O pai do magistrado Samuel Alito era um bebê quando ele e sua mãe deixaram a Itália rumo a Nova Jersey, onde mais tarde se tornou cidadão americano.
A trajetória dos ancestrais da juíza Ketanji Brown Jackson permanece desconhecida, mas seus parentes foram escravizados na Geórgia, tornando-se cidadãos apenas através do derramamento de sangue da Guerra Civil.
Os bisavós do presidente da Corte, John Roberts, emigraram no final dos anos 1800 de uma cidade mineradora no que hoje é a Eslováquia, com destino à região carbonífera da Pensilvânia. Nos Estados Unidos, o casal teve um filho —o avô do presidente da Corte. Albert Podrasky nasceu antes de seus pais serem naturalizados, mas ainda assim era americano, garantido pelo princípio nacional do país de cidadania por nascimento.
Os três estão entre os nove magistrados que estão ouvindo argumentos nesta quarta-feira sobre permitir ou não que o governo Trump encerre essa promessa de cidadania por nascimento. O caso histórico testará se a Constituição garante cidadania a todos os bebês nascidos em solo americano, incluindo filhos de imigrantes sem status legal permanente. Isso pode redefinir o que significa ser americano para as gerações futuras.
Com a aproximação do caso, o New York Times vasculhou manifestos de navios de passageiros, registros de censo, listas de registro eleitoral e petições de naturalização, e entrevistou acadêmicos e genealogistas em um esforço para entender melhor os nove americanos que decidirão a questão.
As histórias dos juízes mostram como as leis e atitudes em constante mudança do país em relação aos recém-chegados guiaram ondas de imigração, determinando quem tem permissão para se tornar cidadão e contribuir para a história americana.
A última vez que a Corte considerou a questão foi há mais de 100 anos, decidindo em 1898 que um homem de ascendência chinesa, nascido em São Francisco de pais não cidadãos, era cidadão americano.
As histórias de imigração dos atuais maigstrados abrangem grande parte da experiência americana, desde colonos que chegaram antes da fundação da nação, até pessoas negras forçadas à escravidão nas plantações do Sul, até imigrantes que afluíram aos Estados Unidos de toda a Europa e encontraram empregos como trabalhadores braçais e operários de fábrica.
Em cada caso, esses recém-chegados abriram caminho para que um descendente alcançasse o ápice privilegiado da vida cívica do país. Esses nove homens e mulheres agora julgarão a cidadania de seus compatriotas.
Samuel Alito: herança italiana
Alito, cuja família emigrou do sul da Itália no início dos anos 1900, é o único americano de primeira geração da Corte. Seu pai veio ainda bebê com a avó do juiz em 1914, e segundo histórias da familía, a família de sua mãe veio depois que uma tempestade destruiu suas colheitas.
Ambas as famílias se estabeleceram entre outros imigrantes italianos em Trenton, na Nova Jersey. No início dos anos 1920, quando leis de imigração mais restritivas foram implementadas, mais de 4 milhões de italianos haviam chegado aos Estados Unidos.
O avô paterno de Alito, Antonio Alati —posteriormente anglicizado para Anthony Alito— deixou a Itália em 1913, navegando para a Filadélfia a bordo de um navio chamado Ancona. Ele encontrou trabalho como reparador das ruas da cidade e viveu com sua esposa e quatro filhos, incluindo Salvatore —anglicizado para Samuel— o pai de Samuel Alito.
Desde 1790, menores são automaticamente naturalizados quando seus pais são naturalizados. O pai de Alito, Samuel A. Alito Sr., tinha 10 anos quando seu pai foi naturalizado.
Registros de censo mostram que, em 1940, ele também era cidadão.
O cartão de alistamento militar de seu pai, assinado em outubro do mesmo ano, também reflete que ele era cidadão. Lista seu local de nascimento como Trenton, em vez da Itália. Tais imprecisões não são incomuns em registros de imigração, às vezes tornando mais difícil rastrear histórias familiares.
Samuel Alito Sr. foi professor do ensino médio antes de passar mais de 30 anos como diretor do Escritório de Serviços Legislativos de Nova Jersey, um cargo apartidário no qual ele redigia legislação e trabalhava em redistritamento eleitoral.
Samuel Alito Jr. frequentemente citou seu pai como uma força motriz em sua vida. Quando foi indicado para a Suprema Corte, disse que desejava que seu pai tivesse vivido para ver isso. Ele o chamou de “um homem extraordinário que veio para os Estados Unidos ainda criança e superou muitas dificuldades e fez muitos sacrifícios” por seus filhos, e um homem que o ensinou a “reverenciar” o processo legislativo.
Alito falou de seu orgulho de sua herança italiana. Ele viaja frequentemente à Itália para lecionar e fazer discursos. Ele descreveu levar seus filhos à vila onde seu pai nasceu, um lugar rochoso e árido pontilhado de oliveiras. Lá, ele foi à igreja paroquial, onde disse que um pastor o ajudou a encontrar a certidão de nascimento de seu pai.
Amy Coney Barrett: herança francesa, irlandesa e alemã
Barrett cresceu em um subúrbio de Nova Orleans, a mais velha de sete filhos. Ambos os pais foram criados na região, e a história de imigração de sua família reflete a mistura de culturas no delta do rio Mississippi.
Os ancestrais maternos de Barrett chegaram da França quando a população de Nova Orleans saltou de menos de 10.000 em 1800 para mais de 150.000 em 1860. Sua origem também inclui parentes do lado materno que vieram para os Estados Unidos da Irlanda, bem como ancestrais paternos da Alemanha.
O bisavô materno de Barrett, Firmin Daste, tinha 24 anos quando deixou Bordeaux, na França, em 1859 para navegar até Nova Orleans.
Na época, a cidade era um centro para imigrantes —em 1850, mais de 50% dos residentes de Nova Orleans eram nascidos no exterior. No censo de 1900, Daste tinha 65 anos e administrava o Hospital da Sociedade Francesa, que foi criado para atender a comunidade francesa fortemente imigrante.
O bisavô paterno de Barrett, Terence McAdam, nasceu em Ballyconnell, Irlanda. Ele e sua esposa, Margaret, se casaram na Irlanda em 1867 antes de virem para Nova Orleans. Ele passou pelo processo de solicitação de naturalização e fez o juramento de cidadania em 1878.
McAdam trabalhou em Nova Orleans como estivador. Naquela época, os imigrantes irlandeses tinham uma comunidade bem estabelecida na cidade, onde muitos homens trabalhavam nas docas do Porto de Nova Orleans.
Barrett fez da imigração parte da história de sua própria família. Dois de seus sete filhos —Vivian e John Peter— foram adotados do Haiti.
Neil Gorsuch: herança irlandesa, alemã e britânica
Os ancestrais de Gorsuch incluem colonos britânicos que chegaram a Maryland antes da Revolução Americana e lutaram pela independência, tornando-se alguns dos primeiros cidadãos da nação após a fundação do país. Outros estavam entre os milhões de imigrantes alemães e irlandeses que vieram no século 19, frequentemente fugindo da pobreza.
Esses ancestrais chegaram ao país antes de uma série de limites federais à imigração que começaram nos anos 1880, com restrições a trabalhadores chineses, seguidas por testes de alfabetização para migrantes e, posteriormente, cotas.
Charles Gorsuch nasceu na Inglaterra em 1642 e morreu em Maryland em 1716. Ele está listado nos registros como um fazendeiro com vários lotes de terra no Condado de Baltimore.
O bisavô de Neil Gorsuch, Joseph J. McGill, filho de um imigrante irlandês, ajudou a estabelecer os profundos laços familiares de Gorsuch com o Colorado e o Oeste americano. Registros de censo mostram que ele se mudou de Nova York para o Colorado nos anos 1890 e se casou com Margaret McGill, uma imigrante irlandesa. Joseph McGill trabalhou no corpo de bombeiros de Denver.
Gorsuch cresceu em Denver, depois se mudou para a região de Washington depois que o presidente Ronald Reagan indicou sua mãe, Anne McGill Gorsuch Burford, para se tornar a primeira mulher a liderar a Agência de Proteção Ambiental.
Ketanji Brown Jackson: herança africana, ancestrais escravizados
Do lado paterno, a família de Jackson pode ser rastreada até uma plantação de 700 acres na Geórgia de propriedade de um homem chamado John H. Rutherford. Documentos de 1860 mostram que ele escravizava 65 pessoas, com idades variando de um bebê de 6 meses a uma pessoa de 80 anos.
Como os quase 4 milhões de americanos negros escravizados na época, os ancestrais de Jackson se tornaram cidadãos americanos com a aprovação da 14ª Emenda à Constituição em 1868. A 14ª Emenda está no cerne do caso que a Corte está ouvindo nesta quarta-feira.
Em 1867, após o fim da Guerra Civil, o trisavô de Jackson, Olmstead Rutherford, firmou um contrato de parceria agrícola com John Rutherford, de acordo com pesquisa do grupo genealógico sem fins lucrativos American Ancestors, sediado em Boston, que rastreou as raízes de Jackson.
Tais contratos entre proprietários de terras brancos e pessoas negras anteriormente escravizadas eram comuns e perpetuavam a desigualdade e a pobreza.
Naquele mesmo ano, Olmstead Rutherford se registrou para votar na Geórgia, juntando-se a milhares de homens negros nas urnas. O direito foi consagrado nas emendas da Reconstrução da Constituição, que também proibiam a escravidão —e garantiam a cidadania.
Os pais de Jackson, Johnny Brown e Ellery Ross, frequentaram escolas segregadas em Miami nos anos 1950 e 1960. Eles faziam parte de uma geração que cresceu no Sul das leis Jim Crow, enquanto os estados aplicavam leis que criavam um sistema de castas raciais.
“Na minha família, bastou uma geração para ir da segregação à Suprema Corte dos Estados Unidos”, disse Jackson em declarações na Casa Branca em abril de 2022.
Elena Kagan: herança judaico-russa
Kagan pode rastrear suas raízes até o antigo Império Russo. Três de seus quatro avós imigraram para os Estados Unidos no início dos anos 1900, colocando-se no caminho para a cidadania antes que leis restritivas tornassem a vinda para a América mais difícil nos anos 1920.
Nascido em Bialystok, Irving Louis Kagan deixou a Europa em 1907. Ele veio como parte de uma onda de judeus fugindo da perseguição no que era então a Rússia e agora é a Polônia. Ele se restabeleceu no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde trabalhou como vendedor.
Nascida na Rússia, a avó materna de Elena Kagan, Esther Bokelman, deixou a Europa de um porto na França com apenas 12 anos de idade com sua mãe, pai e três irmãos.
A família se estabeleceu na Filadélfia na década de 1920, onde o bisavô de Kagan trabalhou como dono de mercearia. Sua avó se naturalizou cidadã americana em 1943, quando era uma mãe de dois filhos com 32 anos.
Os pais de Kagan, Robert e Gloria, foram os primeiros em suas famílias a cursar a faculdade. Robert atuou como advogado de direitos de inquilinos. Gloria se tornou professora do ensino fundamental.
Seus pais morreram antes de ela ser confirmada para o tribunal, mas Kagan disse que podia sentir a presença deles e que não seria juíza da Suprema Corte “se não fosse pelo amor, sacrifício e dedicação deles”.
Brett Kavanaugh: ascendência irlandesa
Ambos os lados da família de Kavanaugh imigraram para os Estados Unidos vindos da Irlanda, chegando entre meados e o final do século 19.
Eles faziam parte de uma onda de imigrantes irlandeses para os Estados Unidos naquela época. De 1820 a 1860, pessoas da Irlanda representavam mais de um terço de todos os imigrantes nos Estados Unidos. Os recém-chegados irlandeses frequentemente enfrentavam discriminação, mas a família de Kavanaugh chegou antes que leis rigorosas dificultassem a entrada no país.
O bisavô paterno de Kavanaugh, Patrick Kavanaugh, emigrou da Irlanda em 1878. Ele encontrou trabalho como moldador de ferro em uma fábrica metalúrgica em Connecticut. Registros do censo mostram que, em 1910, Patrick e sua esposa, Mary —filha de imigrantes irlandeses— viviam em New Haven, em Connecticut, com seus seis filhos, incluindo o avô de Brett Kavanaugh, Everett.
Michael Murphy, tataravô materno de Brett Kavanaugh, deixou a Irlanda na década de 1860 rumo aos Estados Unidos. Ele se estabeleceu em Nova Jersey, onde trabalhou como carpinteiro.
Kavanaugh cresceu nos subúrbios de Washington. Sua mãe, Martha G. Kavanaugh, trabalhou como professora antes de cursar a faculdade de direito quando ele tinha 10 anos. Ela se tornou promotora e depois atuou como juíza de um tribunal estadual de Maryland.
Em suas declarações iniciais nas audiências de confirmação, Brett Kavanaugh chamou sua mãe de “uma pioneira” que lhe ensinou que “juízes não lidam com teorias abstratas; eles decidem casos reais para pessoas reais no mundo real”.
John Roberts: ascendência eslovaca, irlandesa e britânica
Ambos os lados da família de Roberts podem ser rastreados até a região carbonífera da Pensilvânia. Seus pais cresceram em Johnstown, uma pequena cidade a cerca de 100 quilômetros a leste de Pittsburgh.
Os ancestrais de seu pai chegaram da Inglaterra em meados do século 19, pouco antes da Guerra Civil, para trabalhar no que era então uma cidade em expansão de mineração de carvão.
Os ancestrais paternos do presidente da Suprema Corte vieram de Leigh, na Inglaterra, uma cidade mineradora perto de Manchester. Sua tataravó Mary Linskey havia fugido de sua Irlanda natal para a Inglaterra durante a Grande Fome. Em 1863, ela e seu marido, Richard Glover, embarcaram em um navio, o Hecla, com destino aos Estados Unidos.
Eles atravessaram o Oceano Atlântico para escapar da pobreza. Registros do censo mostram que, em 1870, eles haviam se estabelecido na Pensilvânia.
O bisavô materno de Roberts, Jacob Podrasky, emigrou em 1886 do que era então a região de Szepes, na Hungria —a atual cidade de Kluknava, no leste da Eslováquia— juntando-se a outros imigrantes que vieram para Johnstown. Os recém-chegados do Leste Europeu frequentemente enfrentavam preconceito e condições de vida difíceis, rejeitados pelos moradores da cidade.
Jacob Podrasky e sua esposa, Helen, ainda não eram cidadãos quando seu filho Albert, avô do presidente da Suprema Corte, nasceu em 1893. No entanto, sob a 14ª Emenda, Albert era cidadão por direito de nascimento porque nasceu em solo americano. Essa garantia é a questão central que Roberts e seus colegas estão analisando nesta quarta-feira.
Jacob Podrasky se tornou cidadão ao fazer um juramento de lealdade aos Estados Unidos em 4 de outubro de 1900.
Helen foi automaticamente naturalizada nessa data. Na época, a cidadania de uma mulher dependia da de seu marido.
Os pais do presidente da Suprema Corte cresceram na Pensilvânia, depois se casaram em 1952 e viveram nos arredores de Buffalo, Nova York, onde seu pai, Jack Roberts, trabalhou como executivo da Bethlehem Steel. Três anos depois, seu filho, John, nasceu.
Sonia Sotomayor: ascendência porto-riquenha
As raízes familiares de Sotomayor podem ser rastreadas por gerações na ilha de Porto Rico. A ilha foi colonizada pelos espanhóis a partir do início do século 16, mas a Espanha a cedeu aos Estados Unidos em 1898 após a Guerra Hispano-Americana. Em 1917, o presidente Woodrow Wilson assinou a Lei Jones-Shafroth, que concedeu cidadania americana a todos os residentes porto-riquenhos.
Os pais de Sotomayor, Celina Baez e Juan Sotomayor, nasceram cidadãos americanos na ilha. Eles estavam entre os milhares de porto-riquenhos que vieram para o continente durante ou imediatamente após a Segunda Guerra Mundial.
O pai da juíza e seus parentes deixaram a ilha para escapar das dificuldades econômicas.
Em 1944, a mãe de Sonia Sotomayor se mudou para o continente aos 17 anos, chegando à Flórida após se alistar no Corpo Feminino do Exército durante a Segunda Guerra Mundial. Baez foi uma das mais de 150.000 mulheres que serviram em funções não combatentes. Muitos porto-riquenhos serviram nas forças armadas durante a guerra.
Baez se estabeleceu na cidade de Nova York, onde conheceu e, em 1946, se casou com Juan Sotomayor, um ferramenteiro.
Depois de terminar seu serviço no Exército, a mãe de Sonia Sotomayor trabalhou como enfermeira no Bronx.
“Eu sempre disse que sou tudo o que sou por causa dela, e sou apenas metade da mulher que ela é”, disse Sotomayor sobre sua mãe quando o presidente Barack Obama a indicou para a Suprema Corte em 2009.
Clarence Thomas: ascendência africana, ancestrais escravizados
As raízes de Thomas se estendem por gerações nas terras baixas costeiras da Geórgia. Ele pode traçar sua ancestralidade até pessoas anteriormente escravizadas que compraram suas próprias terras e se registraram para votar após a Guerra Civil.
Ele nasceu em Pin Point, um vilarejo fundado em 1896 por pessoas anteriormente escravizadas. Embora a Reconstrução tivesse prometido igualdade aos americanos negros —garantindo cidadania e proibindo a escravidão— os estados do Sul instituíram leis racistas que legalizaram a discriminação. Criado por seus avós em Savannah, Thomas disse que vivenciou segregação e intolerância racial quando criança no Sul.
O tataravô de Thomas, Sandy Wilson, parece ter sido escravizado em uma plantação no Condado de Liberty, uma área agrícola ao sul de Savannah, de acordo com registros de espólio citados pela primeira vez na biografia “Judging Thomas: The Life and Times of Clarence Thomas”.
Um manifesto de navio da década de 1830 mostra pessoas escravizadas, incluindo Wilson, que foram trazidas da Geórgia para Charleston, Carolina do Sul.
Após a Guerra Civil, Wilson se registrou para votar em 1867 como um homem negro livre. Wilson foi uma das mais de 460.000 pessoas negras que se tornaram cidadãs na Geórgia com a ratificação da 14ª Emenda.
No censo de 1870 —o primeiro em que americanos negros no Sul foram contados como cidadãos— Wilson vivia com sua esposa e filhos e trabalhava como agricultor.
Thomas foi criado por seu avô, Myers Anderson, que vendia óleo combustível. Nascido em 1907 em Savannah, o avô foi uma figura central na vida de Thomas. O juiz frequentemente creditou a rigidez e a forte ética de trabalho de seu avô por impulsioná-lo ao sucesso. Ele também escreveu sobre a dor de viver sob a segregação, dizendo que nas décadas de 1950 e 1960, “os negros passavam longe de muitas partes de Savannah, que se agarrava ferozmente à segregação racial pelo maior tempo possível”.
Thomas disse que a mancha da escravidão e suas experiências com a segregação na América ajudaram a moldar sua filosofia judicial conservadora, na qual ele frequentemente se concentrou na autossuficiência e na conquista individual.
Metodologia
Para entender as histórias de imigração e migração familiar dos juízes da Suprema Corte, o New York Times começou examinando seus discursos e entrevistas, incluindo de suas audiências de confirmação e anúncios de indicação. Também examinamos biografias, memórias e outros livros sobre os juízes.
Em seguida, construímos árvores genealógicas para cada juiz, usando uma variedade de registros, incluindo documentos do censo, manifestos de navios e certificados de chegada, petições e certificados de naturalização, registros de nascimento e óbito, certidões de casamento, informações de registro eleitoral, registros do Freedmen’s Bureau, registros de serviço militar e cartões de alistamento, registros de propriedade de terras pré-Revolução Americana e arquivos de inventário.
Também usamos sites genealógicos online, incluindo Ancestry e FamilySearch, entre outros, para localizar registros governamentais, e fizemos solicitações de registros públicos a arquivos estaduais e nacionais. Quando possível, usamos múltiplos documentos para corroborar a história de cada parente.
Em seguida, examinamos como leis e políticas de imigração afetaram os ancestrais de cada juiz, entrevistando especialistas acadêmicos e jurídicos. Também analisamos registros históricos e literatura acadêmica, junto com arquivos de jornais, para reconstituir as condições para imigrantes e migrantes recém-chegados durante cada período e em cada local.
As árvores genealógicas dos juízes foram revisadas por Sarah J. Dery e Hallie Kirchner, pesquisadoras genealógicas da American Ancestors. As pesquisadoras também forneceram registros genealógicos adicionais.
Também apresentamos nossa pesquisa aos juízes por meio de um porta-voz do tribunal. Eles se recusaram a comentar.




