Transição verde não pode ser novo colonialismo – 07/09/2025 – Bianca Santana

Transição verde não pode ser novo colonialismo - 07/09/2025 -


Quando ciclones devastaram Moçambique, em 2019, milhares de pessoas perderam casas e lavouras, enquanto os países mais poluidores do mundo continuavam prometendo fundos que nunca chegam ao continente africano.

Na República Democrática do Congo, crianças cavam a terra com as mãos para extrair o cobalto que move carros elétricos e celulares nos países ricos. A transição energética vendida como verde está sendo feita sobre corpos africanos, repetindo, com novos nomes, a lógica de violência do colonialismo.

De 8 a 10 de setembro, em Adis Abeba, capital da Etiópia, acontece a segunda Cúpula Africana sobre o Clima (ACS2). Dois meses antes da COP30, em Belém (PA), a expectativa da reunião diplomática é reposicionar o continente como protagonista na disputa pelo futuro.

O tema é “Acelerar Soluções Climáticas Globais: Financiamento para o Desenvolvimento Verde e Resiliente da África“. Para a União Africana, não basta reconhecer o continente como vítima desproporcional da crise climática, é preciso admitir que ele também pode ser um lugar de soluções, desde que os fluxos financeiros sejam redistribuídos de forma justa. África não é apenas vítima, mas espaço de inovação, biodiversidade e possibilidades energéticas renováveis.

O pré-summit aconteceu de 5 a 7 de setembro. Movimentos sociais, comunidades locais e organizações da sociedade civil se articularam para que sejam ouvidas as pessoas que sofrem no corpo as desigualdades, a emergência climática e o racismo ambiental.

A experiência da primeira cúpula, em Nairóbi, em 2023, registrou o incômodo dos países africanos com promessas vazias do Norte do mundo. Fundos climáticos globais anunciados em conferências da ONU continuam emperrados em burocracias ou condicionados a empréstimos com juros abusivos. E países que quase nada contribuíram para as emissões históricas de carbono carregam o fardo de enchentes, secas e desertificação.

A União Africana proclamou 2025 como o “Ano da Justiça para os Africanos e Afrodescendentes por meio das Reparações”. A convocação busca enfrentar as injustiças históricas do tráfico de escravizados e do colonialismo pela restituição material, a recuperação de narrativas culturais e a formação de uma frente unida para exigir reparações das nações que perpetraram tais injustiças.

O programa da ACS2 reflete essa ambição. No primeiro dia, o destaque são soluções baseadas na natureza e em tecnologia, de sistemas agroflorestais a infraestrutura resiliente. No segundo, a pauta é adaptação, como garantir segurança alimentar, cidades sustentáveis e mineração sem repetir lógicas de saque.

No terceiro, a disputa central, financiamento. A proposta é, em vez de “doações”, nomear como “investimentos estratégicos” o fluxo financeiro que vem do Norte. A África quer acordo justo, não esmola. Quer contratos que reconheçam valor local, não os que perpetuam a dependência.

A expectativa é que a cúpula produza a Declaração de Líderes Africanos de Adis Abeba e um “call to action” direcionado à COP30, ao G20 e à Assembleia-Geral da ONU reafirmando a justiça climática como fundamento para a justiça global.


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Fonte CNN BRASIL

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