, enquanto estava vendado e algemado, um cachorro foi trazido. Incentivado por um adestrador em hebraico, afirmou, o animal montou sobre ele.

“Eles usavam câmeras para tirar fotos, e eu ouvia suas risadas e gargalhadas”, contou. Tentou afastar o cachorro, disse, mas o animal o penetrou.

Outros prisioneiros palestinos e monitores de direitos humanos também citaram relatos de cães policiais sendo treinados para estuprar prisioneiros. O jornalista afirmou que, quando foi libertado, uma autoridade israelense o advertiu: “Se quiser continuar vivo quando voltar, não fale com a imprensa.”

Então por que ele aceitou falar?

“Há momentos em que lembrar parece insuportável”, disse. “Meu coração parecia que ia parar enquanto eu falava com você sobre isso agora. Mas eu lembro que ainda há pessoas lá dentro. Então eu falo.”

Diversos relatos indicam que a violência sexual foi dirigida até mesmo contra crianças palestinas, normalmente presas por atirar pedras. Localizei e entrevistei três meninos detidos, e todos descreveram abusos sexuais.

Um deles, um garoto tímido usando uma camisa da Tommy Hilfiger e que tinha 15 anos no momento da prisão, recusou-se a dizer se havia testemunhado estupros propriamente ditos. Mas afirmou que ameaças eram rotineiras: “Eles diziam: ‘Faça isso ou vamos enfiar este bastão no seu traseiro.’”

Os outros meninos relataram histórias muito semelhantes de violência sexual durante espancamentos e observaram que ameaças de estupro eram dirigidas não apenas a eles, mas também às suas mães e irmãos.

Os colonos israelenses não são um braço oficial do Estado como o sistema prisional é, mas as Forças de Defesa de Israel cada vez mais protegem colonos enquanto eles atacam vilarejos palestinos e usam violência sexual para forçar palestinos a fugir. “A violência sexualizada é usada para pressionar comunidades” a deixarem suas terras, segundo um novo relatório do West Bank Protection Consortium, coalizão internacional de grupos humanitários liderada pelo Conselho Norueguês para Refugiados.

O consórcio entrevistou agricultores palestinos e descobriu que mais de 70% das famílias deslocadas disseram que ameaças contra mulheres e crianças, especialmente de violência sexual, foram a razão decisiva para partir. “A violência sexual”, afirmou Allegra Pacheco, da coalizão, “é um dos mecanismos que expulsam pessoas de suas terras”.

Alguns podem se perguntar se palestinos fabricaram acusações de agressão sexual para difamar Israel. Para mim isso parece improvável, porque nenhuma das pessoas que entrevistei me procurou nem sabia com quem mais eu falava, e todas relutavam em falar. Ainda assim, há indícios de que os abusos sexuais israelenses se tornaram tão frequentes que as normas começam a mudar e vítimas palestinas estão um pouco mais dispostas a denunciar.

“Durante seis meses não consegui falar sobre isso, nem mesmo para minha família”, disse Mohammad Matar, autoridade palestina que afirmou ter sido despido, espancado e cutucado nas nádegas com um bastão por colonos enquanto eles falavam sobre estuprá-lo. Durante o ataque, os agressores publicaram nas redes sociais uma foto dele vendado e apenas de roupa íntima.

Com o tempo, Matar decidiu falar para tentar romper o estigma. Hoje mantém uma ampliação da foto publicada pelos colonos na parede de seu escritório.

Para tentar entender o que encontrei, telefonei para Ehud Olmert, que foi primeiro-ministro de Israel de 2006 a 2009. Olmert me disse que não sabia muito sobre violência sexual contra palestinos, mas não se surpreendeu com os relatos que ouvi.

“Se eu acredito que isso acontece?”, perguntou. “Definitivamente. Há crimes de guerra cometidos todos os dias nos territórios”, acrescentou.

Então voltamos ao ponto que destaquei no início desta coluna: apoiadores de Israel estavam certos em 2023 ao afirmar que, quaisquer que sejam nossas opiniões sobre o Oriente Médio, deveríamos ser capazes de repudiar o estupro.

“Onde diabos vocês estão?”, perguntou Netanyahu à comunidade internacional naquela época, exigindo condenação da violência sexual cometida pelo que o governo israelense chamou de “regime estuprador do Hamas”.

O Hamas de fato violou brutalmente os direitos humanos. Mas autoridades israelenses também deveriam olhar para suas próprias violações —em especial para aquilo que um relatório de 49 páginas das Nações Unidas no ano passado chamou de submissão “sistemática” de palestinos à “tortura sexualizada”, cometida com ao menos “um incentivo implícito da alta liderança civil e militar”.

Pense da seguinte forma: o abuso horrível infligido a mulheres israelenses no 7 de Outubro agora acontece com palestinos dia após dia. Isso persiste por causa do silêncio, da indiferença e da incapacidade de autoridades americanas e israelenses de responder à pergunta de Netanyahu: “Onde diabos vocês estão?”



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