Thiago Ávila chega ao Brasil após ser deportado de Israel – 11/05/2026 – Mundo

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O ativista Thiago Ávila chegou ao aeroporto de Guarulhos nesta segunda-feira (11), após ter sido preso e deportado por Israel. O brasileiro foi detido enquanto participava de uma flotilha de ajuda humanitária à Faixa de Gaza no final de abril.

Em sua chegada, Ávila foi recebido por colegas da equipe da flotilha Global Sumud, incluindo Mandi Coelho e Leandro Lanfredi, brasileiros que foram interceptados na mesma operação pelas forças israelenses. O grupo foi impedido de continuar a viagem até Gaza em 29 de abril, enquanto navegava em águas internacionais perto da costa da Grécia.

O ativista chegou no saguão do aeroporto de Guarulhos às 18h44. Ávila pegou o voo de volta ao Brasil a partir do Cairo, no Egito, cidade para onde foi deportado após a soltura no domingo (10).

“É dever do Estado brasileiro agir contra o genocídio [de palestinos]. O povo palestino é muito grato ao Brasil e ao povo brasileiro pelas mobilizações que tem feito”, afirmou Ávila a jornalistas e ativistas após desembarcar. “Mas a gente ainda precisa fazer mais, ainda que as garras do sionismo estejam presentes nos nossos governos estaduais, nossos governos municipais, o nosso Judiciário. Infelizmente, a gente precisa travar essa batalha aqui dentro também, se não o mesmo regime autoritário que hoje massacra palestinos vai se estabelecer sobre nós também.”

Ele também indicou que a flotilha deve tentar novamente chegar ao território palestino. “Nesse momento nós temos mais de 50 barcos na Turquia sendo preparados para sair novamente. Eles [Israel] novamente ameaçam que vão cometer outro crime de guerra, mas a nossa missão é perfeitamente legal e pelo direito internacional”, disse o ativista.

O brasileiro ficou preso por 11 dias na região de Ashkelon, no sul de Israel, assim como o ativista palestino-espanhol Saif Abu Keshek. Os demais 175 integrantes da flotilha, de diversas nacionalidades, foram levados à Grécia e deportados logo após a ação de Israel.

Apoiadores esperavam o ativista no terminal com bandeiras da Palestina e cartazes críticos a Israel. O grupo entoou cantos classificando o Estado de Israel de “assassino” e pedindo que o governo Lula rompa relações diplomáticas com o país.

O ativista deve embarcar ainda nesta segunda para Brasília, cidade onde vive com a esposa e a filha. Sua mãe, que também vivia na capital federal, morreu na semana passada, aos 63 anos. A causa da morte não foi divulgada.

A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, partiu de França, Espanha e Itália com o objetivo de romper o bloqueio israelense a Gaza e entregar suprimentos ao território palestino devastado.

A primeira vez que o ativista foi interceptado pela Marinha de Israel foi em junho de 2025, quando estava a bordo do barco Madleen com a ativista sueca Greta Thunberg. Em seu perfil em redes sociais, que conta com mais de 800 mil seguidores, Ávila constantemente apoia causas relacionadas à Palestina, mas também pautas sobre mudança climática.

Na primeira prisão de Ávila, sua família havia afirmado que o ativista foi colocado em uma solitária. Ele e outros ativistas haviam se recusado a assinar um termo de deportação, assinado por Greta e quatro colegas capturados na mesma ocasião.

No dia 1º de outubro do ano passado, o ativista foi preso novamente ao integrar nova edição da flotilha. Ele e mais sete brasileiros que se recusaram a assinar termo para agilizar deportação ficaram detidos na prisão de Ktzi’ot, no deserto do Negev, e voltaram ao Brasil no dia 9 daquele mês após serem expulsos de Israel.

O grupo israelense de direitos humanos Adalah, que representou os ativistas na Justiça, afirmou que a prisão foi ilegal e que os dois foram vítimas de maus-tratos e abusos psicológicos.

Segundo a ONG, eles foram submetidos a “interrogatórios de até oito horas”, foram mantidos em celas permanentemente iluminadas e obrigados a ir de um lugar para outro com os olhos vendados, inclusive durante visitas médicas. Tel Aviv nega as acusações.

“Ao contrário das acusações falsas e infundadas, preparadas com antecedência, em nenhum momento Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram submetidos a torturas”, disse à agência de notícias AFP o porta-voz da chancelaria israelense, Oren Marmorstein.

Em nota após a libertação, a ONG israelense Adalah, que representou os ativistas, escreveu que “as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”. “[Trata-se de] uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, publicou.

Israel acusa Ávila de pertencer à Conferência Popular para Palestinos no Exterior, grupo que, segundo Tel Aviv e o Tesouro dos EUA, tem ligações com a organização terrorista Hamas.

Depois de deportar o brasileiro, o Ministério de Relações Exteriores de Israel fez uma publicação nas redes sociais classificando a missão de “flotilha de provocação”.

A prisão dos ativistas foi repudiada pelos governos do Brasil e da Espanha, além da ONU. O Itamaraty, em nota conjunta com o governo espanhol, condenou o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel”.

A ONU pediu libertação imediata dos ativistas na última quarta-feira (6). “Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, afirmou o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, em comunicado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na última terça (5), pediu a libertação dos dois ativistas em uma publicação nas redes sociais. “Manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila, integrante da flotilha ‘Global Sumud’, é uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos”, escreveu.



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