O número de mortos decorrentes do terremoto que atingiu o Afeganistão subiu para 2.205 nesta quinta-feira (4), segundo o Talibã. Ao menos 3.640 pessoas ficaram feridas após os tremores causarem deslizamentos de terra e destruição de aldeias.
O número de vítimas pode aumentar, já que ainda há pessoas presas sob os escombros. As equipes de buscas seguem trabalhando, mas o terreno montanhoso dificulta o acesso às áreas remotas e o tempo para resgatar os atingidos com vida se esgota.
O primeiro tremor, de magnitude 6, causou ampla destruição nas províncias de Kunar e Nangarhar, no leste do país, na segunda (1º). Um dia depois, um novo abalo de magnitude 5,5 gerou pânico e interrompeu os esforços de resgate, ao provocar deslizamentos de pedras nas montanhas e bloquear o acesso a vilas em áreas isoladas .
“Tudo o que tínhamos foi destruído”, disse Aalem Jan, cuja casa na província de Kunar, a mais afetada pela tragédia, foi arrasada pelos tremores. “As únicas coisas que restaram são as roupas que vestimos”, acrescentou Jan.
Sua família estava sentada sob árvores, com seus pertences empilhados ao lado. Mais de 6.700 casas foram destruídas, disseram as autoridades afegãs.
Em algumas das vilas mais afetadas na província de Kunar, dois em cada três moradores foram mortos ou feridos, enquanto 98% das construções foram destruídas ou danificadas pelos tremores, de acordo com uma avaliação da ONG britânica Islamic Relief Worldwide.
Sobreviventes, em busca por familiares, reviravam escombros, carregavam corpos em macas de palha e cavavam covas com picaretas, à espera da chegada de ajuda. Muitos lugares são inacessíveis por estradas, e as aldeias muitas vezes são feitas de estruturas de barro que são suscetíveis a desmoronamentos.
Um vídeo da agência Reuters mostrou caminhões, alguns carregados de sacos de farinha e outros transportando homens com pás, viajando para vilarejos remotos. As autoridades também usaram helicópteros para enviar ajuda e transportar feridos. Nos locais em que os helicópteros não conseguiam pousar, oficiais eram lançados pelo ar.
O terremoto ocorreu próximo à superfície, a apenas oito quilômetros de profundidade —o que, segundo especialistas, pode tornar um tremor ainda mais devastador. O epicentro foi registrado próximo da cidade de Jalalabad, capital da província de Nangarhar, perto da fronteira com o Paquistão.
Muitas famílias tinham acabado de regressar ao Afeganistão depois de terem sido expulsas do exílio no Paquistão e no Irã. No total, cerca de quatro milhões de afegãos voltaram ao país. Segundo autoridades locais, aproximadamente 2.000 famílias de refugiados tinham regressado e planejavam reconstruir seu lar na região agrícola afetada pelo sismo.
O desastre deve sobrecarregar ainda mais os recursos já escassos do regime fundamentalista de uma nação devastada pela guerra, que vê uma queda acentuada na ajuda estrangeira até deportações de centenas de milhares de afegãos por países vizinhos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou ser essencial manter o fornecimento de medicamentos, kits de trauma e bens básicos diante da crescente demanda. Já o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas tem recursos e estoques para apoiar os sobreviventes por apenas mais quatro semanas, disse o representante da organização no país, John Aylieff.
O Afeganistão é propenso a terremotos, particularmente na cordilheira do Hindu Kush, onde as placas tectônicas indiana e eurasiática se encontram. Em outubro de 2023, ao menos 1.300 pessoas morreram após um tremor atingir a província de Herat. Pouco mais de um ano antes, em junho de 2022, tremores de magnitude 6,1 mataram mais de 1.000 pessoas.
Este é o terceiro grande terremoto no país desde que o Talibã voltou ao comando em 2021, quando as forças estrangeiras se retiraram, desencadeando um corte no financiamento internacional que formava a maior parte das finanças do regime. Desde então, o grupo tem empregado medidas que refletem sua visão extremista do islã, em especial contra mulheres.




